Por
Zélia Chamusca
O conceito de liberdade foi,
ao longo dos séculos, desde os Gregos até aos nossos dias, usado de maneiras muito
diversas e em contextos diferentes.
Existem tantos conceitos de
liberdade quantos os contextos em que o conceito de liberdade se insere.
Não irei falar disso porque
seria um nunca mais acabar.
Direi, contudo, que tudo o
que pertence à ordem da liberdade pertence à ordem da razão. Liberdade implica
responsabilidade.
Nós só somos livres enquanto
seres racionais, dispostos a agir como seres racionais, isto é, agindo em
consciência.
Hoje, porém, vivemos num
mundo em que a liberdade se perde, sem que sequer se pare para pensar antes de
agir.
Deixamo-nos conduzir como gado
para o “gate” da destruição do próprio ser em que o pensamento se esvai nas
teias complexas de conceitos de falsa liberdade:
Ser livre é fazer o que se
quer;
Ser livre é escolher, é
optar a favor dos interesses próprios;
Ser livre é andar na moda
usando o mesmo tipo de vestuário;
Ser livre é fazer as mesmas
leituras, ouvir as mesmas músicas ou ir para o cinema comer pipocas;
Ser livre é exibir o melhor
equipamento tecnológico, Tablet, Smartphone, Smartwatch ou outro;
Ser livre é pensar da mesma
forma, segundo parâmetros sociais impostos quer através da permanente
publicidade dos mídia, quer através de ídolos que a sociedade cria e que muitas
vezes, intencionalmente, servem para alienação das massas, contribuindo para a
ausência da razão numa encefalopatia humanitária provocada pela falta de
oxigenação da mente adormecida nas brumas negras e complexas da falsa liberdade
que conduz à destruição;
Ser livre é deixar-se viver
igual aos outros fazendo o que se quer mesmo que isso ponha em causa a
dignidade do outro;
Ser livre é agir ignorando
os valores morais e, fundamentalmente, os valores universais;
Ser livre é, impunemente,
roubar, explorar, destruir, numa luta feroz indigna dum ser humano, numa
sociedade em que cada um age a seu favor desrespeitando e injuriando o outro;
Ser livre, hoje, é lutar
pela supremacia do poder quer material, quer cultural numa sociedade corrupta e
desorientada.
Vivemos na liberdade perdida
numa crise de valores e de pensamento.
Vivemos numa sociedade em
rotura de mentalidades e de relações comportamentais indignas do ser humano na sua interação com o outro e com o mundo.
Torna-se necessária uma rotura
total dos falsos valores da liberdade para que se reencontrem os verdadeiros valores
perdidos numa sociedade alienada e cega, deambulando nas sombras da inconsciência
levada pelo egoísmo e pela corrupção.
Vivemos em crise económica
(alguns) porque vivemos em crise de
valores.
A crise implica mudança de
mentalidade e de comportamento em sociedade.
A liberdade é a base da
essência, isto é, nós somos livres em sermos o que quisermos ser, em nos
definirmos.
Por outras palavras, nós escolhemo-nos
a nós próprios e ao escolhermo-nos escolhemos o que nós próprios vamos causar.
Parafraseando o filósofo
Jean-Paul Sartre, “o homem tem o peso do mundo às costas”. Com efeito, o homem é
responsável pelo mundo, isto é, pelo que causa no mundo.
Liberdade implica
responsabilidade agindo em consciência e respeitando o outro.
Quando escolhemos,
escolhemos em consciência. Liberdade é agir em consciência distinguindo o Bem
do Mal, valores universais, e caminharmos no sentido do Bem não nos deixando
conduzir por “praxis” sociais de alienação das massas, repito, sem sequer
pensarmos no que fazemos, no que causamos ao outro, a nós próprios e à
sociedade.
Ouvimos, frequentemente,
falar em liberdade de expressão e entendemos que esta liberdade é dizer tudo o
que nos vem à cabeça, inclusivamente, injuriar e ofender o outro. Não, não é. A
liberdade tem como limite o respeito mútuo.
A liberdade de expressão é o
direito de livremente manifestarmos opiniões, ideias, pensamentos sem pôr em
causa o direito à dignidade do outro, contrariamente poder-se-à incorrer na
prática de crime sob a forma de abuso de poder.
Ser livre é respeitar o
outro tal como ele é, na sua cultura na sua forma de pensar e agir. Ser livre é
agir em consciência respeitando-nos uns aos outros.
Ser livre é definirmo-nos
sendo o que quisermos ser, agindo em consciência sendo úteis à sociedade em que
estamos inseridos, não obstante seguirmos por caminhos diferentes, cada um de
nós pela estrada da própria vida, mas, com o fim único – A construção de um
mundo de paz, amor e fraternidade.
Zélia Chamusca
Género - Ensaio
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