quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Liberdade Implica Responsabilidade




Jean Paul Sartre é o fundador do existencialismo ateu com a obra L'Être et le Néant, O Ser e o Nada, escrita em 1943.

Segundo a sua doutrina, o existencialismo ateu, a existência precede a essência, contrariamente à dos anteriores existencialistas cristãos que defendem que a essência precede a existência. 

Esta essência primeira pressupõe a existência de um Deus, Essência.  Deus é Essência, é princípio e fim de tudo, mas, para Sartre, Deus não existe (dizem), antes, ele põe de parte a existência de Deus para justificar a sua doutrina existencialista, o existencialismo ateu.

Segundo Sartre, como atrás referi, a existência precede a essência, ou seja, o homem primeiro existe e só depois vem a ser, isto é, se define ao longo da sua vida enquanto responsável por ela e por todos os seus atos através da liberdade, da liberdade de escolher e decidir. E ao fazê-lo torna-se responsável por ele próprio e pelo mundo.

Pretendo, apenas, realçar, aqui, que o existencialismo sartriano concede importante relevo à responsabilidade. O homem (o humano)  é o único responsável pelas suas escolhas, pelas suas decisões, ou seja, somos nós que respondemos pelos nossos próprios atos e que somos responsáveis pelas consequências das nossas decisões.

Cada uma das nossas escolhas ou decisões provocam mudanças, no nosso projeto pessoal e no mundo, que se tornam imutáveis.  Assim, perante a liberdade que temos em escolher ou decidir tornamo-nos, não apenas, responsáveis por nós próprios,   mas também, por toda a humanidade.

Poderemos interpretar no contexto  da liberdade que implica responsabilidade a célebre frase de Sartre -  “O homem tem o peso do mundo às costas”. É exatamente porque o homem tem a liberdade de escolher e decidir ou simplesmente,  não decidir, que tem o peso da responsabilidade pelo que acontece no mundo.

Feita esta breve exposição sobre a temática central da obra L’Être et le Néant  falo-vos da influência que teve na minha personalidade o  estudo ou, mais propriamente,  a análise e reflexão, (pois a filosofia não se estuda; pensa-se), desta importante obra pela qual sempre me senti fascinada e marcada na minha forma de ser, de pensar e de agir.  
Esta obra, L´Être et le Néant, foi por mim lida, pensada, refletida e trabalhada tendo o referido trabalho sido apresentado ao Professor Catedrático, Oswaldo Market,  meu Professor no 2º. ano de Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.

Digo-vos, sem presunção que o Professor, Oswaldo Market, disse-me:  muito bem, vejo que pensa, pois, existem muitos comentários sobre a obra mas não traduzem o pensamento de Sartre.

Talvez venha, ainda, a publicar este o meu trabalho universitário a que aqui me refiro.

A partir da análise e reflexão sobre o pensamento de Sartre, toda a minha vida tem sido marcada por este grande pensador cuja doutrina  incutiu em mim grande parte da força, persistência e tenacidade que possuo.

Esta doutrina da liberdade enquanto responsabilidade marcou-me  de tal forma que nunca deixo de incentivar os outros a que se determinem, que se definam, essencializem, através de sua força interior, no sentido do ser e do ter. Só depende de nós virmos a ser o que gostaríamos de ser e de ter.

Não podemos, porém, cruzar os braços à espera que as coisas aconteçam, não, temos que trabalhar para isso, para o que queremos ser e queremos ter e, sobretudo, para o que queremos ser no mundo. 

Sartre diz-nos, ainda, que à custa de querermos ser acabamos por ser. Incute-nos determinação, força para viver e ser.

A minha vida tem sido pautada por esta determinação e força de viver, fruto  não só do conhecimento filosófico, mas, fundamentalmente, do saber de experiência feito, o saber vivido.

Pensemos nisto e saibamos ser mais, ser mais humanos, mais justos e solidários para que vivamos num mundo melhor, de paz e fraternidade.

                                                                                                                                                                                                                                        Zélia Chamusca

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Chegada a Mudança



  

Já surgiu a esperança
A luzir no olhar
Sorriso discreto
No rosto a brilhar

Voltou a bonança
Veio p'ra ficar
Um perfil correto
Não tarda a chegar

Chegada a mudança
Podemos confiar
Que o caminho certo
Iremos trilhar

Tenhamos confiança
Que o sol vai brilhar
E um amor dileto
Iremos firmar.
         «»


                

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Abaixo, abaixo!








Abaixo, abaixo!
Abaixo, que basta!
de encher bem o tacho
já cheio à farta!

Abaixo, abaixo!
Não à exploração!
Só o pobre, mais pobre
paga a corrupção!

Abaixo, abaixo!
Sofre o indefeso
e o rico a gozar
bem cheio, obeso!

Abaixo, abaixo!
Estão a tremer,
cobardes com medo
do tacho perder!

Abaixo, abaixo! Já!
Porque o Povo unido
sempre vencerá!
            «»
               
             Zélia Chamusca
                2015-11-10





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Saudade do sonho que sonhava...




Tenho saudade de tudo…
Saudade do que quis,
De tudo o que fiz,
De como me vi a mim
E vos olhei a vós,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade da vida que vivi,
De tudo o que senti
E que com os olhos da alma vi,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Do ar que respirei,
Dos sonhos que sonhei
E concretizei,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade do querer,
Do querer ser,
Do que cresci
E do que construí,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade da beleza,
Da gentileza,
Da cultura,
Da postura
De tantos senhores
Que conheci,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade do cheiro
Que emanava das flores
E que perfumava o ar que eu respirava…

Saudade do sonho que sonhava…
                       «»



Poema de - Zélia Chamusca
Da obra  - Um outro olhar
 (a publicar)
                              

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Para os vacilantes



Perderam a máscara
os comediantes.
Ainda estás à rasca
entre os vacilantes?

Não tenhas mais dúvida,
há outro caminho.
Segue nova vida,
não estás sozinho.

Abre a tua pestana,
depois não te queixes,
se qualquer sacana
te lixar. Não deixes!

Olha a tua postura
face à situação…
Causar a rotura
está na tua mão!

Vamos de mão dada
para a luta unidos,
fora co ’a cambada!
Vão todos corridos!

Preciso é romper
esta situação!
Abaixo o poder
p’ra bem da nação!
            «»

                  Zélia Chamusca

sábado, 12 de setembro de 2015

Tanto aparato para tão pouco...


         


Luzes a brilhar,
vestes a rigor
seduzem o olhar
de pleno esplendor!

Há gente que espera
plena de esperança
mensagem sincera
de muita confiança.

Tantos a escutar
o que nada diz,
neste confrontar
de quem contradiz.

É um faz que faz,
é um diz que diz,
mas, nada se faz
do que diz que diz.

Disputa cerrada
que se está a ver,
de nada p’ra nada
só pelo poder!

Foi grande o confronto
e a desilusão
mas um marcou ponto
e só o outro é que não.

Da desilusão
do povo que espera
surge a reflexão
de sonho e quimera.

Sai da escuridão
das luzes sem brilho!
Fora a exploração!
Segue reto trilho!

Não cruzes os braços!
Iremos vencer!
Fora c'os palhaços!
Só  querem  poder!
                «»

                Zélia Chamusca   


Fonte de imagem - Google              

                               

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Metáfora




Metáfora,
És sentido
De aparente sem sentido,
Contido
Na profundidade
Da poética
Criatividade!

És ornamento,
Embelezamento,
És o encanto
Do meu canto,
Num mundo imaginário
De ideias,
Em que me transportas
À linguagem mais sublime
Em que a poesia se define.

És veículo do sentimento,
Das paixões,
Das emoções.

És a imagem mais bela
Que surge na imaginação
Em que se conceitualiza
O pensamento
E se concretiza
Na comunicação
Definindo-se na expressão,
Em profundidade,
Sem limite à criatividade
Em que se exprime
A arte mais sublime,
A linguagem mais rica
Que fica
Para a Eternidade!...

             «»

                Zélia Chamusca


Da obra - Um Outro Olhar
A publicar

Publicado na revista - A Chama
Ano II Nº. 10