sábado, 4 de agosto de 2012

Apenas hoje



                                                

Apenas hoje,
Procurarei a felicidade
Na minha interioridade.

Apenas hoje,
Procurarei
Ajustar meus ensejos
À vida,
E, não a vida
A meus desejos.

Apenas hoje,
Pelo meu corpo olharei,
Dele cuidarei
Exercitando-o
E alimentando-o
Física e mentalmente.

Apenas hoje,
Fortalecerei
Meu espírito,
Através da meditação,
Do pensamento,
Da reflexão.

Apenas hoje,
Exercitarei
Minha alma
Ajudando alguém,
Praticando o bem.

Apenas hoje,
Serei agradável
Sendo a todos favorável,
Aceitando seus ideais
Como se aos meus
Fossem iguais.

Apenas hoje,
Viverei este dia
Com seu programa
Pleno de alegria,
Sem tentar resolver
Tudo o que terei que resolver.


Apenas hoje,
Reservarei,
Para mim, algum tempo
Em que repousarei
E reflectirei
No sentido da vida
E no de minha vida.

Apenas hoje,
Tentarei ser feliz
Sem olhar ao que o mundo diz,
Apenas, apreciar
Toda beleza
Que existe na Natureza…

Viver,
E, ser feliz!...

 

Da obra - PARTE  DE MIM
Autora - Zélia Chamusca
Edições Vieira da  Silva

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A FORÇA DENTRO DE MIM




                                              
A FORÇA DENTRO DE MIM  

           Zélia Chamusca             



Tanta coisa eu preciso,

Quero agarrar-me ao Nada,

Construir meu paraíso

E criar tudo do Nada.



Este Nada que é tudo

É princípio, meio e fim,

Este Nada é, sobretudo,

A força dentro de mim!

             «»



              


domingo, 29 de julho de 2012

TROVA VI


   















No sorriso enxugo as lágrimas

Que dentro do peito caiem,

Elas nascem na tristeza

E da dor forte elas saem.

                         Zélia Chamusca

quarta-feira, 25 de julho de 2012

No meio de tudo isto; não resisto...

                                                   

 
Trabalhei, estudei, sonhei e amei.

Toda a minha vida projetei

No sonho que com amor abracei

E que sempre concretizei.

E do tanto que conheci e aprendi

Não entende minha razão

A crueldade,

Nesta sociedade

Dominada pela ambição,

Que torna os ricos cada vez mais ricos

Quando tantos ficam sem pão!

 Trabalhei, e trabalharei

Sempre e no trabalho me realizarei.

O trabalho é a nossa manifestação

Enquanto seres humanos.

É a nossa participação

Na obra da criação.



Estudei e estudarei

Enquanto estiver, aqui, presente.

A vida é uma aprendizagem permanente,

Esta aprendizagem

É a finalidade primordial

À vida essencial.

É através da aprendizagem

Que nós evoluímos,

Progredimos,           

E podemos tornar-nos melhores

Para nós, para o próximo,

E mais úteis à sociedade

Percorrendo o caminho do Bem,

Do Amor e da Fraternidade.


Sonhei, sonho e sonharei

Sempre, mesmo quando penso

Que não mais sonharei…

É o sonho que comanda a vida.

É no sonho que criamos a nossa realidade.


Sonhei e todos os sonhos,

No que dependeu de mim, concretizei.

Porém, o sonho de viver numa sociedade

Onde existisse a igualdade

De oportunidade,

A solidariedade,

A fraternidade,

Este sonho ruiu…


Vivo numa sociedade

Em que só alguns têm oportunidades

Para viver, ser e crescer;


Vivo numa sociedade

De oportunismo

Num país tornado falido

Pelo capitalismo;


Vivo numa sociedade

Em que mataram a esperança,

O projecto de ser

E de querer ser;


Vivo numa sociedade

Em decadência moral;


Vivo numa sociedade

Dominada pelo Poder,

Pela ganância

Pelo mal!


Amei e amo em todas as vertentes

E tonalidades diferentes…

É o amor que dá vida à vida.

Ele é o êmbolo da vida.

É elemento vivificador.

Sem amor nada existe.

O Amor é princípio, meio e fim

De tudo.

Ele estará sempre presente em mim.


Mas, no meio de tudo isto;

Não resisto…


O amor se perdeu,

O egoísmo prevaleceu,

O capitalismo venceu…


Com todo o meu conhecimento,

Numa vida de já grande vivência

Feita de estudo e experiência,

Não vê minha consciência,

Falta-me  a clarividência…


Nunca tal sonhei, nem pensei,

Não entende minha razão

A razão deste fatal regresso

Ao esclavagismo,

Ao fascismo,

Onde se preconiza redução de salários

Aos que trabalham,

Onde se rouba os que trabalharam

E descontaram para seu sustento

Quanto já estivesse no tempo

De descanso da vida dura

E as forças já faltassem…

Se aproveitaram desse dinheiro,

Durante o tempo inteiro,

Dos mais velhos que descontaram,

E que guardaram para sua tranquila sobrevivência,

Para o fim da existência

E lhes roubaram!…

Sim, literalmente,

Lhes roubaram

O que ganharam

E que já não podem voltar a ganhar,

Já não podem recuperar…

Enquanto outros se vão enchendo!…

Os que originaram a crise

E não a pagam.

Não pagam…

Não devolvem o que roubaram

A este pobre país…
 

Fatal regresso à escravatura

Numa ditadura

De prepotência radical

Numa sociedade desigual

Em que algozes

Comem tudo e até o pão

Aos pobres, ricos em coração!



     


Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A MENSAGEM - Podemos mudar o mundo
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

sábado, 21 de julho de 2012

TUA COR VERDE MAR



                                                      
TUA COR VERDE- MAR
Zélia Chamusca


Estás negro, bravo
E clamas alto,
Alto mar.
Parece que, também, queres
Contra o Poder, protestar
E com tua força,
Nas altas ondas a rebentar
Alguém hás-de derrubar!

Já sei…
Estou a ver…
Queres meu sentir apoiar…
Então, vamos!
Irmanados,
Abraçados!
É tua a voz!

Oh! Mar revolto!
Pára teu murmurar!
Não vez que a Natureza
Fica triste e a chorar?...

E eu que te vim visitar
Porque não me recebes em teu doce amainar?...

Quero em tuas calmas águas,
Num doce flutuar,
Contemplar a natureza
E tua cor verde-mar…
                                                     «»
        
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google