sexta-feira, 27 de maio de 2016

No Mundo Selvagem




Sempre que me lembro
Do que nunca esqueço;
Tal a indignação
Isto não mereço!

Tanta sem vergonha
Gira à minha volta;
Não há quem se oponha
Tamanha é a revolta!

Tanta insensatez
E falta de ciso,
Minha lucidez
Eu tenho e preciso.

No mundo selvagem
Habitam abutres
Em densa folhagem
De arbustos palustres!

Dobrados espreitam
P’ra atacar a presa,
Mas, já se sujeitam
A arquear sem defesa!
                «»

terça-feira, 24 de maio de 2016

Instabilidade da natureza


 

Ontem foi verão,
Pleno verão,
Hoje não… 

É a primavera
Vestida de outono,
Que outono… 

Será que a natureza mudou?
Passou à instabilidade?
Até ela é repercussão
Desta sociedade… 

Desnorteou…
Não se sabe comportar,
Não sabe estar
Na sua natural situação;
Como todos nós,
Toda a nação
Anda desvairada,
Insegura,
Assustada,
Perdida,
De valores esquecida…

É que este seu mal
É epidémico e fatal,
Não só na natureza,
Em todo o mundo
É uma tristeza 
Esta instabilidade anormal...
                «»
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Amar é...


 
Amar é...

A união de corações

que se encontram em sintonia

de envolventes emoções

e encantamento, luz e cor

em perfeita sinestesia

de transbordante amor...

 

 É voar no sonho da fantasia

vivendo momentos de alegria,

de amor e paixão

que para sempre se perpetuarão...

 

É sentimento primeiro

que nos preenche por inteiro...

É razão sem razão.

É loucura.

É luz no coração!...

           «»                   


Poema de -   Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nunca Perderei


 

 

 
Nunca perderei a capacidade de amar
mesmo num mundo em que ela já está a faltar. 

Nunca perderei a força para lutar
e conseguir  a vida transformar. 

Nunca perderei a capacidade de sonhar
e sonhos concretizar. 

Nunca perderei a liberdade de expressar
as minhas ideias mesmo que as  decida mudar. 

Nunca perderei a força de viver sabendo o dever ter cumprido
e de sentir que valeu a pena a vida ter vivido!
                                 «»
                                                 Zélia Chamusca

                                                     

 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tempo/ Temporalidade

Por Zélia Chamusca
                                         

A temática do tempo tem sido, desde a antiguidade, objeto de especulação filosófica.
A controvérsia  desta dialética temporal  fundamenta-se, resumidamente, nos seguintes princípios:

Segundo a física de Aristóteles o tempo é  a medida do movimento segundo o antes e o depois, significando o termo movimento mudança e devir;
Os materialistas  defendem o princípio de que o movimento constitui a essência  do tempo e do espaço e que a matéria, o tempo e o espaço são inseparáveis;

Ideia confirmada pela física moderna de Einstein que concebe o tempo  e espaço como inseparáveis da matéria;
O tempo é irreversível, ou seja, é todo o processo material que se desenvolve numa direção do passado para o futuro. O presente não existe;

Para os idealistas o tempo  não existe  -   é pura criação mental;
Santo Agostinho considera o tempo como um grande paradoxo. É um agora que não é, o agora não se pode deter, pois se isso acontecesse não seria tempo. O tempo é um será que ainda não é. Quando vamos apressá-lo desvanece-se-nos.

Será por isso que andamos sempre à procura do tempo?

O tempo é um bem tão escasso que nos falta para concretizar  todos os nossos projetos.
Todos nós nos queixamos de falta de tempo.

Em suma, não temos tempo para gerir o nosso  tempo.
Tempo é o espaço mensurável, cronometrado ao milésimo do segundo, em  que projetamos, permanentemente, a nossa vida profissional, familiar, social, coletiva, etc.

Os nossos projetos diários são, pois, condicionados pelo tempo – sucessão (de 24 horas) dos dias e das noites.
Com efeito, Tempus fugit – O tempo foge. Foge-nos, incessantemente, sem o podermos fazer parar.

Platão diz que o tempo é a imagem móvel da eternidade (Timeu).
Ora, se não podemos fazer parar o tempo nem tão pouco aumentá-lo, ele é o instante entre o antes e o depois, o presente e o devir, resta-nos, apenas, saber aproveitá-lo, ou seja, saber geri-lo de modo a podermos concretizar, nesse limitado espaço temporal de que dispomos, senão, todos os nossos projetos, pois que a própria vida é um projeto em aberto,  pelo menos, os nossos primordiais projetos.

Agarremos o tempo que temos, este tempo, que é de mudança, para unidos podermos criar a suficiente energia  de modo a concretizarmos o projeto  primordial de nossas vidas em comunidade sendo mais humanos e solidários na construção de uma sociedade  justa e fraterna.
                                                                     «»
                                                                                Zélia Chamusca

 

sábado, 9 de abril de 2016

ÊXTASE


            
      
                                   

Na imensidão do mar vejo o Uno indivisível,
infinito e absoluto, primordial unidade,
transcendência em  que me perco e me encontro,
sinto-me,  no Todo, parte da realidade.
 

Procuro outra direção na contemplação,
uma outra face, sair da beleza sensível
e olhar para o que é verdadeiramente belo,
numa elevação p’ra  beleza inteligível.

 
Sinto o belo inefável, sobrenatural,
que é encantamento, que é prazer, que é  elevação,
é  total arrebatamento espiritual,
suprema felicidade,  é sublimação,

 
é libertação, êxtase, purificação,
é beleza suprema é serenidade,
é o próprio encontro do ser consigo mesmo,
na busca da sua ontológica unicidade.
                               «»
                                     Zélia Chamusca


Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea   
Entre o Sono e o Sonho
Vol. VII - Tomo II
Chiado Editora
 

sábado, 26 de março de 2016

Cristo Ressuscitado

                           



Cristo Ressuscitado

Transmitiu-nos seu legado:

 

Dou-vos um Mandamento Novo:

Que vos ameis uns aos outros

Como eu vos amei.

 

Cristo Ressuscitado

O amor proclamou

E aos pobres

A Boa Nova

Anunciou.

 

Cristo Ressuscitado

Deu aos presos libertação,

aos oprimidos consolação,

Ao cego deu a visão,

A prostituta beijou

E as criancinhas, junto A Si, chamou.

 

Cristo Ressuscitado

É símbolo de Amor e Vida,

Fulcro da Mensagem transmitida.
 

Cristo Ressuscitou!

 

Como é digno e louvável

Festejemos este evento inolvidável!

Aleluia!

                                «»

                                     Zélia Chamusca
 
Fonte de imagem - Google