quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Paradoxo da Identidade

                                      

                                                          
                                                       Por Zélia Chamusca

O que, fundamentalmente, identifica um individuo é a sua identidade genética e cultural.
Porém, há uma obsessão generalizada nas pessoas, algumas das quais instruídas,  que as leva a entender que, o que identifica o individuo é, paradoxalmente, a idade, a data do nascimento, conduzindo este facto à discriminação etária erroneamente  deturpada sobre os valores e as capacidades dos indivíduos que já vivem há mais tempo e, consequentemente, com mais conhecimento e experiência de vida.
Um quarentão, que há trinta anos era considerado velho e ultrapassado, hoje, dizem ser um jovem.  Ora, se assim é, porquê considerar um individuo de setenta anos velho? Se com quarenta anos  é ser jovem aos setenta é ser maduro, na plenitude do conhecimento, da experiência e do saber.
Será ou não?
Identifica-se, erroneamente, um individuo da classe etária dos sessenta e setenta anos como um ignorante por desconhecer as novas tecnologias ou se as conhece,  já ter sido (pensam)  ultrapassado, pois  que, as crianças  de tenra idade, tomam conhecimento  destes meios de comunicação e de trabalho, para elas, simplesmente, instrumento lúdico de jogos que lhes permite um desenvolvimento cognitivo mais rápido.
Há quarenta anos já existia a informática como instrumento de trabalho nas grandes empresas, embora de forma não generalizada, o que foi acontecendo, gradualmente, até hoje .
Ora, ao longo destes quarentas anos que poderemos dizer de implementação da informática nas empresas, estes agora sessentões e setentões  adquiriram formação nesta área.
Logo, o que identifica a pessoa não é a idade mas a profissão  e a formação ao longo da vida, a cultura, a instrução, o meio, e, fundamentalmente, a genética. Sim, porque  nem todos os indivíduos tiveram o privilégio de terem trabalhado em empresas informatizadas tendo tido como instrumento de trabalho um computador. Claro que não. Um operário da construção civil ou um varredor da rua, cuja missão social é tão útil  e imprescindível como outra qualquer, não desenvolveu a sua atividade profissional através da informática.
Assim, há muitas pessoas de sessenta e setenta anos que desconhecem as novas tecnologias mas não por causa da idade, mas sim porque não tiveram formação nesta área, por vários motivos que não vou, aqui, exemplificar.  Há ainda muitos outros, com mais de oitenta anos e até mesmo noventa, que dominam as novas tecnologias  não porque as tenham  utilizado na sua atividade profissional mas, simplesmente, porque obtiveram formação nesta área.
Estes indivíduos são geralmente pessoas esclarecidas, cultas, inteligentes e que têm “know-haw”  muito mais elevado do que  muitos dos ditos quarentões.
A vida é uma aprendizagem permanente e estes indivíduos já tiveram mais tempo para aprender, para por em prática o seu saber e transmiti-lo aos mais novos.
Será ou não?
Porquê  se convencem os quarentões, já por si convencidos,e o transmitem aos seus filhos de que os de setenta, oitenta e até mesmo de noventa anos (conheço  pessoas que ultrapassaram os noventa e perfeitamente ativas, lúcidas e a trabalhar)  estão ultrapassados, velhos e ignorantes?
Com efeito, a generalidade  poderá estar envelhecida e ultrapassada, mas, nunca pela idade, mas sim pela cultura, pelo que foi ao longo da sua vida, pelo papel que teve na sociedade.
Estes são os pais de muitos dos quarentões atuais a quem estes muito devem pelo contributo que prestaram à sociedade e, fundamentalmente, a conquista de melhores condições de vida que  conseguiram proporcionar aos seus filhos.
Ainda, convém clarificar que quando se fala de reformado alude-se ao pobre de reforma mínima para a qual nem descontou, não contribuiu, e que na verdade não é reforma mas sim um benefício prestado pelo Estado pago com os nossos dinheiros, com os dinheiros públicos, diferentemente do que acontece com o trabalhador que tem uma carreira contributiva de quarenta e até de cinquenta anos, (bem como a sua entidade patronal que também descontou para o seu trabalhador) para que tivesse aos sessenta e cinco anos a sua reforma que lhe permitisse uma vida digna e merecedora  destes fundos, reforma, repito,  fruto do seu trabalho.
Mas, continuando, quando se fala em reformado  alude-se ao pobrezinho, doente velho, etc., etc.
É erróneo entender que reformado é velho, é peso da sociedade, é indefeso, é alvo a abater, é ninguém!
Porque é que, então, existem reformados com pensões chorudas, as ditas douradas?
A estes não chamam velhos, pois não? Nós conhecemos muitos deles. Alguns até desempenham lugares de cúpula na sociedade.
Estes não são velhos nem reformados, embora alguns até tenham mais do que uma reforma, o que não é permitido ao cidadão comum, não sei porquê. Estes não são reformados nem velhos, pois não?
Está certo. Isto corrobora o que pretendo dizer:
Não são os sessenta, setenta, oitenta anos que definem o indivíduo que é único, singular, mas o seu “status social” e, fundamentalmente, a sua cultura e instrução e, sobretudo, a sua genética individual.
Porquê discriminar as pessoas, normalmente acima dos sessenta anos, e, especialmente  definindo-os como reformados, utilizando o termo reformado na maioria das vezes pejorativamente?
Porquê se temos sido e continuamos a ser geridos por alguns reformados?
Não, estes não merecem  ser discriminados…
Discriminado é o pobre reformado que na maioria dos casos, repito, nem é reformado mas pensionista de pensão mínima para a qual nem descontou.
Estes e todos os outros que auferem reformas maiores para as quais descontaram, que é o seu dinheiro e não despesa do Estado como alguns insensatos e sem moral pretendem convencer os mais ingénuos ao ponto de provocarem conflito de gerações contra os que são,  pejorativa e paradoxalmente, identificados como reformados. Estes merecem todo o nosso respeito pelo que fizeram na vida, pelo seu contributo prestado à sociedade, pelo que foram e continuam a ser, pois muitos deles continuam a prestar serviço bastante útil à comunidade.
Estas pessoas, estes indivíduos merecem todo o respeito da sociedade.
São pessoas de enorme beleza moral e física, havendo novos velhos e feios e entre  estes que dizem ser velhos há tanta beleza de alma, educação, elegância e cultura, uns verdadeiros senhores.
Acrescento, ainda, são estes os que tanto contribuíram para a sociedade democrática que hoje vivemos e que não devemos, de modo algum, deixar destruir.
Os indivíduos que agora têm setenta, oitenta e noventa anos, merecem todo o nosso respeito.
Seria bom que refletíssemos sobre os nossos conceitos e preconceitos  generalizados.

                                                                               Zélia Chamusca
                                                     


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Este aumento é provisório








 




Aumentaram o ordenado
Ao pobre do coitado!
Fica o pobre afortunado
Já da miséria é tirado!

Nem dá para meio café
Vai ter que aguentar de pé
E já é grande tal banzé
Que não entendo porque isto é?!

Este aumento é provisório!
Até parece irrisório
Porque de tão ilusório…
Tomar café é finório!

Vai voltar ao anterior,
Não pode ser superior…
Nas empresas é um horror…
Da insolvência o terror!

E a competitividade
Deixa de ser realidade
Assusta a Comunidade…
Isto é mesmo de verdade?
  
Eu não consigo entender
Isto que está a acontecer…
Como é possível haver
Quem faz o pobre sofrer?

Porque é que só vem o mal
Para o nosso Portugal?
Porque na Europa, afinal,
Tudo é, assim, tão desigual?

Ora, vê bem o que isto é,
Não te cales nunca Zé,
Tens que fazer finca pé
P’ra lhes mostrares como é!

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Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Apenas Um Poema


 
 
Hoje,
Quero escrever
Um poema,
Apenas, um poema,
Simples poema,
Sem qualquer dilema,
Apenas, com tema,
Simples lema.

Um poema
Só por si,
Em si
E para si.

Um poema
Existência  imaterial,
Não transcendental,
Mas fundamental
Em mim
E, para mim.

E, quando o ler
Sentir o prazer
De ver
O que um poema
Pode ser
E dizer.

Apenas, um poema…

             «»
             

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -Google

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O livro que não escrevi




No amor o prazer e a dor é presente
Num todo completo, indissociável,
No coração daquele que ama e sente.
É sentimento sublime e louvável.

Consta no livro que eu nunca escrevi
O sentimento de amor e paixão,
Em que minha alma para vós abri
Com a transparência do coração.

Escrito com linguagem de abertura,
Clara, límpida, transparente e pura,
O puro sentimento num trio em mim

Que ficará p’ra sempre perpetuado
Num belo livro por mim cinzelado
De mil folhas de âmbar e de marfim!...

                   
                           Zélia Chamusca
      

Poema de- Zélia Chamusca
Da obra - Um Outro Olhar
A publicar

Fonte de imagem - Google

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

São Lágrimas










São lágrimas secas
Que de meus olhos brotam;

São lágrimas saudosas
Que na saudade se esgotam;

São lágrimas doridas
Pela dor sofridas;

São lágrimas de recordação
Cravadas no coração;

São lágrimas disfarçadas
Em sorriso transformadas;

São lágrimas que o rosto irradia
Em alegre fantasia...

São lágrimas que alegram e inebriam,
E, com o éter da saudade
A alma tranquilizam
E repousam na Eternidade...
               «»
                 
                                  Zélia Chamusca

ISBN-978-989-51-1504-4


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O efémero sive eterno procurar























O percorrer da mente na busca do infinito
na consequente mudança de lugar
do trajecto
na procura do objecto
do amor e do amar,
assim é o ser humano
no seu eterno perguntar
enquanto ser
inacabado,
ser em vias de ser.

Este permanente perguntar
esgota-se no contínuo
efémero do procurar
na encruzilhada
do caminho,
da mudança
procurada,
em que se perde no caminhar.

O efémero é a vida
na sua mutabilidade
visando a eternidade.

O efémero é ideia ou conceito,
pensamento
que se transforma no tempo.

O efémero é o esgotar
o encontro do objecto do amor
e do amar.

Assim, o efémero
enquanto efémero
deixa de o ser
para se eternizar
na busca incessante
do ser humano
no desencontro de si próprio
à procura de se encontrar.
           «»

Da obra - PALAVRAS DA ALMA
Chiado Editora

sábado, 2 de agosto de 2014

PALAVRAS DA ALMA
















São palavras da alma
as que, aqui, expresso,
que brotam na calma
de cada meu verso.

Que fluem e saem
na espontaneidade,
no todo se expandem
para a Eternidade.

Ficam bem gravadas
em gentes dispersas
e ficam guardadas
em mentes diversas

Que pensam e reflectem
no sentido delas,
que sentem e entendem
o que dizem elas.
         «»

Poema constante do preâmbulo de PALAVRAS DA ALMA e que deu titulo à obra.
Chiado Editora