sexta-feira, 17 de junho de 2016

Vosso afago a envolver-me








Sempre que a saudade vem
À memória no momento,
Lembro o que tive de bem,
Mas, sinto o mal do tormento…

Tormento p’lo que perdi
E não mais voltarei a ter,
Quanto de bom eu vivi!
Agora, basta sofrer…

A sofrer por não vos ver,
Embora em mente  vos sinta
Num afago a me envolver,
Vosso calor eu pressinta.

Sentimento indefinível
Que absorve todo o meu ser,
Não sendo aos olhos visível
Sinto-vos junto a mim ter…
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                                  Zélia Chamusca

terça-feira, 14 de junho de 2016

A Presidência dos Afetos



 Professor Marcelo, Nosso Presidente,
És entre todos o único pela tua singularidade individual que te caracteriza de forma impar, distribuindo afetos, transmitindo alegria, tranquilidade e esperança aos que de ti se aproximam nas tuas visitas presidenciais.
Como homem culto e verdadeiro cristão, sabes, perfeitamente, que o maior bem na vida é o amor que é motor, princípio impulsionador de tudo. Esta forma de amor está bem presente no abraço fraterno e afetuoso que a todos distribuis.
É através do amor, afeto, que obténs diálogos de consensos e união, transmites energia e força para viver. Unes esquerdas e direitas, centros e  todos os lados, tal como eu o entendo em sonho, sonho de poeta.
Para quê oposição? Para quê?
Oposição é negação, é destruição, é impedimento à criatividade, à evolução.
Só entendo a oposição enquanto luta pelo poder, guerra, e, toda a guerra é destruidora.
Mas, Professor Marcelo, conseguirás transformar esta oposição em união de consensos, em colaboração conjunta para o bem comum, o bem de todos nós portugueses.
Conseguirás transformar os debates destruidores numa colaboração de forças unidas à direita, à esquerda, ao centro e a todos os lugares e cantos da simbólica plateia da casa da Democracia, Assembleia da República
Sabes, Professor Marcelo, até a mim, com a minha rebeldia, conseguiste, já, transformar.
Deixei o protesto (em “UM MUNDO MELHOR”, Chiado Editora) e passei a escrever cartas de amor, não como as de Fernando Pessoa, que “são ridículas” “todas as cartas de amor são ridículas”, não, passei a escrever, repito, cartas de amor, amor que é afeto, é amor puro, são cartas de afeto, como esta que agora escrevo, e não as ridículas que são, talvez, sensuais, ou talvez mesmo ridículas…
Prometeste-nos uma presidência de afetos, e, efetivamente, tens cumprido a promessa. O uso da palavra afeto já se generalizou. Ouço, frequentemente, falar em afetos e espero que, não apenas continue a ser generalizado o uso da palavra afeto, mas, que o próprio afeto se torne extensivo a todos nós, isto é, a própria essência do termo, e, se possível, que o sentimento sublime do afeto venha a atingir a dimensão transcendente da universalidade.
Professor Marcelo, Nosso Presidente, por vezes, lembras-me o Papa Francisco pela simplicidade com que comunicas com o povo onde te tornas, tal como ele, personagem atuante nas suas atividades, normalmente eventos culturais ou festivos. Lembras-me, ainda, o Nosso Papa Francisco que visitaste após a tua tomada de posse, quando rompes com o protocolo, totalmente descontraído, sem receios (como outrora vi noutras personalidades) para te aproximares mais do povo que já conseguiste conquistar, com o teu simples afeto.
E lembras-me, sobretudo, o Papa Francisco pela singularidade inovadora da aproximação humana.
Foste o único que, na tomada de posse como Presidente da República Portuguesa (Poema – “Uma lição de afetos e paz”), uniste velhos e novos, brancos e negros, todas as cores, todas as culturas e credos, numa policromia sinestésica de luz e cor, num espetáculo de alegria, felicidade e esperança que transmitiste a todos os presentes e que espero nunca deixes matar. Não deixes que nos matem  a esperança, a esperança numa sociedade mais humana, justa e fraterna.
Continuas numa azáfama constante, numa dinâmica incansável na distribuição do teu afeto quando abraças, todos os que te rodeiam, com sorriso alegre, bem-disposto, feliz, transmitindo felicidade. Só assim conseguiremos transmitir felicidade aos outros. Se nós não nos sentirmos felizes como poderemos transmitir felicidade aos outros?
Há bem poucos dias, a 10 de Junho, Dia de Camões, Dia da Raça, Dia de Portugal e das Comunidades, distribuíste afeto com o teu abraço fraterno na dimensão universal de toda a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo, com a tua presença, em Paris, comemorando este célebre dia, com a comunidade portuguesa nesta mítica cidade luz.
Bastará este ato memorável para que a tua presidência jamais se apague, na História de Portugal, como a Presidência dos Afetos.
Meu abraço afetuoso e fraterno,

Zélia Chamusca
2016-06-14

sexta-feira, 27 de maio de 2016

No Mundo Selvagem




Sempre que me lembro
Do que nunca esqueço;
Tal a indignação
Isto não mereço!

Tanta sem vergonha
Gira à minha volta;
Não há quem se oponha
Tamanha é a revolta!

Tanta insensatez
E falta de ciso,
Minha lucidez
Eu tenho e preciso.

No mundo selvagem
Habitam abutres
Em densa folhagem
De arbustos palustres!

Dobrados espreitam
P’ra atacar a presa,
Mas, já se sujeitam
A arquear sem defesa!
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terça-feira, 24 de maio de 2016

Instabilidade da natureza


 

Ontem foi verão,
Pleno verão,
Hoje não… 

É a primavera
Vestida de outono,
Que outono… 

Será que a natureza mudou?
Passou à instabilidade?
Até ela é repercussão
Desta sociedade… 

Desnorteou…
Não se sabe comportar,
Não sabe estar
Na sua natural situação;
Como todos nós,
Toda a nação
Anda desvairada,
Insegura,
Assustada,
Perdida,
De valores esquecida…

É que este seu mal
É epidémico e fatal,
Não só na natureza,
Em todo o mundo
É uma tristeza 
Esta instabilidade anormal...
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Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Amar é...


 
Amar é...

A união de corações

que se encontram em sintonia

de envolventes emoções

e encantamento, luz e cor

em perfeita sinestesia

de transbordante amor...

 

 É voar no sonho da fantasia

vivendo momentos de alegria,

de amor e paixão

que para sempre se perpetuarão...

 

É sentimento primeiro

que nos preenche por inteiro...

É razão sem razão.

É loucura.

É luz no coração!...

           «»                   


Poema de -   Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nunca Perderei


 

 

 
Nunca perderei a capacidade de amar
mesmo num mundo em que ela já está a faltar. 

Nunca perderei a força para lutar
e conseguir  a vida transformar. 

Nunca perderei a capacidade de sonhar
e sonhos concretizar. 

Nunca perderei a liberdade de expressar
as minhas ideias mesmo que as  decida mudar. 

Nunca perderei a força de viver sabendo o dever ter cumprido
e de sentir que valeu a pena a vida ter vivido!
                                 «»
                                                 Zélia Chamusca

                                                     

 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tempo/ Temporalidade

Por Zélia Chamusca
                                         

A temática do tempo tem sido, desde a antiguidade, objeto de especulação filosófica.
A controvérsia  desta dialética temporal  fundamenta-se, resumidamente, nos seguintes princípios:

Segundo a física de Aristóteles o tempo é  a medida do movimento segundo o antes e o depois, significando o termo movimento mudança e devir;
Os materialistas  defendem o princípio de que o movimento constitui a essência  do tempo e do espaço e que a matéria, o tempo e o espaço são inseparáveis;

Ideia confirmada pela física moderna de Einstein que concebe o tempo  e espaço como inseparáveis da matéria;
O tempo é irreversível, ou seja, é todo o processo material que se desenvolve numa direção do passado para o futuro. O presente não existe;

Para os idealistas o tempo  não existe  -   é pura criação mental;
Santo Agostinho considera o tempo como um grande paradoxo. É um agora que não é, o agora não se pode deter, pois se isso acontecesse não seria tempo. O tempo é um será que ainda não é. Quando vamos apressá-lo desvanece-se-nos.

Será por isso que andamos sempre à procura do tempo?

O tempo é um bem tão escasso que nos falta para concretizar  todos os nossos projetos.
Todos nós nos queixamos de falta de tempo.

Em suma, não temos tempo para gerir o nosso  tempo.
Tempo é o espaço mensurável, cronometrado ao milésimo do segundo, em  que projetamos, permanentemente, a nossa vida profissional, familiar, social, coletiva, etc.

Os nossos projetos diários são, pois, condicionados pelo tempo – sucessão (de 24 horas) dos dias e das noites.
Com efeito, Tempus fugit – O tempo foge. Foge-nos, incessantemente, sem o podermos fazer parar.

Platão diz que o tempo é a imagem móvel da eternidade (Timeu).
Ora, se não podemos fazer parar o tempo nem tão pouco aumentá-lo, ele é o instante entre o antes e o depois, o presente e o devir, resta-nos, apenas, saber aproveitá-lo, ou seja, saber geri-lo de modo a podermos concretizar, nesse limitado espaço temporal de que dispomos, senão, todos os nossos projetos, pois que a própria vida é um projeto em aberto,  pelo menos, os nossos primordiais projetos.

Agarremos o tempo que temos, este tempo, que é de mudança, para unidos podermos criar a suficiente energia  de modo a concretizarmos o projeto  primordial de nossas vidas em comunidade sendo mais humanos e solidários na construção de uma sociedade  justa e fraterna.
                                                                     «»
                                                                                Zélia Chamusca