Conheces?
Aqueles dias em que apetece
partir e ficar;
Aqueles dias em que temos
tudo e não temos nada;
Aqueles dias em que nada
falta e tudo falta;
Aqueles dias em que nos
sentimos neste mundo real?
Conheces?
Este mundo hipócrita, de falsidade, hedonista;
Este mundo de ambição, de corrupção,
frio;
Este mundo de
crueldade, sem piedade egoista;
Este mundo amoral, desumano,
gélido, vazio?
Este é o mundo em que,
agora, vivemos…
Conheces?
Aquele mundo em que, agora,
nos encontramos sós;
Aquele mundo em que
despertámos e nos criámos;
Aquele mundo que já não é nosso, nem dos nossos avós;
Aquele mundo em que crescemos
felizes e brincámos?
Conheces?
Aquele mundo solidário e fraterno;
Aquele mundo de elegância e gentileza
Aquele mundo era, contudo, real...
Aquele mundo de fascínio e de beleza?
Lembras-te deste mundo?
Um mundo cor-de-rosa, de
sonho e fantasia
Em que nos vestíamos de
requinte esvoaçante
E ao som do piano rodopiávamos na sinestesia
E na magia das luzes,
num chá dançante...
Aquele mundo em que nos
encontrávamos à tarde,
Nos dias quentes de verão, sentados numa esplanada,
Conversávamos e, lentamente,
nos íamos refrescando
Enquanto degustávamos uma fresca carapinhada.
Falávamos de filosofia, de
literatura,
De cinema, de teatro, de
arte, de cultura!
Hoje, não se dança a valsa no requinte dum salão
Ao som do piano nas noites quentes de verão
Nem se fala de filosofia e de literatura,
De teatro,
de cinema, de cultura…
Este foi o mundo real em que vivemos…
E, agora é, apenas, sonho e fantasia de poeta…
«»
Zélia Chamusca