Há tanto malabarista,
malabarista
da palavra
manipulada,
deturpada,
levianamente lançada
e
levada pelo vento
que
sopra em descontento
como
num agre tormento!
O espectador
conhece bem o ator
que se exibe sempre
no mesmo palco,
no mesmo palco,
no circo do asfalto,
nas feiras de verão,
sem qualquer inovação,
onde só com beijo e abraço
sempre no mesmo encalço
de, sem qualquer pudor,
enganar o espectador
já cansado do despudor!
Sucedem-se uns aos outros
seguindo as mesmas pegadas
sem qualquer imaginação
não mudando a atuação,
rastejando pelo chão
para gaudio da multidão!
E, continuam teimosos,
não valentes, temerosos,
seguindo as mesmas pegadas
na única linha traçadas,
persistindo em confundir,
quem já não se deixa iludir
com palavras ao vento lançadas,
quem já não se deixa iludir
com palavras ao vento lançadas,
enganando o cidadão
com uma única intenção:
Apenas, conseguir obter
o domínio do poder
usurpando o cidadão,
que, não ri, não,
nem acha graça,
porque o malabarista
não trabalha de graça
e porque com a sua atuação
já cansado o cidadão
por ser tão enganado
chegou à exaustão!
E quando da nova parada
do circo da palhaçada,
já não haverá palavra
falsamente manuseada
falsamente manuseada
que ao malabarista valha;
já cansado o espectador
correrá com o ator
e toda esta esta canalha!
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Zélia
Chamusca
Da obra - UM MUNDO MELHORAutora - Zélia Chamusca
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google





