segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A Matança dos Inocentes

                                

Por Zélia Chamusca


Ainda estamos no Natal, cuja celebração decorrerá até 6 de Janeiro, dia dos Reis Magos, que não eram reis mas, simplesmente, magos, adivinhos, astrólogos, que profetizaram o nascimento de Jesus na cidade de Belém, na Judeia. Estes foram dar a conhecer a Herodes o importante acontecimento profético que tiveram, bem como a intenção de irem visitar o Menino, recém-nascido, Rei dos Judeus.

Logo que Herodes soube da profética notícia, receando que o recém-nascido viesse a ser um potencial usurpador do poder, pediu-lhes que o avisassem quando o tivessem encontrado porque também lhe queria prestar homenagem.

Os Magos partiram então, nos seus camelos, seguindo a Estrela do Oriente e, finalmente, chegaram ao Egito.

Quando entraram em casa viram o Menino com sua Mãe, Maria. Ajoelharam-se diante d’Ele e prestaram-lhe homenagem….”(Mateus 2:11)

Presentearam-no com ouro, incenso e mirra.

Estes presentes, segundo a tradição daquele tempo, significam o reconhecimento da realeza, divindade e plena humanidade.

Após a visita, os Magos pensando numa possível má intenção de Herodes partiram por outro caminho, diretamente, para suas casas.

Quando Herodes soube que os Magos, guiados pela Estrela do Oriente encontraram o Menino e partiram para suas casas não lhe tendo dito nada, ficou tão furioso que mandou matar todas as crianças, com  idade inferior a dois anos, em Belém e povoações próximas.

A matança dos inocentes, bem como o episódio da Estrela do Oriente e dos Magos, pertence ao evangelho de S. Mateus. Nenhum outro apóstolo o descreve não sendo por isso considerado verdadeiro. Na lógica da investigação histórica diz-se que «testis unus testis nullus», um só testemunho não serve de prova.

Dizem, ainda, que a matança não foi significativa dado o pequeno número de habitantes da aldeia de Belém e por isso não passou nos anais da história.

Mas, na verdade é que temos conhecimento do episódio através do evangelista Mateus como atrás referido.

Jesus nasceu  em Belém e Maria e José tendo tido conhecimento da intenção de Herodes, através de sonho, fugiram com o Menino para Jerusalém salvando-o da crueldade de Herodes que receava perder poder, pois as profecias diziam que ele era o Rei dos Judeus, como atrás referido.

Só voltaram à Palestina após a morte de Herodes tendo José tido conhecimento através de sonho.

Jesus nasceu e viveu na antiga Judeia, Palestina sob a ocupação romana, num contexto social cultural e político muito difícil. Um país em guerra, fome e pobreza extrema, agravado por lutas internas, corrupção económica, etc.

Hoje, há já 2021 anos passados, o povo judeu não saiu da miséria envolvido permanentemente  em lutas internas e,  desde 1948  na maior destruição e sofrimento  motivados pela ocupação  do Estado de Israel, na Cisjordânia e  Faixa de Gaza.

Jesus, Mensageiro de Deus, veio ao mundo para realizar a libertação e salvação do povo Judeu, através do estabelecimento da Nova Aliança, o Reino de Deus. Jesus Cristo é expressão dessa Aliança entre Deus e os homens.

Deus queria reunir toda a humanidade como uma família em que todos fossem chamados a viver como irmãos, repartindo entre si todos os bens da Terra.

É a esta partilha e fraternidade que se chama a Nova Aliança, o Reino de Deus.

Poderemos entender aqui, a ação desenvolvida por Jesus num contexto de luta de classes em que a exploração do humano era, na altura, evidente e, infelizmente, assim continua em todo o mundo.

Continua a exploração humana movida pela mesma força – a força do Poder Económico que predomina sobrepondo-se a todos os poderes.

A matança dos inocentes já não visa, apenas, as crianças até aos dois anos de idade, mas todos indiscriminadamente, sendo alguns, que tendo nascido há mais tempo, a que chamam velhos ou idosos, considerados alvos a abater. Estes muito trabalharam para que os seus filhos e a sociedade atual usufruíssem de privilégios que eles nunca usufruíram, e, tanto contribuíram para agora virem a ser  estigmatizados pela idade  sendo tratados como farrapos por esta mesma sociedade.

Toda e qualquer ocupação ou guerra é movida pela força do poder económico.

A ocupação não é apenas na Palestina é, agora, total, é em todo o planeta Terra onde a mesma força, o Poder Económico, que dizem ser um inimigo sem rosto, de que não se fala, não se sabe quem  move esta Grande Guerra Mundial.

Hoje, já não é apenas a matança dos inocentes que foram tão poucos que por esse motivo apenas o apóstolo Mateus nos relata o episódio e se refere ao poder de Herodes; hoje, repito, ninguém fala, nem sabe quem é o inimigo sem rosto que gerou esta guerra económica/biológica que atinge, sem dar tréguas, todo o planeta Terra em que estamos a viver.

Ninguém fala no Poder Económico que se sobrepõe a todos os poderes e em especial ao Poder Politico.

Os governos limitam-se ao primordial; o empenho na luta contra o possível sufoco provocado pela subserviência económica, salvando vidas nunca descurando o aspeto económico.

Não se combate o inimigo aniquilando-o, não. É uma força misteriosa que, com asinhas nos pés, ataca silenciosamente, pela calada da noite e, como tal, ninguém conhece. Transcende todo o poder político como sendo uma aceitação pela fé, sendo um dogma.

Esta força misteriosa, o poder económico, que mata no mundo milhões de inocentes todos os dias, parecendo querer destruir a humanidade, irá permanecer entre nós até à consumação total.

Restarão, apenas, os donos do mundo e os que trabalham para eles mantendo o funcionamento do sistema económico/capitalista. Como se isso fosse possível…

Estes, os que trabalham, ficarão à espera, “ad aeternum”,do milagre, não das rosas, mas, do Reino de Deus em que os bens da Terra sejam partilhados por todos.

Como atrás referido, Deus queria reunir toda a humanidade como uma família em que todos são chamados a viver como irmãos, repartindo entre si todos os bens da Terra.

É a esta partilha e fraternidade que se chama o Reino de Deus.

Jesus veio ensinar-nos o caminho para lá chegarmos através da mensagem que nos deixou:

Dou-vos um mandamento novo: Amai-vos uns aos outros. Assim como Eu  vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13.35)                                          

                                                             Zélia Chamusca                               


Bibliografia: Novo Testamento, Paulus Editora, 2015.                                                                             

2 comentários:

silvioafonso disse...

É uma honra ter o meu nome
na sua página, Chamusca.
Um beijo e parabéns pelo
trabalho.

Zélia Chamusca disse...

Olá, Amigo, Silvio Afonso,
Só agora vejo o seu comentário que muito agradeço.
Diga-me: Chama-se Chamusca? Como se chama?
Abraço fraterno,

Zélia Chamusca

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