por Zélia Chamusca
Nestes conturbados tempos em que vivemos, governados pelo
egoísmo e insensatez, tenho ouvido falar tanto de que não há pobreza em
Portugal e que quem se queixa não é pobre.
Os que se queixam fazem-no porque, apenas, pretendem
disfarçar sua riqueza, isto é, proteger o que é seu. Isto eu ouvi, ontem, dia
17 de Novembro de 2013, no Canal1 RTP. Todos pudemos ouvir.
Esta insensatez e desumanidade têm vindo, alegadamente,
de várias fontes da sociedade portuguesa, desde o poder governamental e
político até algumas instituições de solidariedade. Todos temos ouvido, ou não?
Todos ouvimos só não ouve quem não quer e por isso não me permito aqui referir
os autores e difusores desta ideia, de que somos todos ricos.
Ontem, repito, dia 17 de Novembro de 2013, todos pudemos
ver e ouvir na TV Canal 1, na televisão estatal, paga por nós, um dito, não há
adjectivo que possa definir um … assim…
A imagem que eu vi lembrou-me um autêntico demónio vindo
das profundezas dos infernos, e, há muitos outros seguindo as mesmas pegadas.
Só pode ser, efectivamente, repito, só pode ser um
verdadeiro demónio que todos conhecemos e que se diz cristão e é neoliberal
como todos os que nos desgovernam governando-se.
Argumentava o seguinte:
"Não há pobres em Portugal, não há reformados pobres e os
que se queixam não são pobres, fingem que são. Os verdadeiros pobres não se
queixam."
Tem razão os verdadeiros pobres não se queixam, mas não
por não haver pobres. É que estes, os mais pobres, que, infelizmente, já são muitos,
a debilidade é tal que não têm condições nem físicas nem intelectuais para se
poderem queixar, manifestar, agir correndo com estes desumanos, criminosos que destruíram
toda a economia portuguesa e nos estão a espoliar a nós reduzindo todos à
miséria!
Sim, não agem porque a carga da injustiça, da
desumanidade, neste mundo egoísta é tal que os destrói totalmente
incapacitando-os física e moralmente privando-os de viver com dignidade,
reduzindo-os a autênticos farrapos humanos!
Dizia, ainda, que:
"Aumentar o salário mínimo é criminoso
porque iria reduzir o emprego e seria estragar a vida dos pobres."
Não posso entender como é possível, neste país da Europa
onde o salário mínimo é o mais baixo em toda a União Europeia, se preconize redução
de salário e corte nas pensões de longa duração (aumentando as deles de curta duração,
com 8/12 anos de descontos para reformas douradas, algumas moralmente escandalosas).
Irei rezar para que, se os humanos não fizerem justiça
por suas mãos, que Deus a faça e que mande estes preconizadores desta doutrina
esclavagista, cruel e desumana, o neoliberalismo, que os mande, repito, viver, com o salário mínimo, debaixo da ponte.
O que estes doutrinadores, que se governam, preconizam
para a solução da crise, que eles criaram governando-se, e, que já estão a
implementar em Portugal:
Princípios básicos do neoliberalismo
- Mínima
participação estatal nos rumos da economia do país;
- Nenhuma
intervenção do governo no mercado de trabalho a não ser
privatizar empresas, reduzir
salários e aumentar a carga horária e idade
da reforma;
- Política
de privatização de empresas estatais;
- Destruição do estado social;
- Abertura da economia à entrada de multinacionais;
- Diminuição do tamanho do estado, (serviços públicos);
- Aumento excessivo da carga fiscal aos cidadãos comuns;
- A base
da economia formada por empresas privadas;
- Financiar serviços privados com dinheiro públicos;
- Defesa
dos princípios económicos do capitalismo.
É isto que queremos?
Neste Natal, irei pedir ao
Menino Jesus, para que quem tem poder para agir, o faça, isto é, que destrua
este governo antes que nos destruam totalmente a nós.
Os mais pobres, que são muitos, de facto não têm voz
porque estão impedidos de protestar pela sua extrema debilidade moral e física
em que se encontram, causada por tanta tortura desta sociedade injusta, cruel e
desumana!