terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sonho de Poeta

      



Um dia sonhei com uma comunidade
plena de amor paz e fraternidade
e convenci-me que era a realidade.

Todos comungavam de imensa alegria,
até pensei que era pura magia
porque tanto bem no mundo existia.

Porém, ao despertar, pude constatar
que dum lindo sonho estava a acordar,
pois, num mundo cruel estava a habitar.

É tanta a pobreza de enorme miséria
e o que dizem ser é, apenas, léria,
porque, triste bem triste, é situação séria.

E uma angústia enorme dominou meu ser
porque num mundo injusto estava a viver
não acreditando no que estava a ver.

Eles se enganaram e tão mal geriram
os bens que só por eles repartiram,
desapareceram e não mais se viram…

Com os bens fugiram nos cofres sumidos.
Só p'ra eles querem estes bens escondidos.
Vivem enganados e tão iludidos…

De tudo despojados eles partirão,
sozinhos sem nada, nada levarão,
pois, até o corpo aos vermes deixarão.

É tanta a ambição que eles ver não querem,
que o pobre expoliam e tanto eles ferem,
injustos não pensam no mal que eles gerem…

Mas, chegará o dia de grande alegria
em que o sonho não será fantasia
e o mundo viverá em democracia

e firmar-se-á p’ra sempre a liberdade,
a igualdade e a fraternidade
e em paz viverá toda a humanidade!

E nesta fantasia, sonho de poeta,
a vós me dirijo deixando o alerta:
Unidos venceremos! Povo desperta!
                         «»

                                         Zélia Chamusca

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Uma canção de embalar



Ai, aiai, ai, aiai…
Estamos todos a tremer…
Onde iremos parar
se o único caminho
era ao velho ir roubar?

Ora, se as reformas vão aumentar,
o IRS a baixar
e o IVA, na restauração;
vamos nós ter que pagar…

E baixar mais não poderão
o IRC ao patrão…
Coitado deste…
só lhe baixou duas vezes
numa benemérita ação
da anterior governação…

Se já não paga o velho reformado
e o funcionário público
as despesas (que  dizem) do Estado
com o roubo da pensão
ao indefeso ancião
e o corte do ordenado
ao funcionário do Estado,
agora como vai ser?
O que irá acontecer?

Ai, aiai, ai, aiai…
o que me vai acontecer a mim
se isto continua assim?

Ai, aiai, ai, aiai…
Estamos todos a tremer…
Como vai agora ser…
Vou eu ter que pagar,
pois, agora irão deixar
de ao velho ir roubar…

 - Agora tudo mudou!
Cala a boca charlatão!
Já tens a tecla partida!
Irá haver outra medida…

Deixa a canção de embalar
as mentes já bem despertas!
Terás que a boca calar!
Vai compor nova canção;
pagará a corrupção!  
        «»
                               Zélia Chamusca
                            








domingo, 22 de novembro de 2015

Viva a Esperança na Mudança Surgida





Antoine Laurent Lavoisier, considerado o pai da química, criador do princípio da teoria da conservação da matéria, diz-nos na célebre frase:

“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

Eu direi que, com efeito, tudo se transforma, não apenas a massa mas também  o pensamento, as ideias, e, não  só através da  evolução como preconizam alguns, mas também numa dialética resultante da luta de contrários, isto é, tudo se transforma  numa dinâmica entre a evolução e a regressão.

Estamos a viver um momento em que estão a surgir novos paradigmas, novos pensamentos através dos quais surgem novas ideias ou conceitos que conduzirão à mudança de práticas e, consequentemente, do “modus vivendi”, na sociedade em que vivemos.

Esta mutação, aqui aplicada às ideias ou conceitos, é, como atrás referi, o resultado da dinâmica entre opostos.

Nem todos entendem nem pretendem entender, ou seja, não têm necessidade de entender.

Só o povo, o pobre, o indefeso entende e sente, agora, a felicidade da esperança surgida pelo termo da insegurança   sofrida nos últimos quatro anos de viragem à direita esclavagista, tão nefasta para os referidos indefesos e a favor dos que não pretendem entender pois, a eles nada tocou a não ser o privilégio de auferirem o que falta, porque foi retirado, aos desprotegidos atingidos pelo regresso a uma nova fase de exploração pelas forças regressivas.

Já começou o sol a brilhar, fez-se luz nas mentes preconizadoras dum processo de evolução que está  a surgir dum confronto de ideias, conceitos e valores donde resultará a mudança esperada pelos, até agora atingidos, condenados a pagar discriminada e injustamente o mal que outros causaram, através da má gestão, incompetência, desonestidade e corrupção,  na sociedade portuguesa.

Agora há luz, há vontade, há humanismo, há ideias, há conceitos e valores e, sobretudo, inteligência e força para uma mudança na nossa sociedade onde todos possamos viver felizes em democracia plena e consolidada.

Brindemos àqueles que estão a trabalhar para que, se torne realidade a esperança surgida!

Viva a mudança! 

Viva a verdadeira democracia!


Zélia Chamusca

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Liberdade Implica Responsabilidade




Jean Paul Sartre é o fundador do existencialismo ateu com a obra L'Être et le Néant, O Ser e o Nada, escrita em 1943.

Segundo a sua doutrina, o existencialismo ateu, a existência precede a essência, contrariamente à dos anteriores existencialistas cristãos que defendem que a essência precede a existência. 

Esta essência primeira pressupõe a existência de um Deus, Essência. Deus é Essência, é princípio e fim de tudo, mas, para Sartre, Deus não existe (dizem), antes, ele põe de parte a existência de Deus para justificar a sua doutrina existencialista, o existencialismo ateu.

Segundo Sartre, como atrás referi, a existência precede a essência, ou seja, o homem primeiro existe e só depois vem a ser, isto é, se define ao longo da sua vida enquanto responsável por ela e por todos os seus atos através da liberdade, da liberdade de escolher e decidir. E ao fazê-lo torna-se responsável por ele próprio e pelo mundo.

Pretendo, apenas, realçar, aqui, que o existencialismo sartriano concede importante relevo à responsabilidade. O homem (o humano)  é o único responsável pelas suas escolhas, pelas suas decisões, ou seja, somos nós que respondemos pelos nossos próprios atos e que somos responsáveis pelas consequências das nossas decisões.

Cada uma das nossas escolhas ou decisões provocam mudanças, no nosso projeto pessoal e no mundo, que se tornam imutáveis.  Assim, perante a liberdade que temos em escolher ou decidir tornamo-nos, não apenas, responsáveis por nós próprios,   mas também, por toda a humanidade.

Poderemos interpretar no contexto  da liberdade que implica responsabilidade a célebre frase de Sartre -  “O homem tem o peso do mundo às costas”. É exatamente porque o homem tem a liberdade de escolher e decidir ou simplesmente,  não decidir, que tem o peso da responsabilidade pelo que acontece no mundo.

Feita esta breve exposição sobre a temática central da obra L’Être et le Néant  falo-vos da influência que teve na minha personalidade o  estudo ou, mais propriamente,  a análise e reflexão, (pois a filosofia não se estuda; pensa-se), desta importante obra pela qual sempre me senti fascinada e marcada na minha forma de ser, de pensar e de agir.  
Esta obra, L´Être et le Néant, foi por mim lida, pensada, refletida e trabalhada tendo o referido trabalho sido apresentado ao Professor Catedrático, Oswaldo Market, que dava as aulas em espanhol, meu Professor no 2º. ano de Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.

Digo-vos, sem presunção que o Professor, Oswaldo Market, disse-me:  muito bem, vejo que pensa, pois, existem muitos comentários sobre a obra mas não traduzem o pensamento de Sartre.

Talvez venha, ainda, a publicar este o meu trabalho universitário a que aqui me refiro.

A partir da análise e reflexão sobre o pensamento de Sartre, toda a minha vida tem sido marcada por este grande pensador cuja doutrina  incutiu em mim grande parte da força, persistência e tenacidade que possuo.

Esta doutrina da liberdade enquanto responsabilidade marcou-me  de tal forma que nunca deixo de incentivar os outros a que se determinem, que se definam, essencializem, através de sua força interior, no sentido do ser e do ter. Só depende de nós virmos a ser o que gostaríamos de ser e de ter.

Não podemos, porém, cruzar os braços à espera que as coisas aconteçam, não, temos que trabalhar para isso, para o que queremos ser e queremos ter e, sobretudo, para o que queremos ser no mundo. 

Sartre diz-nos, ainda, que à custa de querermos ser acabamos por ser. Incute-nos determinação, força para viver e ser.

A minha vida tem sido pautada por esta determinação e força de viver, fruto  não só do conhecimento filosófico, mas, fundamentalmente, do saber de experiência feito, o saber vivido.

Pensemos nisto e saibamos ser mais, ser mais humanos, mais justos e solidários para que vivamos num mundo melhor, de paz e fraternidade.

                                                                                                                                                                                                                                        Zélia Chamusca

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Chegada a Mudança



  

Já surgiu a esperança
A luzir no olhar
Sorriso discreto
No rosto a brilhar

Voltou a bonança
Veio p'ra ficar
Um perfil correto
Não tarda a chegar

Chegada a mudança
Podemos confiar
Que o caminho certo
Iremos trilhar

Tenhamos confiança
Que o sol vai brilhar
E um amor dileto
Iremos firmar.
         «»


                

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Abaixo, abaixo!








Abaixo, abaixo!
Abaixo, que basta!
de encher bem o tacho
já cheio à farta!

Abaixo, abaixo!
Não à exploração!
Só o pobre, mais pobre
paga a corrupção!

Abaixo, abaixo!
Sofre o indefeso
e o rico a gozar
bem cheio, obeso!

Abaixo, abaixo!
Estão a tremer,
cobardes com medo
do tacho perder!

Abaixo, abaixo! Já!
Porque o Povo unido
sempre vencerá!
            «»
               
             Zélia Chamusca
                2015-11-10





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Saudade do sonho que sonhava...




Tenho saudade de tudo…
Saudade do que quis,
De tudo o que fiz,
De como me vi a mim
E vos olhei a vós,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade da vida que vivi,
De tudo o que senti
E que com os olhos da alma vi,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Do ar que respirei,
Dos sonhos que sonhei
E concretizei,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade do querer,
Do querer ser,
Do que cresci
E do que construí,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade da beleza,
Da gentileza,
Da cultura,
Da postura
De tantos senhores
Que conheci,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade do cheiro
Que emanava das flores
E que perfumava o ar que eu respirava…

Saudade do sonho que sonhava…
                       «»



Poema de - Zélia Chamusca
Da obra  - Um outro olhar
 (a publicar)