
Por Zélia Chamusca
Ainda
estamos no Natal, cuja celebração decorrerá até 6 de Janeiro, dia dos Reis
Magos, que não eram reis mas, simplesmente, magos, adivinhos, astrólogos, que
profetizaram o nascimento de Jesus na cidade de Belém, na Judeia. Estes foram dar
a conhecer a Herodes o importante acontecimento profético que tiveram, bem como
a intenção de irem visitar o Menino, recém-nascido, Rei dos Judeus.
Logo
que Herodes soube da profética notícia, receando que o recém-nascido viesse a
ser um potencial usurpador do poder, pediu-lhes que o avisassem quando o
tivessem encontrado porque também lhe queria prestar homenagem.
Os
Magos partiram então, nos seus camelos, seguindo a Estrela do Oriente e,
finalmente, chegaram ao Egito.
“Quando entraram em casa viram o Menino com
sua Mãe, Maria. Ajoelharam-se diante d’Ele e prestaram-lhe homenagem….”(Mateus
2:11)
Presentearam-no
com ouro, incenso e mirra.
Estes
presentes, segundo a tradição daquele tempo, significam o reconhecimento da
realeza, divindade e plena humanidade.
Após
a visita, os Magos pensando numa possível má intenção de Herodes partiram por
outro caminho, diretamente, para suas casas.
Quando
Herodes soube que os Magos, guiados pela Estrela do Oriente encontraram o
Menino e partiram para suas casas não lhe tendo dito nada, ficou tão furioso
que mandou matar todas as crianças, com
idade inferior a dois anos, em Belém e povoações próximas.
A
matança dos inocentes, bem como o episódio da Estrela do Oriente e dos Magos, pertence
ao evangelho de S. Mateus. Nenhum outro apóstolo o descreve não sendo por isso
considerado verdadeiro. Na lógica da investigação histórica diz-se que «testis unus testis nullus», um só
testemunho não serve de prova.
Dizem,
ainda, que a matança não foi significativa dado o pequeno número de habitantes
da aldeia de Belém e por isso não passou nos anais da história.
Mas,
na verdade é que temos conhecimento do episódio através do evangelista Mateus
como atrás referido.
Jesus
nasceu em Belém e Maria e José tendo
tido conhecimento da intenção de Herodes, através de sonho, fugiram com o
Menino para Jerusalém salvando-o da crueldade de Herodes que receava perder
poder, pois as profecias diziam que ele era o Rei dos Judeus, como atrás referido.
Só
voltaram à Palestina após a morte de Herodes tendo José tido conhecimento
através de sonho.
Jesus
nasceu e viveu na antiga Judeia, Palestina sob a ocupação romana, num contexto
social cultural e político muito difícil. Um país em guerra, fome e pobreza
extrema, agravado por lutas internas, corrupção económica, etc.
Hoje,
há já 2021 anos passados, o povo judeu não saiu da miséria envolvido
permanentemente em lutas internas e, desde 1948 na maior destruição e sofrimento motivados pela ocupação do Estado de Israel, na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
Jesus,
Mensageiro de Deus, veio ao mundo para realizar a libertação e salvação do povo
Judeu, através do estabelecimento da Nova Aliança, o Reino de Deus. Jesus
Cristo é expressão dessa Aliança entre Deus e os homens.
Deus
queria reunir toda a humanidade como uma família em que todos fossem chamados a
viver como irmãos, repartindo entre si todos os bens da Terra.
É a
esta partilha e fraternidade que se chama a Nova Aliança, o Reino de Deus.
Poderemos
entender aqui, a ação desenvolvida por Jesus num contexto de luta de classes em
que a exploração do humano era, na altura, evidente e, infelizmente, assim continua
em todo o mundo.
Continua
a exploração humana movida pela mesma força – a força do Poder Económico que predomina
sobrepondo-se a todos os poderes.
A
matança dos inocentes já não visa, apenas, as crianças até aos dois anos de
idade, mas todos indiscriminadamente, sendo alguns, que tendo nascido há mais
tempo, a que chamam velhos ou idosos, considerados alvos a abater. Estes muito
trabalharam para que os seus filhos e a sociedade atual usufruíssem de
privilégios que eles nunca usufruíram, e, tanto contribuíram para agora virem a
ser estigmatizados pela idade sendo tratados como farrapos por esta mesma
sociedade.
Toda
e qualquer ocupação ou guerra é movida pela força do poder económico.
A ocupação
não é apenas na Palestina é, agora, total, é em todo o planeta Terra onde a
mesma força, o Poder Económico, que dizem ser um inimigo sem rosto, de que não
se fala, não se sabe quem move esta
Grande Guerra Mundial.
Hoje,
já não é apenas a matança dos inocentes que foram tão poucos que por esse
motivo apenas o apóstolo Mateus nos relata o episódio e se refere ao poder de
Herodes; hoje, repito, ninguém fala, nem sabe quem é o inimigo sem rosto que
gerou esta guerra económica/biológica que atinge, sem dar tréguas, todo o
planeta Terra em que estamos a viver.
Ninguém
fala no Poder Económico que se sobrepõe a todos os poderes e em especial ao
Poder Politico.
Os
governos limitam-se ao primordial; o empenho na luta contra o possível sufoco
provocado pela subserviência económica, salvando vidas nunca descurando o
aspeto económico.
Não
se combate o inimigo aniquilando-o, não. É uma força misteriosa que, com
asinhas nos pés, ataca silenciosamente, pela calada da noite e, como tal,
ninguém conhece. Transcende todo o poder político como sendo uma aceitação pela
fé, sendo um dogma.
Esta
força misteriosa, o poder económico, que mata no mundo milhões de inocentes
todos os dias, parecendo querer destruir a humanidade, irá permanecer entre nós
até à consumação total.
Restarão,
apenas, os donos do mundo e os que trabalham para eles mantendo o funcionamento
do sistema económico/capitalista. Como se isso fosse possível…
Estes,
os que trabalham, ficarão à espera, “ad aeternum”,do milagre, não das rosas, mas,
do Reino de Deus em que os bens da Terra sejam partilhados por todos.
Como
atrás referido, Deus queria reunir toda a humanidade como uma família em que
todos são chamados a viver como
irmãos, repartindo entre si todos os bens da Terra.
É a
esta partilha e fraternidade que se chama o Reino de Deus.
Jesus veio ensinar-nos o caminho para lá
chegarmos através da mensagem que nos deixou:
“Dou-vos um mandamento novo: Amai-vos uns aos outros. Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos
outros” (Jo 13.35)
Zélia Chamusca
Bibliografia:
Novo Testamento, Paulus Editora, 2015.