domingo, 27 de novembro de 2022

Anda o mundo alienado

 

  



               

 Andam de cabeça baixa

 Debruçada no écran,

 Alienados duma faixa,

 São os homens de amanhã.   

 

Estão à mesa e não largam

Tal aparelho da mão;

Só comem e nunca falam

Não há comunicação.

 

Nem para o prato eles olham;

Só há olhos para o écran.

Os que estão à volta sobram

Na vida já oca, vã.

 

E quando se vão deitar

Lindos sonhos irão ter

Pois de manhã, ao acordar,

A seu lado o irão ver !...

 

Mas p´ra que serve o écran?

Claro que para jogar…

Numa vida que é tão vã

O que se pode esperar?

 

São os novos trogloditas

Dos tempos que hoje correm

Só vagas palavras ditas

Por vezes da boca saiem...

 

Anda o mundo alienado

Com seres tão aberrantes

Espalhados por todo o lado!

Já nada é como dantes…

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                   Zélia Chamusca

                          2022-11-15

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A cor do firmamento.

 



 




Cor do firmamento

É encantamento

É a mais bela cor

De imenso esplendor!...

 

É a cor das estrelas,

Olha para vê-las…

Cor tão reluzente

Que encanta a gente!…

 

É a cor dos céus

Pintados por Deus

Que no sonho existe

Mas tu, nunca viste…

             «»

             Zélia Chamusca

                   2011

Trata-se de uma:

 REDODILHA MENOR

 A redondilha menor (ou pentassílabo = verso de cinco sílabas) e a redondilha maior (ou heptassílabo = verso de sete sílabas) foram sempre usadas na poesia popular portuguesa desde os seus primórdios. Os poetas "eruditos" nunca as desdenharam.

 Camões cultivou-as com mestria: «Aquela cativa / que me tem cativo» (em redondilha menor) e «Perdigão perdeu a pena / não há mal que lhe não venha» (em redondilha maior) são disso exemplo.