quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O devir é imprevisível

                         
 


O devir
é imprevisível
e no pensamento
não crível,
na imaginação
sem razão,
na fantasia
se esvazia
como nuvem
levada pelo vento...

O devir
é movimento,
transformação
que transcende a razão,
sendo, apenas, ciência
da Transcendência!...
                     




Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google


6 comentários:

Anónimo disse...

O devir é de facto imprevisivel. A transformação nem sempre obedece ao que prevemos ou queremos que aconteça. Quando tentamos transformar algo pode muito bem acontecer que percamos o controlo da situação e o resultado seja bem diferente do pretendido. Transcende-nos. Bem, a filosofia não é mesmo o meu forte e espero não ter escritos barbaridades tremendas neste comentário. Se escrevi tenho a certeza que a sua amizade a levará a perdoar-me.

Zélia Chamusca disse...

Olá Duarte,
O que escrevi foi o que senti no momento. Claro que cada um de nós não consegue abstrair-se da sua instrução e cultura,pois elas nos definem.
Mas, disse muito bem porque isto não é filosofia, ou será, mas não é preciso ter formação específica para entender o pensamento aqui expresso, basta ser inteligente e sensível.
E não será a sensibilidade a forma mais perfeita da inteligência?
Para mim é.
Por esta mesma razão o Poeta Guilherme Duarte foi bastante sensível a este poema e eu fico feliz com seu comentário e feliz também por ter conseguido transmitir meu pensamento,
Grata e beijinho,
ZCH

A. João Soares disse...

Cara Zélia,
O devir, o porvir, o futuro, é sempre uma incógnita. Mas não é totalmente imprevisível, para quem estiver atento aos factores que interagem na circunstância. Se é certo que nos pormenores, nada acontece exactamente como desejávamos, de uma maneira geral os acontecimentos são uma consequência dos nossos actos anteriores.
Se não fosse assim viveríamos escravos de um fatalismo em que nada valeria a pena e «seja o que Deus quiser». O nosso futuro é conquistado dia a dia, embora por erro nosso de não nos acautelarmos com um ou outro pormenor ele seja uma surpresa.
Na técnica de planeamento, deve haver todo o cuidado na listagem dos factores e nos pormenores de cada um a fim de a sua interacção ser bem estimada. Depois listamos as hipóteses a fim de ser escolhida a melhor. Mesmo assim, é preciso controlar a acção para inserirmos as correcções e os ajustamentos para ultrapassar efeitos indesejados e imprevistos. Costumo referir o seguinte texto http://domirante.blogspot.pt/2008/12/pensar-antes-de-decidir.html .

Beijo
João

Zélia Chamusca disse...

Ilustre Senhor A. João Soares,

É como diz, isto é como deverá ser na nossa vida prática, contrariamente e de acordo com o meu poema seria uma redução ao fatalismo, ao determinismo.

O que escrevi é um poema que traduz uma visão realista que, não obstante expressar uma doutrina que não defendo nem sigo tal como A.João Soares.

Mas tudo o que é, é e não é ao mesmo tempo ( para mim é assim). Porém há filósofos que defendem o contrário - o princípio de não contradição em Aristóteles, por exemplo.

O que pretendi transmitir neste meu poema é o facto de, na nossa vida e no mundo, surgirem acontecimentos que não são por nós previsíveis e isto é uma verdade indubitável.

Prova de que estou plenamente de acordo consigo é o que traduzo no poemas:

http://narcisodosbosques.blogspot.com/2012/10/a-vida-e-um-projeto-permanente.html

e
http://narcisodosbosques.blogspot.com/2012/11/viver.html

Muito grata por seu importante comentário que muito ilustra este espaço.

Beijinho,

ZCH

Paolo Lim disse...

O poema tem malemolência, graça e sapiência. Agrada, envolve, intriga. Mais uma belíssima página ! Bravoooo !

Zélia Chamusca disse...

Muito grata pelo seu comentário original que só poderia vir de tão singular Poeta, Paolo Lim.
ZCH

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