segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Perdeu-se a ética







 Perdeu-se a ética
na ausência da moral
na conduta humana,
no que concerne
ao Bem e ao Mal.
 

Perdeu-se a ética
na sensibilidade,
no pressuposto desconhecimento
face á sociedade.
Perdeu-se a moralidade!
 

Perdeu-se a ética
no pretenso paradoxo da verdade
dispersa na provocatória
 de mente ilusória,
ignorância da sociedade!
 

Perdeu-se a ética
na mentira exclusivista
da falsa certeza
do pensamento individual,
dum único ponto de vista,
entre alguns, exclusivista,
que é fonte geradora do mal!
 

Perdeu-se a ética
no engano desumano
da mentira,
em que certo humano
toma como certa
a presa atingida pela seta!
 

Perdeu-se a ética
na ausência do Bem,
flagelada pela presença do Mal
sob as lanças mortais
dos hominídeos atuais!
             «»
 
 
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

 

domingo, 20 de outubro de 2013

Passos e Passos


 

Tanto passo
No compasso
Da caminhada da vida
Na passagem
Para a outra margem...
 

São tantos, passos,
Passos e mais passos
Para a inatingível paragem…
 

Os passos de passos,
Constantemente, regridem
E incidem no mesmo alguém,
Sempre mais além...
 
De fracasso em fracasso
Nos passos, passos
Em compasso
Descompassado,
De fracasso em fracasso
Tão grande o cansaço
De passos pesados,
Que, desesperados,
Serão passos tombados!
                                                            «»          
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

domingo, 13 de outubro de 2013

Por Passos Torturados...


 

 Velhos, pobres e doentes

na rua cambaleando,

em lentos passos pesados,

caminham cansados

por passos torturados…

 

Velhos, espoliados,

esgotados e corcovados

em passos pesados…

 

Velhos na rua passando,

tristes, maltratados,

na lentidão dos passos,

carentes, esfomeados,

por passos magoados…

 

Velhos na solidão,

sofrendo a exclusão,

da injustiça humana

de gente insana,

para a pobreza mandados…

 

Velhos, pobres, doentes

carenciados e esfomeados,

caminham na lentidão

da morte que avizinham,

com fome, sem pão,

em passos pesados,

por passos torturados,

tristes e desrespeitados!...

 

Velhos, pobres e doentes

na rua descartados

como lixo da sociedade!…

 

Maldade!…
 
Vergonha desta sociedade!...

 

Foram estes homens,

agora, velhos,

pobres e doentes,

que com vida dura

vencendo a ditadura,

sustentaram

a atual sociedade

conferindo-lhe privilégios

que eles nunca puderam usufruir!

 

Estes homens,

agora, velhos,

pobres e doentes

são pela mesma sociedade,

atacados, desrespeitados,

espoliados e marginalizados!...



Maldade!...

Vergonha desta sociedade!...

                  «»
  
 
                
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -  Google

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades




“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança”


Camões, Grande Camões,

se neste País, agora, estivesses

verias que pior que mudar-se a confiança

é perder-se a confiança…


Se cá estivesses não cantarias

aqueles que:

“Entre gente remota edificaram

Novo reino, que tanto sublimaram;”


Não, já não espalharias cantando,

por toda a parte,

com teu engenho e arte,

a Imortal Epopeia

que à Humanidade deixaste!


Se cá estivesses chorarias

lágrimas sem fim, numa tragédia triste,

a morte de tua amada Pátria!


E, em doce pranto lembrarias, apenas,

em memória:

“Aqueles que por obras valerosas

Se foram da lei da morte libertando”


Se, agora cá estivesses

em teu imortal poema

que deu titulo a este meu simples tema,

com teu engenho e arte chorarias,

em trágico prólogo,

o que, aqui, contigo dialogo:


Mudam-se imagens,

mudam-se conceitos,

mudam-se valores,

mudam-se preceitos.


E, líricos e trágicos episódios

desenvolverias chorando:


Mudam-se as imagens

Trabalhador – Embolo da produção;

é prisioneiro da escravidão.

Reformado – Sénior respeitado;

é velho espoliado e marginalizado.


Mudam-se os conceitos


Destruição do estado social; é reforma do Estado.

Baixar salário; é ajustamento.

Baixar pensão; é convergência.

Roubo de reforma; é poupança.

O dinheiro do reformado; é despesa do Estado.


Mudam-se os valores

Explora-se o trabalhador

para ajudar ao patrão;

Tira-se ao pobre

 para enriquecer mais o rico;

Rouba-se o reformado

dizendo que é despesa do Estado.

Tudo causa da corrupção

que destruiu o País

e roubou a Nação.


Tudo em nome da poupança

na despesa do Estado…


Mudam-se os preceitos

“Dura lex, sed lex”

Sendo o significado à letra, 

“A lei é dura mas é lei”,

que, agora, é uma treta.

Significado para o povo, lei é lei,

mas, para o rico e para o político, não há lei!

Negam o pressuposto da lei,

não cumprem as leis,

e, quando confrontados

com as decisões do Tribunal

ou, apenas, lembrança de que lei é lei

que é para cumprir,

agressiva e vingativamente,

disparam com pior mal.


E, assim, para o pobre, lei é lei para ser cumprida.

Mas, para outros é:

Incumprimento;

Impunidade;

Desrespeito;

Desumanidade.


Andam criminosos à solta:

corruptos e aldrabões,

ladrões e vendilhões

da Pátria e da Nação!


Andam á solta e sabemos quem e onde estão!


Camões, Grande Camões,

se neste País, agora, estivesses,

verias que pior que mudar-se a confiança

é perder-se a confiança!…

              «»
Da obra  Um Mundo Melhor - Autora Zélia Chamusca
Chiado Editora
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sensibilidade - A forma mais perfeira de inteligência



A forma mais perfeita de inteligência


Que é no ser humano a sensibilidade


Esvaneceu-se nos ares da inconsciência


Do Poder, tal é a insensibilidade!



O nefasto sentimento da ambição,

A cobardia em todos tão bem visível

E o nobre sentimento em extinção

No Poder,  a sensibilidade… É incrível!


Neles a sensibilidade é invisível!

Só um insano desumano a pode anular,

Dado que  a demência o impede de amar!


A crueldade da insensibilidade

Desenfreada, pronta a apunhalar,

Só o pobre indefeso sabe atacar!

                  





Poema de - Zélia Chamusca

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Que Povo é este?


 

Que Povo é este
que se deixa espoliar,
espezinhar
e humilhar
por quem elegeu para o servir?  


Que Povo é este?  


Que Povo é este

que permite que destruam
as estruturas fundamentais
da Nação, do País e da democracia,
cuja instauração
tanto sofrimento
causou a tantos
que por ela lutaram? 

Que Povo é este? 

Que Povo é este,
valente e corajoso
que deu ao mundo novos mundos,
que expandiu a fé e o império,
desbravando mares desconhecidos
nunca antes navegados? 

Que Povo é este?

Que Povo é este
que difundiu no mundo
a civilização,
transmitindo aos povos a  língua,
a cultura e a religião? 

Que Povo é este?

Que Povo é este
que se deixa adormecer
nas brumas negras
do neoliberalismo sem escrúpulos

e sem dignidade nacional,
que causa o desemprego,
que reduz os salários,
que aumenta os pobres e a pobreza,
que extermina a classe média,
explora os trabalhadores,
e  rouba os que trabalharam longa vida
e que tanto contribuíram
para a construção
de um Portugal, livre,
e democrático,
que, agora, repito, este neoliberalismo
sem escrúpulos e sem dignidade nacional,

 está a aniquilar?   

Que Povo é este? 

Que Povo é este
que permite a dependência económica,
a submissão e subserviência
ao capital internacional? 

Que Povo é este? 

Que Povo é este
que se deixa adormecer
nas brumas negras da memória? 

Povo, és soberano!

Acorda Povo!
Acorda para a VITORIA!
          «»

                                                                 Zélia Chamusca  
 

Poema de - Zélia Chamusca
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