sábado, 17 de agosto de 2013

Está Portugal a arder!



Deitam  o fogo à floresta,
Deitam fogo a Portugal,
Das cinzas nada mais resta
Que a destruição total!...


Não  há ninguém que condene
Quem deita fogo ao País?
Nem um Tribunal que ordene
Cumprir pena, nem há Juiz?!


Está Portugal ardendo…
Não se incomoda ninguém…
Já há soldados morrendo,
Gente sofrendo também!…


Muda-se a nomenclatura
Das quatro estações do ano.
Esta é, apenas, a postura
Neste País tão insano:


O inverno já feneceu,
Primavera é para esquecer,
Verão desapareceu,
Deu lugar ao fogo a arder.


Ficou a época dos incêndios.
Vejam bem esta ironia:
Resta alterar os compêndios
P´ra estar a cultura em dia!


Está tudo já queimado…
Só quando o outono chegar,
Este País trucidado
Irá, em paz, descansar!...

Aquele que tem poder
Não o utiliza para o bem.
Já deitou tudo a perder;
Queimou-nos a nós também!

                         «»

                                Zélia Chamusca

                                            2013-08-17
Poema de - Zélia Chamusca
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Exclusão

 

 

Sinto a angústia

Que me não deixa ser feliz.

Esta dor permanente

Que só a conhece

Quem a sente.

 

Quem vê a injustiça

Da desigualdade

E da falta de liberdade;

 

O paradoxo

Da anulação

Da essência da pessoa

Que gera frustração.

 

Por causa da ambição

Quantos, quantos...

Nunca viveram em comunhão?!!

 

Eternos excluídos,

De todos esquecidos,

Marginais,

Que afinal,

De tantos são iguais! 

        «»

                              Zélia Chamusca                        

                                     98/07/14

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google


EXCLUSION

By Zélia Chamusca

Feel the anguish
I do not let it be happy
This permanent pain
That only knows
Who feels.

Who sees injustice
inequality
And the lack of freedom;

The paradox
cancellation
The essence of the person
Which generates frustration.

Because of ambition
How many, how many ...
Never lived in communion?!

Eternal excluded
All forgotten,
marginal
That after all,
So many are the same!
         «»
                               Zelia Chamusca
                       

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A correr atrás da bola





Tantos milhares por dia
Pagos  p’la bola correndo,
É nesta vida a ironia
Deste mundo que eu não entendo…

Tantos a morrer de fome
P’la imensa crueldade humana,
Tanta mente tão disforme
Tão cruel e tão desumana!

Quem alimenta este estado
Num mundo triste, está doente.
Nenhum deles tem pensado
Na dor que este mundo sente!…

A correr atrás da bola
Na grande bola do mundo
Ficam bem doentes da tola
Que é pesada como chumbo!

                   «»
Da obra -  UM MUNDO MELHOR
Chiado Editora
 Autor - Zélia Chamusca  
Fonte de imagem - Google     



                                                                                    

domingo, 4 de agosto de 2013

Sei que também foi roubado




 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sei que, também, foi roubado,
Mas, cala e não diz nada,
Não se diz espoliado
Por esta grande cambada! 
 
Fale que é bom falar
E faz bem ao coração,
Falar faz aliviar
O mal desta corrupção. 
 
Estes corruptos bandidos,
Gente sem qualquer moral,
Hão-de morrer de vencidos
Por causarem tanto mal!
                «»
 
 
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -  Google
 

sábado, 13 de julho de 2013

Nesta ausência de mim




 

 

Perco-me

Nesta ausência de mim

Que preenche o vazio do nada,

Do vácuo,

Onde as horas são dias

E os dias são horas.

Tudo é igual,

Monótono,

Sem tom,

Sem cor,

Sem amor …

 

Os dias passam no tempo,

Onde, apenas, ouço o vento

Soprando as nuvens negras,

Compactas, pesadas,

Carregadas de lágrimas salgadas…

 

Passa a vida no tempo

Onde a monotonia,

Por ironia, se esvai

Num simples ai

Que da vida sai…

           
  






Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Coragem? Ou cobardia?









Um outro dia

ouvi chamar coragem

à cobardia.

Que ironia…


A vil cobardia

é medo,

é fraqueza,

pois, apenas, atinge

os que não têm defesa,

a quem o sofrimento inflige!


É cobarde, é traidor

o que atinge o desprotegido,

a quem causa tanta dor,

fazendo deste

o alvo preferido.


O rico está isento

do tormento…

Na guerra, o rico foge;

Fica o pobre,

e, só este sofre…

É o pobre que de escudo serve

para proteger o rico a quem serve…


E, até nas intempéries,

Deus meu,

nas catástrofes naturais

são os pobres que sofrem mais…


É tal a injustiça

que até brada aos céus,

causando tantos escarcéus,

que por vezes chego a crer

que estou a enlouquecer…


Quando ouço chamar

coragem à cobardia

é tanta a ousadia

que já nem sei

se louca serei,

perante tanta cobardia

que só por ironia

será coragem

algum dia!...
     «»

                          Zélia Chamusca