sábado, 2 de novembro de 2013

É só gamar, só gamar!





É só gamar, só gamar!
Só ao indefeso vai furtar...
Eu nunca vi coisa assim…
Será deles ou de mim?...

É só gamar, só gamar!
Eu nunca vi nada criar…
É gamar ao reformado
E aos de baixo ordenado!

É só gamar, só gamar!
Eles saem a rebentar,
De barriga plena, cheia,
Destruindo a vida alheia…

É só gamar, só gamar!
Não param, de se fartar,
Só causam destruição
Roubando aos pobres o pão!


É só gamar, só gamar!
Só os indefesos atacar,
Não condenados p’la lei;
Serão vencidos p’la grei!

              «»
Da obra - Um Mundo Melhor
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora

Fonte de imagem - Google

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Morte




 

 Tua imagem é horrenda,
 Tremenda,
 De total destruição,
 Pois, levas nossos amados,
 Finados…
 

 Levas nosso coração!... 
 

 És negridão,
 És ausência de cor,
 És dor,
 És desamor,
 És sofrimento, paixão,
 És solidão!...
 

 És a tristeza,
 És bruteza,
 És dor,
 És caos perturbador!...
 

 És fim…
 

 É preciso ter fé e acreditar,
 Para a dor eu suportar,
 Que és transmutação
 E não morte…
 

 Que és princípio,
 És renovar…

     


 
 
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Malabarista da Palavra






Há tanto malabarista,
malabarista da palavra
manipulada, deturpada,
levianamente lançada
e levada pelo vento
que sopra em descontento
como num agre tormento!



O espectador
conhece bem o ator
que se exibe  sempre

no mesmo palco,
no circo do asfalto,
nas feiras de verão,
sem qualquer inovação,
onde só  com beijo e abraço
sempre no mesmo encalço
de, sem qualquer pudor,
enganar o espectador
já cansado do despudor!


Sucedem-se uns aos outros
seguindo as mesmas pegadas
sem qualquer imaginação
não mudando a atuação,
rastejando pelo chão
para gaudio da multidão!


E, continuam teimosos,
não valentes, temerosos,
seguindo as mesmas pegadas
na única linha traçadas,
persistindo em confundir,

quem já não se deixa iludir

com palavras ao vento lançadas,
enganando o cidadão
com uma única intenção:


Apenas, conseguir obter
o domínio do poder
usurpando o cidadão,
que, não ri, não,
nem acha graça,
porque o malabarista
não trabalha de graça
e porque com a sua atuação
já cansado o cidadão
por ser tão enganado 
chegou à exaustão!

E quando da nova parada
do circo da palhaçada,
já não haverá palavra

falsamente manuseada
que ao malabarista valha;
já cansado o espectador
correrá com o ator
e toda esta esta canalha!
                                                      «»                

                                          Zélia Chamusca
Da obra  - UM MUNDO MELHOR
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Estado de Vilanagem







Aprendi que a trabalhar
Seria útil à sociedade,
Agora, basta-me olhar
P’ra ver outra realidade.

Há neste velho país
Uma tão grande indecência,
Nada tem com o que fiz
Da minha vida a vivência.


Trabalhei para construir,
No caminho que tracei,
O que vim a conseguir
Que é fruto do que ganhei.


Ganhei-o com trabalho honesto
No caminho então traçado,
Agora, tudo é funesto…
Chegámos a este estado:

Estado de vilanagem
Que, apenas, é destruição
Causada pela pilhagem
Que tira aos pobres o pão!
              «»


Autora - Zélia Chamusca
Da obra -  UM MUNDO MELHOR
Chiado editora
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Perdeu-se a ética







 Perdeu-se a ética
na ausência da moral
na conduta humana,
no que concerne
ao Bem e ao Mal.
 

Perdeu-se a ética
na sensibilidade,
no pressuposto desconhecimento
face á sociedade.
Perdeu-se a moralidade!
 

Perdeu-se a ética
no pretenso paradoxo da verdade
dispersa na provocatória
 de mente ilusória,
ignorância da sociedade!
 

Perdeu-se a ética
na mentira exclusivista
da falsa certeza
do pensamento individual,
dum único ponto de vista,
entre alguns, exclusivista,
que é fonte geradora do mal!
 

Perdeu-se a ética
no engano desumano
da mentira,
em que certo humano
toma como certa
a presa atingida pela seta!
 

Perdeu-se a ética
na ausência do Bem,
flagelada pela presença do Mal
sob as lanças mortais
dos hominídeos atuais!
             «»
 
 
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

 

domingo, 20 de outubro de 2013

Passos e Passos


 

Tanto passo
No compasso
Da caminhada da vida
Na passagem
Para a outra margem...
 

São tantos, passos,
Passos e mais passos
Para a inatingível paragem…
 

Os passos de passos,
Constantemente, regridem
E incidem no mesmo alguém,
Sempre mais além...
 
De fracasso em fracasso
Nos passos, passos
Em compasso
Descompassado,
De fracasso em fracasso
Tão grande o cansaço
De passos pesados,
Que, desesperados,
Serão passos tombados!
                                                            «»          
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

domingo, 13 de outubro de 2013

Por Passos Torturados...


 

 Velhos, pobres e doentes

na rua cambaleando,

em lentos passos pesados,

caminham cansados

por passos torturados…

 

Velhos, espoliados,

esgotados e corcovados

em passos pesados…

 

Velhos na rua passando,

tristes, maltratados,

na lentidão dos passos,

carentes, esfomeados,

por passos magoados…

 

Velhos na solidão,

sofrendo a exclusão,

da injustiça humana

de gente insana,

para a pobreza mandados…

 

Velhos, pobres, doentes

carenciados e esfomeados,

caminham na lentidão

da morte que avizinham,

com fome, sem pão,

em passos pesados,

por passos torturados,

tristes e desrespeitados!...

 

Velhos, pobres e doentes

na rua descartados

como lixo da sociedade!…

 

Maldade!…
 
Vergonha desta sociedade!...

 

Foram estes homens,

agora, velhos,

pobres e doentes,

que com vida dura

vencendo a ditadura,

sustentaram

a atual sociedade

conferindo-lhe privilégios

que eles nunca puderam usufruir!

 

Estes homens,

agora, velhos,

pobres e doentes

são pela mesma sociedade,

atacados, desrespeitados,

espoliados e marginalizados!...



Maldade!...

Vergonha desta sociedade!...

                  «»
  
 
                
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -  Google