sábado, 29 de maio de 2021

“Tempus Fugit”

 




     

       No tempo que me fugiu

Correndo eu me cansei

Atrás dele tropecei

Na vida que me iludiu

E quanto mais eu corria

Mais o tempo me fugia

O que nem sequer eu via.

 

Eu queria encontrar

No trabalho a Perfeição

Mas foi tal a ilusão

Na vida feita a sonhar

Não me deixando parar

P’ra num instante pensar

Que iria eu encontrar?...

 

No tempo que já perdi

E que gastei a correr

Afinal fui esquecer

Tudo aquilo que aprendi

No muito que estudei

Na Filosofia que pensei

Felicidade encontrei.

 

A busca da Perfeição

Conseguirei alcançar

Quando no tempo parar

P’ra lenta meditação

Pois no contínuo correr

Corro o risco de perder

A essência do meu Ser.

               «»

                  

Poema de  -    Zélia Chamusca


domingo, 25 de abril de 2021

Em 25 de Abril de 2021

 

Hoje enquanto tomava o pequeno almoço, assisti à abertura da Sessão Solene  da Comemoração do 25 de Abril, Dia da Liberdade.

Assim que comecei a ouvir o Hino Nacional desatei a chorar, de olhos secos, sem lágrimas. Secos pela dor forte, por amar tanto o meu País, Portugal, sem que este alguma vez me tivesse dado algo.

O meu amor a Portugal é incondicional. É assim o amor verdadeiro.

Não choram os meus olhos secos, mas chora o meu coração, ao ouvir o Hino Nacional.  Chora o meu coração, repito, repleto de amor pelo Deus Criador que faz brilhar o sol neste belo país, à beira mar, no Oceano Atlântico  onde a lua depõe o seu olhar, nestas águas transparentes, belas, azuis da cor do céu a brilhar.

Este Deus Criador, Deus/Natureza, Transcendência que tudo cria  e me criou dotando-me de força e determinação, inteligência e tenacidade, para ser o que quis ser e ter tudo e, talvez, ainda mais do que quis  ser e ter.

Os jovens de hoje, não sabem o bem que têm, e o tanto que lhes é proporcionado, exigindo ainda muito mais.

Os grandes Homens e Mulheres que eu conheci viveram antes deste célebre 25 de Abril e se tornaram Grandes com a sua força para vencer todas as vicissitudes.

Conheci-os bem de perto, e tanto me transmitiram… Transmitiram-me o saber e a cultura alimentando o meu espírito sequioso pelo ser e ter que consegui pelo trabalho honesto e força, alegria e vontade de vencer.

Venci!

                                                         Zélia Chamusca

                                                        25 de Abril de 2021

 

                                                         

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Hoje é o Dia da Arte

 


                                 


Hoje é o dia da arte


Podemos vê-la em qualquer parte


Ela surge inesperadamente

quando se sente

a beleza  ou a tristeza

a cor e o amor ou a dor

 

Ela nasce do sentimento

num simples momento

 

Podemos vê-la na rua

pura singela nua

sob o sol a brilhar

ou iluminada pelo luar

 

Podemos vê-la dentro de nós

quando brota do pensamento

e se transforma num simples momento

em forma física material

ou mesmo imaterial

 

Podemos vê-la com os sentidos

enquanto força espontânea

que do pensamento sai

e se expressa como num ai

ficando gravada no espírito da humanidade

elevando-se até à Eternidade.

                     «»

                   Zélia Chamusca

                                      4/15/2021 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Dentro de casa com trancas fechadas

 

Gasta-se a vida sumida, e não volta,

Na angústia permanente que se sente…

Tamanho é o medo e grande a revolta!

Tão longe… Afastada… De tudo ausente…

 

Voam pelos ares, enfurecidos,

Disseminando a pandémica peste!

São demónios sem rosto, enraivecidos!

Para que no mundo nada mais reste!

 

Dentro de casa com trancas fechadas

Fugindo ao terror de mentes malvadas!

Almas penadas não têm perdão!

 

Lançam no mundo tão cruel maldade

Para exterminar a humanidade!

Demónios sem rosto; cobardes são!

                          «»

                      Poema de -      Zélia Chamusca

                               

 

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Está negro o inverno

 


 


Está negro o dia

de inverno frio

triste e gelado,

pela chuva molhado…

 

Está negra a natureza

de troncos nus, despida,

seca,  ressequida,

desfolhada,

de gelo salpicada

à espera do sol

para se aquecer

e poder reflorescer.

 

Está negra 

a natureza humana doente

por tanta dor  que sente

neste mundo cruel,

feroz, que dói

mata e destrói.

 

Tudo é sofrimento

e  tormento

neste inverno

de inferno

em que o amor sumiu

nas brumas negras

da tempestade demoníaca

das almas penadas,

amaldiçoadas…

      «»

                Zélia Chamusca

                      2021-01-21

domingo, 10 de janeiro de 2021

Oh! Que ditosa ignorância!

    

       


Muito pouca inteligência

Eu vejo em cada dia

Chego a pensar que é demência

Consequência da pandemia


Não sei bem, seja o que for

Da pandemia ou não

Apenas me resta a dor

Que trago no coração.


Oh! Que ditosa ignorância

Perdida em convencimento!

Só ages pela ganância

Sem qualquer merecimento!

              


                            Zélia Chamusca

                                2020-12-17

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A Matança dos Inocentes

                                

Por Zélia Chamusca


Ainda estamos no Natal, cuja celebração decorrerá até 6 de Janeiro, dia dos Reis Magos, que não eram reis mas, simplesmente, magos, adivinhos, astrólogos, que profetizaram o nascimento de Jesus na cidade de Belém, na Judeia. Estes foram dar a conhecer a Herodes o importante acontecimento profético que tiveram, bem como a intenção de irem visitar o Menino, recém-nascido, Rei dos Judeus.

Logo que Herodes soube da profética notícia, receando que o recém-nascido viesse a ser um potencial usurpador do poder, pediu-lhes que o avisassem quando o tivessem encontrado porque também lhe queria prestar homenagem.

Os Magos partiram então, nos seus camelos, seguindo a Estrela do Oriente e, finalmente, chegaram ao Egito.

Quando entraram em casa viram o Menino com sua Mãe, Maria. Ajoelharam-se diante d’Ele e prestaram-lhe homenagem….”(Mateus 2:11)

Presentearam-no com ouro, incenso e mirra.

Estes presentes, segundo a tradição daquele tempo, significam o reconhecimento da realeza, divindade e plena humanidade.

Após a visita, os Magos pensando numa possível má intenção de Herodes partiram por outro caminho, diretamente, para suas casas.

Quando Herodes soube que os Magos, guiados pela Estrela do Oriente encontraram o Menino e partiram para suas casas não lhe tendo dito nada, ficou tão furioso que mandou matar todas as crianças, com  idade inferior a dois anos, em Belém e povoações próximas.

A matança dos inocentes, bem como o episódio da Estrela do Oriente e dos Magos, pertence ao evangelho de S. Mateus. Nenhum outro apóstolo o descreve não sendo por isso considerado verdadeiro. Na lógica da investigação histórica diz-se que «testis unus testis nullus», um só testemunho não serve de prova.

Dizem, ainda, que a matança não foi significativa dado o pequeno número de habitantes da aldeia de Belém e por isso não passou nos anais da história.

Mas, na verdade é que temos conhecimento do episódio através do evangelista Mateus como atrás referido.

Jesus nasceu  em Belém e Maria e José tendo tido conhecimento da intenção de Herodes, através de sonho, fugiram com o Menino para Jerusalém salvando-o da crueldade de Herodes que receava perder poder, pois as profecias diziam que ele era o Rei dos Judeus, como atrás referido.

Só voltaram à Palestina após a morte de Herodes tendo José tido conhecimento através de sonho.

Jesus nasceu e viveu na antiga Judeia, Palestina sob a ocupação romana, num contexto social cultural e político muito difícil. Um país em guerra, fome e pobreza extrema, agravado por lutas internas, corrupção económica, etc.

Hoje, há já 2021 anos passados, o povo judeu não saiu da miséria envolvido permanentemente  em lutas internas e,  desde 1948  na maior destruição e sofrimento  motivados pela ocupação  do Estado de Israel, na Cisjordânia e  Faixa de Gaza.

Jesus, Mensageiro de Deus, veio ao mundo para realizar a libertação e salvação do povo Judeu, através do estabelecimento da Nova Aliança, o Reino de Deus. Jesus Cristo é expressão dessa Aliança entre Deus e os homens.

Deus queria reunir toda a humanidade como uma família em que todos fossem chamados a viver como irmãos, repartindo entre si todos os bens da Terra.

É a esta partilha e fraternidade que se chama a Nova Aliança, o Reino de Deus.

Poderemos entender aqui, a ação desenvolvida por Jesus num contexto de luta de classes em que a exploração do humano era, na altura, evidente e, infelizmente, assim continua em todo o mundo.

Continua a exploração humana movida pela mesma força – a força do Poder Económico que predomina sobrepondo-se a todos os poderes.

A matança dos inocentes já não visa, apenas, as crianças até aos dois anos de idade, mas todos indiscriminadamente, sendo alguns, que tendo nascido há mais tempo, a que chamam velhos ou idosos, considerados alvos a abater. Estes muito trabalharam para que os seus filhos e a sociedade atual usufruíssem de privilégios que eles nunca usufruíram, e, tanto contribuíram para agora virem a ser  estigmatizados pela idade  sendo tratados como farrapos por esta mesma sociedade.

Toda e qualquer ocupação ou guerra é movida pela força do poder económico.

A ocupação não é apenas na Palestina é, agora, total, é em todo o planeta Terra onde a mesma força, o Poder Económico, que dizem ser um inimigo sem rosto, de que não se fala, não se sabe quem  move esta Grande Guerra Mundial.

Hoje, já não é apenas a matança dos inocentes que foram tão poucos que por esse motivo apenas o apóstolo Mateus nos relata o episódio e se refere ao poder de Herodes; hoje, repito, ninguém fala, nem sabe quem é o inimigo sem rosto que gerou esta guerra económica/biológica que atinge, sem dar tréguas, todo o planeta Terra em que estamos a viver.

Ninguém fala no Poder Económico que se sobrepõe a todos os poderes e em especial ao Poder Politico.

Os governos limitam-se ao primordial; o empenho na luta contra o possível sufoco provocado pela subserviência económica, salvando vidas nunca descurando o aspeto económico.

Não se combate o inimigo aniquilando-o, não. É uma força misteriosa que, com asinhas nos pés, ataca silenciosamente, pela calada da noite e, como tal, ninguém conhece. Transcende todo o poder político como sendo uma aceitação pela fé, sendo um dogma.

Esta força misteriosa, o poder económico, que mata no mundo milhões de inocentes todos os dias, parecendo querer destruir a humanidade, irá permanecer entre nós até à consumação total.

Restarão, apenas, os donos do mundo e os que trabalham para eles mantendo o funcionamento do sistema económico/capitalista. Como se isso fosse possível…

Estes, os que trabalham, ficarão à espera, “ad aeternum”,do milagre, não das rosas, mas, do Reino de Deus em que os bens da Terra sejam partilhados por todos.

Como atrás referido, Deus queria reunir toda a humanidade como uma família em que todos são chamados a viver como irmãos, repartindo entre si todos os bens da Terra.

É a esta partilha e fraternidade que se chama o Reino de Deus.

Jesus veio ensinar-nos o caminho para lá chegarmos através da mensagem que nos deixou:

Dou-vos um mandamento novo: Amai-vos uns aos outros. Assim como Eu  vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13.35)                                          

                                                             Zélia Chamusca                               


Bibliografia: Novo Testamento, Paulus Editora, 2015.