segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nunca Perderei


 

 

 
Nunca perderei a capacidade de amar
mesmo num mundo em que ela já está a faltar. 

Nunca perderei a força para lutar
e conseguir  a vida transformar. 

Nunca perderei a capacidade de sonhar
e sonhos concretizar. 

Nunca perderei a liberdade de expressar
as minhas ideias mesmo que as  decida mudar. 

Nunca perderei a força de viver sabendo o dever ter cumprido
e de sentir que valeu a pena a vida ter vivido!
                                 «»
                                                 Zélia Chamusca

                                                     

 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tempo/ Temporalidade

Por Zélia Chamusca
                                         

A temática do tempo tem sido, desde a antiguidade, objeto de especulação filosófica.
A controvérsia  desta dialética temporal  fundamenta-se, resumidamente, nos seguintes princípios:

Segundo a física de Aristóteles o tempo é  a medida do movimento segundo o antes e o depois, significando o termo movimento mudança e devir;
Os materialistas  defendem o princípio de que o movimento constitui a essência  do tempo e do espaço e que a matéria, o tempo e o espaço são inseparáveis;

Ideia confirmada pela física moderna de Einstein que concebe o tempo  e espaço como inseparáveis da matéria;
O tempo é irreversível, ou seja, é todo o processo material que se desenvolve numa direção do passado para o futuro. O presente não existe;

Para os idealistas o tempo  não existe  -   é pura criação mental;
Santo Agostinho considera o tempo como um grande paradoxo. É um agora que não é, o agora não se pode deter, pois se isso acontecesse não seria tempo. O tempo é um será que ainda não é. Quando vamos apressá-lo desvanece-se-nos.

Será por isso que andamos sempre à procura do tempo?

O tempo é um bem tão escasso que nos falta para concretizar  todos os nossos projetos.
Todos nós nos queixamos de falta de tempo.

Em suma, não temos tempo para gerir o nosso  tempo.
Tempo é o espaço mensurável, cronometrado ao milésimo do segundo, em  que projetamos, permanentemente, a nossa vida profissional, familiar, social, coletiva, etc.

Os nossos projetos diários são, pois, condicionados pelo tempo – sucessão (de 24 horas) dos dias e das noites.
Com efeito, Tempus fugit – O tempo foge. Foge-nos, incessantemente, sem o podermos fazer parar.

Platão diz que o tempo é a imagem móvel da eternidade (Timeu).
Ora, se não podemos fazer parar o tempo nem tão pouco aumentá-lo, ele é o instante entre o antes e o depois, o presente e o devir, resta-nos, apenas, saber aproveitá-lo, ou seja, saber geri-lo de modo a podermos concretizar, nesse limitado espaço temporal de que dispomos, senão, todos os nossos projetos, pois que a própria vida é um projeto em aberto,  pelo menos, os nossos primordiais projetos.

Agarremos o tempo que temos, este tempo, que é de mudança, para unidos podermos criar a suficiente energia  de modo a concretizarmos o projeto  primordial de nossas vidas em comunidade sendo mais humanos e solidários na construção de uma sociedade  justa e fraterna.
                                                                     «»
                                                                                Zélia Chamusca

 

sábado, 9 de abril de 2016

ÊXTASE


            
      
                                   

Na imensidão do mar vejo o Uno indivisível,
infinito e absoluto, primordial unidade,
transcendência em  que me perco e me encontro,
sinto-me,  no Todo, parte da realidade.
 

Procuro outra direção na contemplação,
uma outra face, sair da beleza sensível
e olhar para o que é verdadeiramente belo,
numa elevação p’ra  beleza inteligível.

 
Sinto o belo inefável, sobrenatural,
que é encantamento, que é prazer, que é  elevação,
é  total arrebatamento espiritual,
suprema felicidade,  é sublimação,

 
é libertação, êxtase, purificação,
é beleza suprema é serenidade,
é o próprio encontro do ser consigo mesmo,
na busca da sua ontológica unicidade.
                               «»
                                     Zélia Chamusca


Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea   
Entre o Sono e o Sonho
Vol. VII - Tomo II
Chiado Editora
 

sábado, 26 de março de 2016

Cristo Ressuscitado

                           



Cristo Ressuscitado

Transmitiu-nos seu legado:

 

Dou-vos um Mandamento Novo:

Que vos ameis uns aos outros

Como eu vos amei.

 

Cristo Ressuscitado

O amor proclamou

E aos pobres

A Boa Nova

Anunciou.

 

Cristo Ressuscitado

Deu aos presos libertação,

aos oprimidos consolação,

Ao cego deu a visão,

A prostituta beijou

E as criancinhas, junto A Si, chamou.

 

Cristo Ressuscitado

É símbolo de Amor e Vida,

Fulcro da Mensagem transmitida.
 

Cristo Ressuscitou!

 

Como é digno e louvável

Festejemos este evento inolvidável!

Aleluia!

                                «»

                                     Zélia Chamusca
 
Fonte de imagem - Google

 

quinta-feira, 10 de março de 2016

Lição de Afetos e Paz

         
          



Professor Marcelo,
Nosso Presidente,
um ato tão belo!
Como és diferente…

Eu não votei em ti,
eu não acreditei,
mas, pelo que eu vi
eu me emocionei.

E pelo que vi
no que demonstraste
eu bem compreendi
porque tu ganhaste.

Mensagem mais bela
que jamais eu vi,
nobreza singela
que ontem eu vivi!

Uma união de povos
e de religiões,
de velhos e novos,
todas as nações!

Foi única a tua festa
de alegria e esperança,
nunca manifesta,
não tenho lembrança…

No mundo selvagem
surgiu a luz da esp’rança,
na bela mensagem
de paz e bonança.

Não mates a esp’rança
que o povo merece,
mas mata a lembrança,
que o passado esquece…

Foi grande a lição
que só tu és capaz,
na nossa nação,
de afetos e paz!
           «»
                     Zélia Chamusca

                 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Um Conceito de Ética

Por Zélia Chamusca



                                                               

A ética fundamenta-se em princípios estruturantes numa relação de alteridade assente no reconhecimento do outro, no direito à diferença, no conceito de dignidade da pessoa humana e no bem comum. Por outras palavras, é uma partilha de alteridade, através da consciência social espontânea na procura  coletiva do bem a favor da sociedade.
O termo alteridade tem origem no termo latino “alter” que significa o outro, sendo o conceito de alteridade  a qualidade ou o estado do que  é diferente.
Este conceito, alteridade, parte do  pressuposto de que o homem enquanto ser social interage e interdepende do outro.
Ora, numa sociedade em que se perdem os princípios, atrás referidos, estruturantes numa relação de alteridade, perde-se, concomitantemente, a ética.
Uma sociedade sem ética é uma sociedade acéfala e desorganizada, desconectada de reflexão sobre o sentido da vida em sociedade.
Na nossa sociedade, dita democrática, no século XXI, comportamo-nos numa postura ética de alteridade fundamentada na dignidade da pessoa humana, na subjetividade e diversidade do outro?
Não. Nem na nossa sociedade nem em lugar algum do planeta, nas sociedades ditas desenvolvidas, o homem se comporta numa postura ética face à alteridade. E, é esta a realidade, o contrário é mera fantasia poética.
O homem, o ser humano é igual em todo o lado, independentemente da sua cultura. Em todas as sociedades existem os conceitos de bem e de mal, de alteridade, do direito à diferença do outro e a consciência da necessidade de com ele interagir e interdepender. O homem, ser humano só o é em termos de relação com o outro e nunca isolado, contrariamente seria uma abstração.
Ora, se assim é, porque é que, principalmente, nas sociedades modernas não existem princípios de reconhecimento do outro, relações de alteridade que visam o bem comum e o direito à diferença?
Hoje, dificilmente alguém se coloca no lugar do outro, numa relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes.
Os relacionamentos não se estabelecem em termos de alteridade, no sentido do dever ser, na procura do bem comum em favor do outro, da coletividade; mas antes, tendem a libertar-se da obrigação moral de solidariedade, levando cada um a pensar, apenas, em si próprio.
A alteridade deu lugar ao individualismo que, tendendo a debruçar-se, exclusivamente, sobre si próprio, afastando-se de toda a solidariedade social condenou a ética ao niilismo, ao nada.
Neste niilismo impera a destruição de todos os princípios que regem as relações humanas numa sociedade justa e fraterna.
Como se vive ou sobrevive numa sociedade sem ética?
Vive-se numa alienação total de desorganização onde paira a destruição pela corrupção a que chamam crise.
Sim. É crise mas não de dinheiro porque ele existe, mal distribuído, apenas nos bolsos de alguns.
É, sim, uma crise de valores no mundo e na sociedade em que vivemos.
Crise significa rotura, desequilíbrio que tende ao equilíbrio, é mudança. É sempre nestas situações de crise que surgem as grandes transformações.
Resta, pois, a esperança de que com os fundamentos éticos duma sociedade organizada e democrática, visando um relacionamento numa prática de alteridade em favor dos mais desfavorecidos, surja uma nova forma de convivência social baseada nos verdadeiros princípios éticos de respeito pelo outro, pela diferença e pela dignidade da pessoa humana.
                                                                «»
                                                                   Zélia Chamusca