Trabalhei, estudei, sonhei e amei.
Toda a minha vida projetei
No sonho que com amor abracei
E que sempre concretizei.
E do tanto que conheci e aprendi
Não entende minha razão
A crueldade,
Nesta sociedade
Dominada pela ambição,
Que torna os ricos cada vez mais ricos
Quando tantos ficam sem pão!
Sempre e no trabalho me realizarei.
O trabalho é a nossa manifestação
Enquanto seres humanos.
É a nossa participação
Na obra da criação.
Estudei e estudarei
Enquanto estiver, aqui, presente.
A vida é uma aprendizagem permanente,
Esta aprendizagem
É a finalidade primordial
À vida essencial.
É através da aprendizagem
Que nós evoluímos,
Progredimos,
E podemos tornar-nos melhores
Para nós, para o próximo,
E mais úteis à sociedade
Percorrendo o caminho do Bem,
Do Amor e da Fraternidade.
Sonhei, sonho e sonharei
Sempre, mesmo quando penso
Que não mais sonharei…
É o sonho que comanda a vida.
É no sonho que criamos a nossa realidade.
Sonhei e todos os sonhos,
No que dependeu de mim, concretizei.
Porém, o sonho de viver numa sociedade
Onde existisse a igualdade
De oportunidade,
A solidariedade,
A fraternidade,
Este sonho ruiu…
Vivo numa sociedade
Em que só alguns têm oportunidades
Para viver, ser e crescer;
Vivo numa sociedade
De oportunismo
Num país tornado falido
Pelo capitalismo;
Vivo numa sociedade
Em que mataram a esperança,
O projecto de ser
E de querer ser;
Vivo numa sociedade
Em decadência moral;
Vivo numa sociedade
Dominada pelo Poder,
Pela ganância
Pelo mal!
Amei e amo em todas as vertentes
E tonalidades diferentes…
É o amor que dá vida à vida.
Ele é o êmbolo da vida.
É elemento vivificador.
Sem amor nada existe.
O Amor é princípio, meio e fim
De tudo.
Ele estará sempre presente em mim.
Mas, no meio de tudo isto;
Não resisto…
O amor se perdeu,
O egoísmo prevaleceu,
O capitalismo venceu…
Com todo o meu conhecimento,
Numa vida de já grande vivência
Feita de estudo e experiência,
Não vê minha consciência,
Falta-me a clarividência…
Nunca tal sonhei, nem pensei,
Não entende minha razão
A razão deste fatal regresso
Ao esclavagismo,
Ao fascismo,
Onde se preconiza redução de salários
Aos que trabalham,
Onde se rouba os que trabalharam
E descontaram para seu sustento
Quanto já estivesse no tempo
De descanso da vida dura
E as forças já faltassem…
Se aproveitaram desse dinheiro,
Durante o tempo inteiro,
Dos mais velhos que descontaram,
E que guardaram para sua tranquila sobrevivência,
Para o fim da existência
E lhes roubaram!…
Sim, literalmente,
Lhes roubaram
O que ganharam
E que já não podem voltar a ganhar,
Já não podem recuperar…
Enquanto outros se vão enchendo!…
Os que originaram a crise
E não a pagam.
Não pagam…
Não devolvem o que roubaram
A este pobre país…
Fatal regresso à escravatura
Numa ditadura
De prepotência radical
Numa sociedade desigual
Em que algozes
Comem tudo e até o pão
Aos pobres, ricos em coração!
Da obra - A MENSAGEM - Podemos mudar o mundo
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google


16 comentários:
Teu desabafo poético social alcança as fronteiras e identifica-se com o meu Brasil. Lamentável tudo isso.
Em silêncio receba minhas reverências.
Bjsss
Olá Querida Mônica,
Infelizmente o mal paira em todo o mundo e em qualquer lugar do planeta os homens, ser humano (?)são iguais...
Grata por sua visita carinhosa e beijinho,
ZCH
Como consegue fazer? Parece tão simples, dizer tudo o eu penso assim, como se fosse uma conversa. Lindo. Obrigada.
Olá Querida Anabela!
Sabe, perfeitamente, que é fácil. Porque já vi que também tem esta facilidade.
Basta apenas dizer o que se sente no momento próprio.
Grata pela visita e seu comentário e beijinho,
ZCH
Olá minga grande e querida amiga...sinto-me egoísta...deixei este tesouro de poema, entre tantos outros, aqui tão só...ainda bem que a Mónica...a Anabela...belo,o que li, desde quase seu nascer...a indignação que sobe e termina num grito de indignação...bravo, am iga Zélia Chamusca..seu poema me enche de orgulho em ser na sua amizade...poema sentido...racional...exigente na sua expressão de humanidade...beijo caloroso de fraternidade...jrg
Querido Amigo, Grande Escritor, Homem de Coragem,
Seu comentário me comoveu pela felicidade que sinto em encontrar, aqui,Alguém que não tem medo, que sofre e sente e que expande seu grito de revolta.Este grito é também o meu e fico feliz por alguém estar comigo em consonância de pensamento e sensibilidade.
Grata, Amigo, Escritor João Raimundo Gonçalves,
ZCH
Olá, Zélia, meus cumprimentos e minha admiração. Como é possível tanto tempo pessoas se cruzarem sem se....conhecerem!!! Continue. MC. JABaptista
Jose A Cristóvão,
A forma como se expressa leva-me a ilacionar que, de facto, nos cruzámos, provavelmente, durante muitos anos...
Mas, eu não me lembro do seu nome...
Diga-me pelo Facebook.
Espero-o mais vezes e fique certo de que, aqui,ir-me-á conhecer melhor porque as minhas palavras refletem a essência do sentimento em que me identifico e reconheço.
Grata por sua visita e seu simpático comentário,
ZCH
Lindo.
Beijinho,
ZCH
Cara Amiga Zélia Chamusca,
Passados dois anos, depois deste belo poema ser publicado no blogue, ele tem actualidade amadurecida. Infelizmente, porque o ser humano não inverteu o rumo de degradação que imprimiu insistentemente aos valores que nos devem orientar. Na parte final nota-se algum desespero e desilusão com o que se passa à volta. A isso permita-me dizer que não devemos perder a esperança e quem tem uma arma como a sua expressão, não pode deixar de a brandir porque a mudança será feita e já há sinais positivos, em áreas mais férteis ao sentimento de cidadania. A humanidade sempre evoluiu em movimento sinusoidal, com altos e baixos. É o momento de voltarmos a percorrer a curva ascendente. A esperança de cada um, mesmo que ténue, será um vector de fortalecimento do movimento de regeneração.
Continue o seu papel de grande pensadora. A humanidade precisa da sua obra.
Beijo
João Soares
Olá Ilustre Sr. A. João Soares,
Limito-me a agradecer as suas palavras de incentivo e esperança e, oxalá, em breve venhamos a viver num país justo onde as pessoas sejam tratadas com a dignidade merecida e não espoliadas, aviltadas e tratadas como servos pelos detentores do poder, que não respeitam valores nem a lei para atingirem os seus fins, dominados pelo capitalismo egoísta, cruel e desumano. Não foi este o poder que lhes foi dado por nós, pelas pessoas que eles escorraçam, aviltam e destroem. O poder que lhes demos não foi para assim nos tratarem, em proveito dos seus interesses no mundo capitalista e desumano, foi-lhes dado para que nos sirvam defendendo os direitos e deveres de todos, numa sociedade democrática em que cada individuo seja tratado com dignidade e respeito pelos seus direitos e deveres consignados na lei da Constituição Portuguesa.
Não percamos a esperança e não tenhamos medo de falar e lutar para que a luz que começa a despontar ilumine as mentes obscuras e possa reconduzir-nos a uma sociedade justa, humana, solidária e fraterna.
Reitero meus agradecimentos pelo seu incentivante e esperançoso comentário que muito ilustra este espaço e dá força à nossa luta para que transformemos o sonho em breve realidade.
ZCH
Os tempos são difíceis. A humanidade continua em degradação, isto é se não melhora vai piorando.. Como diz Papa Francisco,«Hoje em dia os mercados financeiros contam mais do que as pessoas, é uma economia doente». Reina o poder financeiro,frio e insensível aos problemas humanos.
Depois, em consequência, surgem massacres humanos que são uma ponta do iceberg e não basta matar os actores da violência, ou agir preventivamente ou por retaliação contra outros possíveis terroristas.
Há que analisar o problema nas suas causas, no seu crescimento e nas suas manifestações visíveis, a fim de encontrar soluções pacíficas para fazer face às causas que sejam lógicas e legítimas.
Para evitar os roubos a solução não será cortar as mãos a todos os pobres famintos. mas fazer com que deixem de ser pobres e de ter fome.
É certo que tais situações não se resolvem com opiniões,mas estas são necessárias para despertar aqueles que têm capacidade formal para encontrar as vias do necessário diálogo e obter o apaziguamento colaborante entre todos.
Continue a usar a sua arma, o pensamento e a capacida e de expressão.
Beijo
A João Soares
Zélia,seu desabafo poético é o mesmo que gostaria de ter feito pelo povo do meu país..Te abraço
A.João Soares,
O Sr. pode ainda estar doente, não estar, totalmente, recuperado do mal destes últimos dias, mas da cabeça está ótimo! Extraordinário o seu comentário, como sempre e destaco: "Depois, em consequência, surgem massacres humanos que são uma ponta do iceberg e não basta matar os actores da violência, ou agir preventivamente ou por retaliação contra outros possíveis terroristas" Eu não entendo a inteligência das generalidade das pessoas... É defeito meu. Mas já não irei aprender ou a corrigir a minha incapacidade. Muito grata pelo seu comentário e força para continuar por muitos anos!
Beijinho,
ZCH
Olá Marcia,o meu desabado poético não tem nada de poético é a lamentável e triste realidade que transmito em forma de verso livre. O ser dito humano, infelizmente, é igual em todo o lado.
Beijinho, Marcia, e fico feliz com a sua prtesença, ZCH
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