Texto e formatação de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google
POEMAS SÃO PÉTALAS DE FLORES VOGANDO NO RIO DO SENTIMENTO. FELIZES OS QUE AS APANHAM E SENTEM.
Verão?
Quando ouvi noticiar que era o começo do verão nem me lembrava, pelo que estava
a viver sem desfrutar do seu calor afagante que tempera o corpo e tranquiliza
a alma, na encosta das fragas da montanha sagrada. Parece pleno inverno molhado
e frio de inferno.
Verão
sem sol, fonte de geração que tudo cria, dá vida, força e energia com a sua luz
plena de alegria.
Nem
me lembrava que era verão, repito, não o vejo; está escondido, como eu e muitos
outros, na clausurada pandémica a que a ditadura da maldade humana nos obriga.
Fechei-me
no confinamento fugida da peste, numa batalha psicológica e dura, fundamental para
vencer os demónios sem rosto, devidamente identificados e, paradoxalmente,
ignorados…
Confinei-me
numa gruta fechada, tal eremita em permanente oração, esperando que de novo o
sol se destape das nuvens negras, negras de água e fumo carregadas e, volte a
brilhar para aquecer as fragas sagradas.
Eu e
o sol em confinamento… Eu fechada na gruta sagrada e o sol fechado nas nuvens
negras do inverno negro e triste de inferno…
O
sol, fonte geradora e criadora, descobrir-se-á para voltar a iluminar e aquecer
toda a natureza.
E eu
continuarei a ser brindada com a luz dentro de mim iluminando o corpo e a alma
e, todos nós, pelo sol revigorados, venceremos!
Zélia Chamusca
21-06-2021