terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Ano Novo - O Mito que não é Mito


                        
 
                                               Por Zélia Chamusca    

       
O mito era entendido, “in illo tempore”, em tempos remotos, como uma narração lendária pertencente a uma tradição cultural de determinado povo que explicava, a partir do recurso ao sobrenatural,  a origem do universo e a dinâmica da natureza bem como  os seus principais valores éticos e morais. 
O emergir do pensamento filosófico na Antiga Grécia, no século VI a.C. veio romper com o conceito do mito, acima descrito, dado que a realidade passou a ser vista e explicada por si mesma, através do conhecimento racional do ser humano, podendo, contudo, a explicação ser objeto de crítica ou reformulação.

É precisamente sobre este conceito do mito, visto à luz do pensamento racional, que podemos considerar o Ano Novo como um mito verdadeiro e eterno, um mito de eterno retorno,  um mito que não é mito, dado que, não tem origem em qualquer narração lendária, mas sim, repito, um mito verdadeiro e eterno visto à luz do pensamento racional.

O Ano Novo surge em consequência do movimento de rotação e de translação da Terra em volta do Sol, gerando com ele a renovação de toda a natureza, facto comprovado cientificamente   e (utilizando  a fenomenologia  e a terminologia husserlianas),   pelo nosso pensamento racional, “noético”,   resultante da atividade da razão, "noesis".

Por outras palavras, o  Ano Novo enquanto renovação,  surge como um “noema”,  isto é, como algo de que se tem consciência.

Lembro que, como já referi noutros artigos,  muitas tradições ancestrais consideravam o início do Ano Novo em março, altura das sementeiras,  uma época de abundância e de  prosperidade, integrando-se no simbolismo da renovação periódica da natureza e do ser humano, ou seja, na renovação de toda a Criação. 
Ainda hoje, a Festa do Ano Novo, na continuidade do contexto do Natal, insere-se na renovação simbólica de toda a Criação. É nossa “praxis” desejarmos uns aos outros um bom ano  com prosperidade, abundância  e, segundo o nosso pensamento racional,   transmitirmos a esperança de um mundo novo.
Depende de todos nós transformarmos esta esperança em sonho concretizado cumprindo a Mensagem de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”.
Jo 15,12-17

                                                           Zélia Chamusca
                                                             Ano Novo 2020
                                                                                                                                 

domingo, 15 de dezembro de 2019

Natal é a celebração do Nascimento de Jesus



                                       Por Zélia Chamusca

1 - Etimologia e significado da palavra Natal e do nome de Jesus

A etimologia da palavra natal deriva do latim “natalis” do verbo nascer  (nāscor, nāsceris, nāscī, nātus sum).
As festividades natalícias  tiveram origem nas celebrações pagãs, do nascimento  do deus sol, no solstício do inverno.

Estas festividades tomaram novo significado pela igreja católica, como fim de atrair ao cristianismo  os pagãos no século III, durante o Império Romano, tendo passado a comemorar o nascimento de Jesus.
O nome  Jesus (Yeshua e Yehoshua – que quer dizer “Deus salva”) é de origem hebraica e significa Salvador.

Em Jesus Cristo, Cristo, “Khristós” significa em grego “Ungido”, tendo passado para o português através do hebraico que significa Messias –“Servidor de Deus” segundo o Islão. O Alcorão chama-Lhe Messias mas recusa-se  e ver Jesus como um homem santo – o Messias prometido por Deus.  Para o Islão  Jesus não é mais que um profeta anunciador de Maomé.
Jesus tem ainda o epíteto de Nazaré, Nazareno, Jesus de Nazaré, de sua mãe Maria de Nazaré, mulher israelita natural de Nazaré.

Nenhum destes epítetos é sobrenome de Jesus. Naquele tempo não existiam os sobrenomes.
Voltamos ao início deste pequeno capitulo  em que se refere o significado da palavra Natal -  natalis” – Nascimento.

Maria e José seu esposo viajaram, segundo alguns exegetas cristãos, não se sabe ao certo, de Nazaré para Belém, capital do Estado da palestina   tendo Jesus nascido, durante o percurso, na referida capital de Belém, de Maria sempre virgem que teve mais filhos. Jesus foi concebido milagrosamente, sendo Maria sempre virgem, ou seja, sem relação sexual. Este alusivo milagre da Igreja é um dogma criado pelo cristianismo. Dogma, para mim dos mais absurdos porquanto nunca  nenhuma mulher ou outra qualquer fêmea perdeu a sua virgindade, entenda-se pureza, por naturalmente conceber,  gerar e dar à luz, um filho. Este ato é sim, na sua abrangência total, um ato de pureza e nunca seria pecado porque Deus não peca e, Deus é o Criador Supremo de toda a natureza. Entende-se, contudo a aceitação do dogma num contexto social em que Jesus nasceu  e em que o ato sexual seria considerado pecaminoso.
Hoje, considero a aceitação de tal dogma um absurdo.

O ato da criação, de toda a criação, repito, é um dom da Natureza, Força Geradora, Criadora de todo o universo. É obra de um Ser Supremo Perfeitíssimo a que chamamos Deus.
Mas, deixemos esta minha visão que nunca ninguém me ensinou a ver de outra forma a não ser a da minha inteligência concedida pelo Criador Supremo.

Uma outra questão é Cristo ser um enviado de Deus. Filho de Deus como  todos nós somos. Todos somos filhos de um Criador Supremo, tal como Jesus.
Mas, não esqueçamos, porém, que Jesus Cristo, foi um Espírito Superior de tal forma que revolucionou o mundo através da Sua doutrina, não tendo conseguido, contudo, modificar o coração dos humanos.

 2 -A Mensagem de Jesus e a sua missão

O epiteto de Jesus mais significativo para nós, é Cristo, para todos nós, quer queiramos; quer não, independentemente da Sua doutrina, a religião cristã, somos portugueses e, Portugal é um dos países essencialmente cristão. Digo, essencialmente porque o cristianismo, quer queiramos quer não, repito, está intrínseco em nós, na nossa lei moral e jurídica, na nossa organização social e política, nos nossos costumes, na  nossa cultura, na nossa educação, nas nossas relações interpessoais, em suma, em toda a nossa “praxis” social e politica. Recapitulando, o epiteto mais significativo de Jesus (que significa o Salvador) é Cristo (que significa Messias), Jesus Cristo.
Jesus Cristo foi um profeta, o Messias,  foi entendido como a concretização de tudo o que o povo judeu tinha esperado.

Jesus veio para realizar a libertação do povo judeu e reunir toda a humanidade como uma família em que todos são chamados a viver como irmãos, repartindo entre si todas as coisas, em plena fraternidade.
Jesus Cristo mudou a história da humanidade mas não mudou as relações sociais como ele preconizou e a sociedade do seu tempo  esperava.

A sociedade pobre daquele tempo continua transposta no mundo de hoje sobe uma outra imagem, não deixando, contudo, de ser fria, dura, negra, destruidora, cruel e desumana, talvez mais desumana.
O contexto cultural, social e político em que Jesus viveu foi muito difícil: um país em guerra, um povo dividido e, infelizmente, continua em guerra com a interminável  ocupação  israelita na Palestina. A solidariedade com o povo palestiniano, o apoio à concretização dos seus direitos nacionais têm sido, durante tanto tempo, espezinhados.

Jesus está triste porque não se cumpriu a Sua mensagem.

"Dou-vos um  mandamento novo:
Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros."
João 13:34

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 Texto de - Zélia Chamusca
A continuar brevemente  em -  “Breves traços sobre a Palestina no tempo de Jesus”