terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Preâmbulo


 Da obra  - A Poesia Brota do Pensamento e Flui na Sensibilidade
 
Ao falar de poesia não posso deixar de começar por fazer uma breve referência histórica e o seu significado relativamente a este género literário e artístico.
A poesia (do grego “poiesis”) significa processo criativo em forma de arte, e é em literatura uma forma de expressão artística, é arte em palavras enquanto expressão do sentimento, quer seja através da linguagem escrita ou falada.
Enquanto género literário manifesta-se, normalmente, em verso podendo também expressar-se em prosa.
Os textos literários poéticos definem-se em função do seu conteúdo dividindo-se em três categorias básicas, géneros ou formas, que tiveram origem na antiga Grécia e subsistem até aos nossos dias.
Estas três categorias básicas são:
 - O género lírico é uma forma poética em que o autor revela a sua sensibilidade no que concerne ao mais profundo do seu “eu lírico”, (entenda-se “eu lírico” como a voz da personagem criada pelo autor do poema e não a voz do próprio autor) extravasando sentimentos e emoções através duma expressão verbal ritmada e melodiosa.
Este género era cantado e recitado pelos “aedos”, poetas gregos da época primitiva, ao som da lira, (donde originou a palavra – lírico), o instrumento musical de cordas mais popular daquela época.
A “Poética” (ποιητική) de Aristóteles, que surgiu, provavelmente, entre os anos 335 e 323 a.C. é um conjunto de aulas em que ele nos fala deste género literário.
O género lírico perpetuou-se por vários estilos literários, atingindo a contemporaneidade e destacando-se, entre as várias formas, o soneto (em italiano Sonetto, pequena canção) que é de origem italiana e surgiu no século XII;
- O género épico é considerado a mais antiga manifestação literária, uma narrativa feita em verso relativa a acontecimentos grandiosos, históricos, lendários ou mitológicos e referentes à figura de um herói.
Homero (século IX ou VIII a.C.) foi o fundador da poesia épica, o maior e mais antigo dos poetas gregos a quem se atribui as obras-primas a “Ilíada” e a “Odisseia”.
A “Ilíada” descreve os acontecimentos da “Guerra de Tróia”, que teria ocorrido no século XIII a.C. e as aventuras entre os guerreiros gregos e troianos;
A “Odisseia” descreve a aventura do herói “Ulisses”, no seu regresso à ilha de Ítaca, após a Guerra de Tróia.
Mais tarde surgiram diversos autores épicos, entre eles, Virgílio (século I a.C.) que escreveu a "Eneida" onde narra a história de Roma desde a origem, o poder e a expansão do Império Romano. O nome desta obra tem origem em “Enéas” (ou Enéias), herói troiano sobrevivente da guerra de Tróia, e está relacionada com as façanhas e feitos realizados por este herói que sendo humano chegou a ser considerado por muitos como um semideus.
Muitos séculos depois surgiu, o grandioso épico, expoente máximo da literatura portuguesa, Luís Vaz de Camões (século XVI) que escreveu "Os Lusíadas” que ganharam diversas versões teatrais em diferentes épocas da história, tanto em Portugal como no Brasil.
Não posso deixar de referir que “Os Lusíadas”, não são apenas uma epopeia, são também lirismo do mais perfeito que poderemos encontrar em toda a literatura. Podemos orgulhar-nos de que, no mundo, nunca houve nenhum poeta tão grandioso como Camões no seu génio épico e lírico.
É de referir, também, no século XVII, o épico inglês John Milton com a obra “O Paraíso Perdido”;
- O género dramático, de drama, um acontecimento triste de grande intensidade emocional, é o género literário essencialmente concebido para representação teatral.
Estes géneros subdividem-se em vários estilos ou subgéneros de que não irei falar dado que pretendo, apenas, dar uma ideia sintética do que é a poesia enquanto género literário.
A poesia é por excelência a expressão teatral pela predominância da musicalidade das palavras e da estrutura do poema que proporcionam a facilidade de memorização.
Os gregos, inicialmente, abordavam, apenas, dois tipos de peças teatrais: a comédia e a tragédia tendo esta evoluído, mais tarde, para o drama que teve início com a encenação em cultos à divindade.
Algumas peças teatrais são bastante conhecidas e lidas ainda hoje, por serem marcos da dramaturgia da época que na altura eram escritas em versos de escrita rígida obedecendo a métrica.
Temos como exemplo as tragédias:
“Prometeu acorrentado” de Ésquilo; “Édipo-rei” e “Electra” de Sófocles; “Medeia” de Eurípedes.
Estes autores são de capital importância no teatro grego e hoje considerados expoentes máximos da dramaturgia grega, tendo sido estas quatro tragédias gregas de primordial importância dado que foram o embrião da filosofia antiga que, através de Sócrates e Platão, considerados os primeiros filósofos, norteou, até aos nossos dias, todo pensamento filosófico ocidental.
O género dramático é, como atrás referi, uma evolução da tragédia.
Temos como exemplo desta evolução:
A peça “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, foi escrita baseada num poema, de Artur Brooke, (poeta inglês, de quem pouco se sabe, sendo o único trabalho conhecido, A Trágica História de Romeu e Julieta, publicada em 1562), e chegou ao palco sob a forma dramática tendo recebido  outras personagens  e tramas;
Falar de poesia - A “Sexta Arte”, Literatura (palavra) - seria um nunca mais acabar.
Depois desta breve síntese do que é a poesia enquanto género literário, deixo-vos os meus poemas, a que me refiro no Posfácio desta obra, esperando que vos seja agradável oferecendo-vos momentos de leitura de perfeito prazer poético.
                                                                         Zélia Chamusca
 

Sem comentários:

Enviar um comentário