Da obra - A Poesia Brota do Pensamento e Flui na Sensibilidade
Ao falar de
poesia não posso deixar de começar por fazer uma breve referência histórica e o
seu significado relativamente a este género literário e artístico.
A poesia (do
grego “poiesis”) significa processo criativo em forma de arte, e é em
literatura uma forma de expressão artística, é arte em palavras enquanto
expressão do sentimento, quer seja através da linguagem escrita ou falada.
Enquanto
género literário manifesta-se, normalmente, em verso podendo também
expressar-se em prosa.
Os textos
literários poéticos definem-se em função do seu conteúdo dividindo-se em três
categorias básicas, géneros ou formas, que tiveram origem na antiga Grécia e
subsistem até aos nossos dias.
Estas três
categorias básicas são:
- O género
lírico é uma forma poética em que o autor revela a sua sensibilidade no que
concerne ao mais profundo do seu “eu lírico”, (entenda-se “eu lírico” como a
voz da personagem criada pelo autor do poema e não a voz do próprio autor)
extravasando sentimentos e emoções através duma expressão verbal ritmada e
melodiosa.
Este género
era cantado e recitado pelos “aedos”, poetas gregos da época primitiva, ao som
da lira, (donde originou a palavra – lírico), o instrumento musical de cordas
mais popular daquela época.
A “Poética”
(ποιητική) de Aristóteles, que surgiu, provavelmente, entre os anos 335 e 323
a.C. é um conjunto de aulas em que ele nos fala deste género literário.
O género
lírico perpetuou-se por vários estilos literários, atingindo a
contemporaneidade e destacando-se, entre as várias formas, o soneto (em
italiano Sonetto, pequena canção) que é de origem italiana e surgiu no século
XII;
- O género
épico é considerado a mais antiga manifestação literária, uma narrativa feita
em verso relativa a acontecimentos grandiosos, históricos, lendários ou
mitológicos e referentes à figura de um herói.
Homero
(século IX ou VIII a.C.) foi o fundador da poesia épica, o maior e mais antigo
dos poetas gregos a quem se atribui as obras-primas a “Ilíada” e a “Odisseia”.
A “Ilíada”
descreve os acontecimentos da “Guerra de Tróia”, que teria ocorrido no século
XIII a.C. e as aventuras entre os guerreiros gregos e troianos;
A “Odisseia”
descreve a aventura do herói “Ulisses”, no seu regresso à ilha de Ítaca, após a
Guerra de Tróia.
Mais tarde
surgiram diversos autores épicos, entre eles, Virgílio (século I a.C.) que
escreveu a "Eneida" onde narra a história de Roma desde a origem, o
poder e a expansão do Império Romano. O nome desta obra tem origem em “Enéas”
(ou Enéias), herói troiano sobrevivente da guerra de Tróia, e está relacionada
com as façanhas e feitos realizados por este herói que sendo humano chegou a
ser considerado por muitos como um semideus.
Muitos
séculos depois surgiu, o grandioso épico, expoente máximo da literatura
portuguesa, Luís Vaz de Camões (século XVI) que escreveu "Os Lusíadas” que
ganharam diversas versões teatrais em diferentes épocas da história, tanto em
Portugal como no Brasil.
Não posso
deixar de referir que “Os Lusíadas”, não são apenas uma epopeia, são também
lirismo do mais perfeito que poderemos encontrar em toda a literatura. Podemos
orgulhar-nos de que, no mundo, nunca houve nenhum poeta tão grandioso como
Camões no seu génio épico e lírico.
É de referir,
também, no século XVII, o épico inglês John Milton com a obra “O Paraíso
Perdido”;
- O género
dramático, de drama, um acontecimento triste de grande intensidade emocional, é
o género literário essencialmente concebido para representação teatral.
Estes géneros
subdividem-se em vários estilos ou subgéneros de que não irei falar dado que
pretendo, apenas, dar uma ideia sintética do que é a poesia enquanto género
literário.
A poesia é
por excelência a expressão teatral pela predominância da musicalidade das
palavras e da estrutura do poema que proporcionam a facilidade de memorização.
Os gregos,
inicialmente, abordavam, apenas, dois tipos de peças teatrais: a comédia e a
tragédia tendo esta evoluído, mais tarde, para o drama que teve início com a encenação
em cultos à divindade.
Algumas peças
teatrais são bastante conhecidas e lidas ainda hoje, por serem marcos da
dramaturgia da época que na altura eram escritas em versos de escrita rígida
obedecendo a métrica.
Temos como
exemplo as tragédias:
“Prometeu
acorrentado” de Ésquilo; “Édipo-rei” e “Electra” de Sófocles; “Medeia” de
Eurípedes.
Estes autores
são de capital importância no teatro grego e hoje considerados expoentes
máximos da dramaturgia grega, tendo sido estas quatro tragédias gregas de primordial
importância dado que foram o embrião da filosofia antiga que, através de
Sócrates e Platão, considerados os primeiros filósofos, norteou, até aos nossos
dias, todo pensamento filosófico ocidental.
O género
dramático é, como atrás referi, uma evolução da tragédia.
Temos como
exemplo desta evolução:
A peça “Romeu
e Julieta”, de William Shakespeare, foi escrita baseada num poema, de Artur
Brooke, (poeta inglês, de quem pouco se sabe, sendo o único trabalho conhecido,
A Trágica História de Romeu e Julieta, publicada em 1562), e chegou ao palco
sob a forma dramática tendo recebido
outras personagens e tramas;
Falar de
poesia - A “Sexta Arte”, Literatura (palavra) - seria um nunca mais acabar.
Depois desta
breve síntese do que é a poesia enquanto género literário, deixo-vos os meus
poemas, a que me refiro no Posfácio desta obra, esperando que vos seja
agradável oferecendo-vos momentos de leitura de perfeito prazer poético.
Zélia
Chamusca