sábado, 5 de abril de 2014

A Cartilha Paternal





Todos seguem a cartilha,
A cartilha paternal,
Pedagogia da pandilha
Donde brota, apenas, mal.

Do mal que nos toca a nós,
Mais frágeis, desprotegidos.
Eles se vingam de nós,
Sempre os mesmos atingidos.

Não têm imaginação
A não ser seguir o mal,
Continuando a destruição
P’la cartilha paternal.

É sempre a mesma conversa,
Uma completa aldrabice,
Pois, cada um o mesmo versa:
Ora disse, ora desdisse.

Não se pode acreditar
Na cartilha que eles seguem
Iremos ter que a rasgar
Pois, sempre os mesmos perseguem!
    
                                                       «»

Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A Segunda Mensagem - Para um Mundo Melhor
A editar

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cortes




O Governo corta, corta,
Porém, corta tão enviesado,
Que vendo a linha tão torta;
Vai cortar para outro lado.

Corta, corta, nas reformas
Só corta aos velhos, às cegas,
Não segue nenhuma norma  
Só tu, pobre, é que carregas.

Finalmente, já pensou
Que tem noutros que cortar,
Aos ricos já decretou
Terem mais que descontar.

E essas reformas douradas
P’ra não virem a acabar
Serão mesmo descontadas
Verbas p’ra complementar.

Complementar os descontos
Que serão de quarenta anos
Não mais enganar os tontos
Que descontam tantos anos.

Para todos há equidade
Isto é uma democracia
Onde está a moralidade?
Se em direitos diferencia?
                «»


                         Zélia Chamusca


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terça-feira, 1 de abril de 2014

Amor sive Energia

Por Zélia Chamusca

O amor não é sexo; o amor é energia que deve ser aproveitada para sublimação, elevação do espírito.
Devemos aproveitá-la na criatividade, na arte, na ciência, na elevação espiritual; se a utilizarmos no sexo reduzindo-a ao prazer momentâneo meramente animal, esta energia perder-se-á  e em nada se elevará.
Se a utilizarmos no intelecto não se perderá, antes se eternizará  porque transformada em sublimação.
O filósofo Platão diz que "o amor é um pulso ascensional da alma rumo à sabedoria".
Com efeito, é esta energia, o "pulso ascensional da alma" que é origem de tudo, de tudo o que criamos à imagem de Deus.
Para Santo Agostinho Deus é Amor.
Neste contexto, Deus, Criador de toda a Natureza, é a Suprema Energia donde nós emanamos pela obra da Criação para que, à Sua imagem, possamos pela mesma energia participar na obra da criação, através do amor, energia, tal como Ele que por Amor se fez Artificie Supremo de toda a Criação.
É nesta dialética que nos poderemos sentir realizados, sublimados pelo Amor, força ascensional, a energia, o verdadeiro Amor.
Elevarmo-nos através desta energia que existe dentro de nós é amarmo-nos a nós próprios.
E só amando-nos a nós próprios poderemos amar o outro.
Quem não se ama a si mesmo não poderá amar nada, ninguém.
Em suma: não será feliz.
É fácil analisarmos as expressões daqueles que nos torturam presentemente, neste mundo tão inumano e cruel, como tanta crueldade realça de suas expressões. Eles não amam as pessoas porque não se amam a eles próprios. Pretendem encontrar a felicidade através da ambição querendo tudo só para si e acabam por ser e  sentir-se os seres mais miseráveis que existem no mundo enquanto pretendem o mundo só para si.
Tentemos, pois, começar por nos amarmos a nós próprios aproveitando esta energia para nos elevarmos e elevarmos os outros através da sublimação deste amor, o amor puro e verdadeiro.
                                                   «»

Ensaio Filosófico de - Zélia Chamusca

quinta-feira, 27 de março de 2014

Fazer Amor?

By Zélia Chamusca


O amor faz-se?
Não. O amor é uma busca  incessante ao encontro de si mesmo.
É a necessidade de nos complementarmos por não o encontrarmos dentro de nós. É uma carência da alma. Contudo, tendemos sempre a encontra-lo na criação, no objecto que encontramos ou que nós próprios produzimos, sendo que, nunca suprimos a carência na concretização do objeto do amor, mas sim na procura do mesmo objeto.
Exemplo disto é o que acontece com o artífice, o escultor, o pintor, o artesão, o escritor, com todo e qualquer produtor de arte, em relação ao que cria.
Daí que o artista nunca esteja satisfeito com a obra criada e procurar sempre mais, criar mais.
Outro exemplo, o poeta quando fala de amor, é sempre de um amor insatisfeito, duma insatisfação afetiva, duma carência espiritual, duma necessidade não satisfeita.
O amor é a busca para nos ultrapassarmos a nós próprios, nas nossas carências, encontrando o objecto de amor na nossa própria e progressiva realização.
A ideia de o encontrar no outro, em algo que supra as nossas carências afectivas e espirituais, ou a busca da complementaridade, resulta, vulgarmente, em fracasso, porque se vê no outro o objecto do amor quando o que se pretende é o próprio desejar na busca para o encontrar. Isto é, vemos o outro como  o objecto do amor com vista a suprir a nossa necessidade quando o que, na realidade pretendemos é a satisfação na busca infindável para o encontrar.
Sintetizando: o indivíduo não ama amar o outro, ele ama a "coisa, o outro". Este é o motivo do fim de qualquer relação. Amar o outro não é amor, pois, amor não é posse.
 Amar é a necessidade de amar e a busca de suprir essa mesma necessidade.
Como atrás referi, o artista, aquele  que cria,  cria por amor mas, nunca está satisfeito, nunca está realizado e vive, permanentemente, na procura dessa realização, o encontro do objecto do amor, não sendo o próprio objeto o fim último mas, sim, a necessidade da busca para o encontrar.
Por outras palavras, o amor é uma carência que impulsiona alguém à busca interminável da satisfação pela supressão duma carência.
É tão complexo, como complexo é o ser humano.
As pessoas que agora têm  cinquenta e tais, sessenta anos, viveram uma juventude em que se partilhavam ideais, sonhos, sentimentos, valores e se privilegiava a cultura.
Quando existem ideais comuns, as diferenças de personalidade continuam a existir mas, existindo essa partilha de ideais, existirá  sempre um elo de união que ajudará a suprir certas carências da alma, que, são componentes indispensáveis numa relação estável.
Hoje, já não se partilham ideais e, por isso, infelizmente, os relacionamentos são difíceis e pouco estáveis; as pessoas, repito, já não partilham ideais e os afetos perduram pelos ideais e não pelos objetos.
Voltando ao tema que serviu de título a este artigo, quando se fala em ”fazer amor” utiliza-se uma expressão muito errónea que significa prática do ato sexual, comum a todos os animais.
É instinto natural em todo o ser animal, é necessidade biológica, é impulso natural com fim à procriação, à preservação da espécie, não é amor e muito menos “fazer amor” porque, o amor não se faz.
O amor é busca incessante que visa o preenchimento duma carência da alma, dum sentimento, é a busca do mais sublime -  sentimento primeiro que nos falta e que incessantemente procuramos.
                                                                 «»
                                                                             
                                                                                 

Ensaio filosófico de -Zélia Chamusca

quarta-feira, 26 de março de 2014

Os Malabaristas (Part Two)




Já chegaram os malabaristas
ao palco da disputa
numa grande luta
de mentes inteligentes
em falácias permanentes.

Começou pelo poder a disputa
do trio na grande luta.
Já fizeram conluio,
o mesmo projecto assinaram
e os dois bem se calaram…

Não se deixem iludir
nesta ditadura
entre todas a mais dura
sonhando com a democracia
que, por fatal ironia,
morreu logo nascitura,
ou seja,
nem chegou a nascer,
pior que,
nado morto, tudo torto,
que convence as mentes
ilusórias, patológicas, doentes,
sonhando com a democracia
vivendo em ditadura,
dura, cruel e desumana,
de déspotas de mente insana!

Não se deixem iludir
com o trio já formado
porque eles só servem
para cortar o ordenado
e roubar o reformado
para dar ao capital
gerador de todo o mal!

Mas vós, que não sois,
dizem eles,
despesa do estado,
nem a crise originastes,
ou se sois
dos que fogem ao fisco,
não tendes qualquer risco
e ainda sereis premiados
com benefícios fiscais
e outros, muito mais,
não se importem…
que eles vão cortar para outro lado.

Vão, votem nestes malabaristas,
porque não vos toca a vós,
parece que neste vai e vem
não há nunca mais alguém
que venha quebrar
o ciclo fatal
dum eterno retorno,
a origem de todo o mal…
Sim…Votem nos mesmos
dando continuidade à ditadura
que, há quarenta anos perdura,
porque, assim, não vos toca a vós,
apenas, sofrem os mesmos!...

                    «»

                                 Zélia Chamusca







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domingo, 23 de março de 2014

Consumatum est






Vai ser mesmo memorável
Este tratado do trio
Na divergência insanável!
Parece mentira… Rio!

Eu rio porque é preciso
Tanta besteira aguentar
É tanta a falta de ciso
Nesta gente a falar!

Estão os três no mesmo embalo
Todos querem o poder
Contentes que é um regalo
São os mesmos a vencer.

Agora é que cantas tu
Depois cantas tu mais eu
O rei vai nu! O rei vai nu!
O esperado aconteceu!

O povo está condenado
P´los que a crise originaram.
O tratado foi assinado
Mas os dois bem se calaram.

Finou. “Consumatum est”
O tratado orçamental
Que saiu dum cafajeste
Para salvar Portugal!

Pensa o trio que nos engana,
Mas, só não vê quem não quer
Que todo e qualquer sacana,
Apenas, o poder ele quer!

É assim, que ele engana o povo,
O trio que já se formou,
Não fará nada de novo;
O tratado ele assinou!
               «»

                    Zélia Chamusca



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sexta-feira, 21 de março de 2014

A crise custa a todos...



Vão reduzir efectivos

na Assembleia da República,

mas, não só os deputados,

também no executivo,

vão reduzir assessores,

e outros doutores,

secretários e ministros.

E aos que ficam

a todos vão reduzir ordenados

e também aos deputados…


A crise custa a todos…


Vão cortar no almoço.

Não precisam comer tanto,

do bom e do melhor:

Caviar, lagosta e lagostim,

em todos os dias há festim…


A crise custa a todos…


Não haverá mais subsídios

de férias e de Natal

pois, também, têm que conhecer

o que é doloroso sofrer,

e, ficarem a saber

o mal que causam aos reformados

que são tão espoliados…


Sim, são os reformados

que alimentam o exagero

da Assembleia e Executivo:

Por cada refeição de luxo

pagam, apenas, trinta por cento

e os restantes setenta por cento

paga o reformado

com o que lhe é roubado!...


A crise custa a todos…


Vão cortar nas subvenções

porque ao pobre

que trabalhou e descontou

quarenta anos ou mais

já levaram os tostões…


 A crise custa a todos…


Vão todos trabalhar mais

e comer menos

não só uns a pagar

a crise que eles causaram

porque a gastar de mais eles andaram…

A crise custa a todos...

               «»



Inspirado no artigo:


http://maiortv.com.pt/isto-nao-e-o-dubai-e-a-assembleia-da-republica/

Poema de - Zélia Chamusca
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