domingo, 12 de setembro de 2021

Calaram-se as Vozes

  

                                                   Jorge Sampaio – “in memoriam”

                 

Calaram-se as vozes no silêncio do pensamento, momento que esperei para que minha alma pudesse falar.

Assisti, hoje, 12 de Setembro de 2021, via satélite, à homenagem  fúnebre a Jorge Sampaio, presidente da República Portuguesa, entre 9 de março de 1996 e 9 de março de 2006.

O que ouvi foi a transmissão duma imagem unânime transmitida por todos os quadrantes políticos e civis. Um homem que agradou a todos, enquanto pessoa, político, humanista e representante máximo do Estado Português.

Considerado homem de esquerda lidava com todos de igual modo, independentemente da sua forma de pensar e agir, quer fosse direita, centro ou esquerda, branco ou negro, todas as cores, nunca esquecendo os mais desfavorecidos. Era homem culto e educado, uma personalidade já muito rara, infelizmente invulgar, nos tempos de hoje, na sua forma de ser e de estar, aceitando sempre a diversidade do pensamento dos outros.

Cada um de nós é único, singular, e, esta singularidade em Jorge Sampaio refletida  na cultura, inteligência, senso e, sobretudo, no sentido humanista, deixa marcas  que o distingue na nossa democracia, a República Portuguesa,

 Ele sabia que é na diversidade que reside a perfeição.

Tudo o que disseram foi unânime, como referi no início deste texto, irrefutável, e, também eu confirmei, para mim, e, aqui manifesto, a imagem real, verdadeira e única que eu tinha deste Grande Homem, honesto, probo, altruísta e, sobretudo, humano, características que o definem como uma personalidade única.

De todo o exposto o que me tocou foi a mensagem de despedida dos seus  filhos,  Vera Ritta de Sampaio, André Ritta de Sampaio, pois, sei bem a dor que é perder um ente tão querido.

Mas, não sendo eu chorona, mesmo sentindo-me, agora, um pouco fragilizada (já está a passar…) o que me tocou mesmo e me fez brotar as lágrimas secas pela dor forte no meu peito foi o poema de Jorge de Sena, poema que eu desconhecia, dito e sentido pela grande atriz, aqui dizedora, Maria do Céu Guerra.

Não sei porque chorei…Mas este poema,"Uma pequenina luz", tocou o meu coração.

Voltando ao centro do exposto, Jorge Sampaio não morreu. Para seres como ele a morte não existe, apenas há uma transmutação.

 Jorge Sampaio continua vivo em espirito e continuará vivo para sempre enquanto existir a humanidade.

Ele nunca esquecerá os que necessitam e acreditam  -  Ouvir-vos-á, tenho a certeza.

Calaram-se as vozes; fica o pensamento.

                                                                                                        Zélia Chamusca

                                                                                                  

sábado, 10 de julho de 2021

sábado, 3 de julho de 2021

Hoje é o primeiro dia de verão de 2021

                                       



Verão? Quando ouvi noticiar que era o começo do verão nem me lembrava, pelo que estava a viver sem desfrutar do seu calor afagante que tempera o corpo e tranquiliza a alma, na encosta das fragas da montanha sagrada. Parece pleno inverno molhado e frio de inferno.

Verão sem sol, fonte de geração que tudo cria, dá vida, força e energia com a sua luz plena de alegria.

Nem me lembrava que era verão, repito, não o vejo; está escondido, como eu e muitos outros, na clausurada pandémica a que a ditadura da maldade humana nos obriga.

Fechei-me no confinamento fugida da peste, numa batalha psicológica e dura, fundamental para vencer os demónios sem rosto, devidamente identificados e, paradoxalmente, ignorados…

Confinei-me numa gruta fechada, tal eremita em permanente oração, esperando que de novo o sol se destape das nuvens negras, negras de água e fumo carregadas e, volte a brilhar para aquecer as fragas sagradas.

Eu e o sol em confinamento… Eu fechada na gruta sagrada e o sol fechado nas nuvens negras do inverno negro e triste de inferno…

O sol, fonte geradora e criadora, descobrir-se-á para voltar a iluminar e aquecer toda a natureza.

E eu continuarei a ser brindada com a luz dentro de mim iluminando o corpo e a alma e, todos nós, pelo sol revigorados, venceremos!

                                                                                                Zélia Chamusca

                                                                                                   21-06-2021

                                                                          

 

                                    

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Reciprocidade

 



            


             Estou sempre contigo

Seja em que lugar for

Trago-te sempre comigo

Pois és o meu amor.

 

Sou parcela de ti

E indivíduo eu continuando

Contigo me fundi

Neste permanente a ti me dando.

 

Sendo eu parte de ti

Como estás tu no meu peito?

Eu nunca compreendi

Este amor tão sem jeito:

 

É que estando tu sempre comigo

Eu não posso deixar de estar

 

          Sempre contigo!

 

                        Zélia Chamusca

                            

sábado, 29 de maio de 2021

“Tempus Fugit”

 




     

       No tempo que me fugiu

Correndo eu me cansei

Atrás dele tropecei

Na vida que me iludiu

E quanto mais eu corria

Mais o tempo me fugia

O que nem sequer eu via.

 

Eu queria encontrar

No trabalho a Perfeição

Mas foi tal a ilusão

Na vida feita a sonhar

Não me deixando parar

P’ra num instante pensar

Que iria eu encontrar?...

 

No tempo que já perdi

E que gastei a correr

Afinal fui esquecer

Tudo aquilo que aprendi

No muito que estudei

Na Filosofia que pensei

Felicidade encontrei.

 

A busca da Perfeição

Conseguirei alcançar

Quando no tempo parar

P’ra lenta meditação

Pois no contínuo correr

Corro o risco de perder

A essência do meu Ser.

               «»

                  

Poema de  -    Zélia Chamusca


domingo, 25 de abril de 2021

Em 25 de Abril de 2021

 

Hoje enquanto tomava o pequeno almoço, assisti à abertura da Sessão Solene  da Comemoração do 25 de Abril, Dia da Liberdade.

Assim que comecei a ouvir o Hino Nacional desatei a chorar, de olhos secos, sem lágrimas. Secos pela dor forte, por amar tanto o meu País, Portugal, sem que este alguma vez me tivesse dado algo.

O meu amor a Portugal é incondicional. É assim o amor verdadeiro.

Não choram os meus olhos secos, mas chora o meu coração, ao ouvir o Hino Nacional.  Chora o meu coração, repito, repleto de amor pelo Deus Criador que faz brilhar o sol neste belo país, à beira mar, no Oceano Atlântico  onde a lua depõe o seu olhar, nestas águas transparentes, belas, azuis da cor do céu a brilhar.

Este Deus Criador, Deus/Natureza, Transcendência que tudo cria  e me criou dotando-me de força e determinação, inteligência e tenacidade, para ser o que quis ser e ter tudo e, talvez, ainda mais do que quis  ser e ter.

Os jovens de hoje, não sabem o bem que têm, e o tanto que lhes é proporcionado, exigindo ainda muito mais.

Os grandes Homens e Mulheres que eu conheci viveram antes deste célebre 25 de Abril e se tornaram Grandes com a sua força para vencer todas as vicissitudes.

Conheci-os bem de perto, e tanto me transmitiram… Transmitiram-me o saber e a cultura alimentando o meu espírito sequioso pelo ser e ter que consegui pelo trabalho honesto e força, alegria e vontade de vencer.

Venci!

                                                         Zélia Chamusca

                                                        25 de Abril de 2021

 

                                                         

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Hoje é o Dia da Arte

 


                                 


Hoje é o dia da arte


Podemos vê-la em qualquer parte


Ela surge inesperadamente

quando se sente

a beleza  ou a tristeza

a cor e o amor ou a dor

 

Ela nasce do sentimento

num simples momento

 

Podemos vê-la na rua

pura singela nua

sob o sol a brilhar

ou iluminada pelo luar

 

Podemos vê-la dentro de nós

quando brota do pensamento

e se transforma num simples momento

em forma física material

ou mesmo imaterial

 

Podemos vê-la com os sentidos

enquanto força espontânea

que do pensamento sai

e se expressa como num ai

ficando gravada no espírito da humanidade

elevando-se até à Eternidade.

                     «»

                   Zélia Chamusca

                                      4/15/2021