sábado, 9 de novembro de 2019

Rio para não chorar








Eu rio para não chorar,

Quando choro, choro a rir.

Rio sempre para olvidar

Esta dor que estou a sentir!...



Pareço estar sempre a rir,

Mas, na verdade, não estou...

São os meus olhos a sorrir,

Pois é, assim mesmo, que sou…



Sou sincera, até vos digo,

Tão transparente como a água:

Chorar, eu já não consigo

Porque grande é minha mágoa!...

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Poema de  - Zélia Chamusca

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Singular Entre Gente


 

 


 
Sou única, singular entre gente.

De gente que deambula à minha frente

Perdida, no meio da multidão

Que faz da  tela a comunicação.

 

Não sabem dialogar, conversar…

Nem sequer parar para poder pensar…

Autómatos, no vácuo alienados,

Máscaras de viventes transmutados…

 

As mentes enterradas nos ecrãs,

Em casa, na rua, por todo o lado,

Vagueiam absortos no triste fado…

 

E eu como algumas poucas mentes sãs,

De compreensão, diálogo e de cultura,

Tal rato em biblioteca, é a postura.

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Poema de - Zélia Chamusca                                          

 

sábado, 19 de outubro de 2019

Quem Dera...



Quem dera poder viver

Entre todo o ser amado

O amor sempre acontecer

E ninguém ser trucidado.


Quem dera poder viver

Sentindo-me entre irmãos

Todo o bem à volta ver

Dando uns aos outros as mãos.


Quem dera poder viver

Em plena fraternidade

E ninguém jamais sofrer

Nesta vida a crueldade…

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Poema de - Zélia Chamusca
                         

terça-feira, 27 de agosto de 2019

O mundo em que vivi já não existe...


 

Um mundo de elegância e de beleza,

De fascínio e de consciente loucura,

Sob o olhar de transparente leveza

E do ar que respirava de frescura…

 

Um mundo de “glamour”, de pleno encanto,

De saber de educação e de cultura,

Transparecendo sob diáfano manto,

O pensamento verbal em doçura…

 

Agora, manto negro de poluição

Que cobre os céus do mundo em cada dia

Levando em nuvens negras a razão!

 

O mundo em que vivi já não existe...
Já não tem “glamour” nem educação…

Jaz em cinzas negras sobre o chão, triste…

                            «»
 

Poema de    -   Zélia Chamusca
Fonte de imagem -Google

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Dançam os Deuses na Lua


 

Estão no céu os deuses loucos

a festejar com  manjar  

fornecido p’lo negócio

de incêndios a deflagrar

 

E o pobre honesto a sofrer

por não poder respirar

e tão aterrorizado

de ver tudo a queimar

 

Quer fugir mas já não pode

que o fogo está a chegar

da sua casa está perto

e não o pode apagar

 

Vai ficar sem teto abrigo

na rua ele irá morar

ficando com a promessa

se ele a boca calar

 

Irá ter casinha nova

confortável p’ra morar

mas vai ter que estar tranquilo

e não estar a chorar

 
E os deuses loucos no céu

com os anjos a tocar

os clarins ao som do fogo

com foguetes a estoirar

 

De ambrósia embriagados

dançam os deuses na Lua

felizes e desvairados

porque ela é apenas sua

 

A Terra eles já queimaram

o oxigénio acabou

a Lua eles já compraram

mas o demónio os levou!

                «»

                     Zélia Chamusca
Poema de - Zélia  Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Já não há verão


           

Está toda a natureza destruída

pela mão do mais feroz animal

Não tem qualquer respeito pela vida

causando no planeta  tanto mal

 

Encobriu-se o sol já não há verão

nem lua a brilhar em noites de luar

Já nada mais resta que a destruição

e a lua triste escondida a chorar

 

O sol brilhante da minha infância

que iluminava  a Terra sorridente

não existe porque é tanta a ganância

que destrói o mundo completamente

 

Encobriu-se o sol já não há verão

que me acariciava tão meigamente

nas tardes longas e quentes de então

restando a memória tão simplesmente

 

Agora é tudo tão negro de inverno

e a natureza cansada resiste

até sucumbir nas chamas  do inferno      

em que a mão humana e cruel insiste.

                                                                «» 
 
Poema de - Zélia Chamusca 

sábado, 27 de julho de 2019

A Ti Amigo e Irmão






Encontrei-te

hoje, na rua caído

e vi em ti um amigo.

 

Falei-te,

encorajei-te,

ajudei-te a levantar

e disse-te: vai, vai.

Vai caminhar!

 

Conheci-te

quando passei ali ao lado

e contigo me cruzei.

Saudei-te,

com uma saudação sincera

de irmão.

 

Olhei-te

e, vi que procuravas ajuda

e não a encontravas…

 

Olhaste para mim

admirado pensando

que eu era uma louca;

Ninguém, para ti olhava

quando tu tanto precisavas…

 

Não, eu não sou louca!

Eu sou aquela

que conseguiu construir,

entre feras demoníacas,

o caminho certo,

de justiça, de razão de verdade

e honestidade,

neste mundo louco em que vivemos

onde há tanta maldade...

 

Encontrei-vos, de tudo carentes

e ajudei-vos…

Pensais que sou louca,

neste país de dementes

em que cada um luta desenfreada

e egoistamente

pelos seus interesses materiais

mesmo que tenha que aniquilar o outro!       

Destrói tudo

seja a que nível for,

reduzindo a cinzas

tudo, na luta cruel pelo dinheiro.

Sim. Destrói o planeta, o mundo inteiro

na luta incendiária

totalmente planetária.

 

Lutam pelo dinheiro

enquanto despojam a alma da moral,

de todos os valores,

fazendo prevalecer o mal!

 

Vivemos num mundo egoísta

onde predomina a luta desenfreada pelo poder,

onde paira o egoísmo e a exploração

do outro, daquele que é seu irmão!

 

E eles não te querem ver

como um irmão. Não…

o mundo é só deles e os outros

querem-nos como seus servos…

 

São autênticos demónios

que te vigiam, permanentemente,

limpando-te o pensamento,

sob o olhar indiscreto e permanente

de um "Bigbrother" cruel,

ditador e prepotente,

querendo convencer-te

que tudo está certo,

podes ficar ciente,

que eles são uns bonzinhos…

Coitadinhos…

Enquanto te torturam,

e te roubam,

queimam-te o corpo e a alma

e  despojam-te dos teus pertences.

 

Não! Não, irmão!

Somos todos filhos

da mesma mãe – Natureza

e do mesmo pai – Força

que tudo move.

 

O Dia chegará

em que estes demónios

serão queimados

na fogueira dos infernos em chamas

por eles mesmo incendiados…

 

E, a doçura da Mãe – Natureza

e a Força do Pai - que tudo move

devolver-nos-á o Paraíso Inicial,

o paraíso terrestre,

no planeta Terra,

e, aqui, não haverá mais dor,

restará, somente,

a Paz e o Amor!

           «»

                 Zélia Chamusca