quarta-feira, 8 de agosto de 2012

OS VENDILHÕES DO TEMPLO


                                     
           (Reflexão)

        
Cristo entrou no templo

De Jerusalém,

E, ao ver o templo

Destinado ao culto e  à oração,

Transformado em podridão

Por tantos vendilhões,

Em covil de ladrões,

Comércio de exploração,

E jugo de humilhação;

Cristo, irado,

Pegou numas cordas                                        

E destruiu tudo,

Correndo com os vendilhões

Do templo profanado!


                                       Jesus Cristo,

 Ser Superior,

Irou-se e chicoteou o mal,

Que, afinal,

Não era mais que a revolta

Perante a hipocrisia,

A opressão,

A injustiça,

A exploração!



Esta bíblica passagem

Dá-nos uma imagem

Do mundo atual

Onde há tanto mal!...



Os vendilhões do templo

São o exemplo

Dos novos espécimes,

Os vendilhões da pátria

E do ser humano,

Templo profanado.



Este acontecimento bíblico,

Da profanação do templo,

Os vendilhões do templo,

Poderá servir, aqui, de alegoria

Que traduz com ironia

A sociedade atual

Onde existe tanto mal…

Sociedade de hipocrisia,

Totalmente, amoral.

Onde nós, humanos,

Somos profanados,

Humilhados,

Explorados

Pela idolatria do dinheiro,

No mundo inteiro,

Pelo prazer,

Pelo egoísmo,

Pelo Poder!



Precisamos de um Homem Novo

Que chicoteie a opressão,

A hipocrisia,

A injustiça,

A ambição,

A corrupção,

A ânsia do poder,

Fonte do jugo da exploração,

Neste mundo de desumanização!



Precisamos expulsar

Os Vendilhões do Templo,

Precisamos agir,

Precisamos seguir

De Cristo o exemplo!

Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A MENSAGEM - Podemos Mudar o Mundo
Chiado Editora
 
            



sábado, 4 de agosto de 2012

Apenas hoje



                                                

Apenas hoje,
Procurarei a felicidade
Na minha interioridade.

Apenas hoje,
Procurarei
Ajustar meus ensejos
À vida,
E, não a vida
A meus desejos.

Apenas hoje,
Pelo meu corpo olharei,
Dele cuidarei
Exercitando-o
E alimentando-o
Física e mentalmente.

Apenas hoje,
Fortalecerei
Meu espírito,
Através da meditação,
Do pensamento,
Da reflexão.

Apenas hoje,
Exercitarei
Minha alma
Ajudando alguém,
Praticando o bem.

Apenas hoje,
Serei agradável
Sendo a todos favorável,
Aceitando seus ideais
Como se aos meus
Fossem iguais.

Apenas hoje,
Viverei este dia
Com seu programa
Pleno de alegria,
Sem tentar resolver
Tudo o que terei que resolver.


Apenas hoje,
Reservarei,
Para mim, algum tempo
Em que repousarei
E reflectirei
No sentido da vida
E no de minha vida.

Apenas hoje,
Tentarei ser feliz
Sem olhar ao que o mundo diz,
Apenas, apreciar
Toda beleza
Que existe na Natureza…

Viver,
E, ser feliz!...

 

Da obra - PARTE  DE MIM
Autora - Zélia Chamusca
Edições Vieira da  Silva

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A FORÇA DENTRO DE MIM




                                              
A FORÇA DENTRO DE MIM  

           Zélia Chamusca             



Tanta coisa eu preciso,

Quero agarrar-me ao Nada,

Construir meu paraíso

E criar tudo do Nada.



Este Nada que é tudo

É princípio, meio e fim,

Este Nada é, sobretudo,

A força dentro de mim!

             «»



              


domingo, 29 de julho de 2012

TROVA VI







   





















No sorriso enxugo as lágrimas

Que dentro do peito caiem,

Elas nascem na tristeza

E da dor forte elas saem.

                         Zélia Chamusca
  

quarta-feira, 25 de julho de 2012

No meio de tudo isto; não resisto...

                                                   

 
Trabalhei, estudei, sonhei e amei.

Toda a minha vida projetei

No sonho que com amor abracei

E que sempre concretizei.

E do tanto que conheci e aprendi

Não entende minha razão

A crueldade,

Nesta sociedade

Dominada pela ambição,

Que torna os ricos cada vez mais ricos

Quando tantos ficam sem pão!

 Trabalhei, e trabalharei

Sempre e no trabalho me realizarei.

O trabalho é a nossa manifestação

Enquanto seres humanos.

É a nossa participação

Na obra da criação.



Estudei e estudarei

Enquanto estiver, aqui, presente.

A vida é uma aprendizagem permanente,

Esta aprendizagem

É a finalidade primordial

À vida essencial.

É através da aprendizagem

Que nós evoluímos,

Progredimos,           

E podemos tornar-nos melhores

Para nós, para o próximo,

E mais úteis à sociedade

Percorrendo o caminho do Bem,

Do Amor e da Fraternidade.


Sonhei, sonho e sonharei

Sempre, mesmo quando penso

Que não mais sonharei…

É o sonho que comanda a vida.

É no sonho que criamos a nossa realidade.


Sonhei e todos os sonhos,

No que dependeu de mim, concretizei.

Porém, o sonho de viver numa sociedade

Onde existisse a igualdade

De oportunidade,

A solidariedade,

A fraternidade,

Este sonho ruiu…


Vivo numa sociedade

Em que só alguns têm oportunidades

Para viver, ser e crescer;


Vivo numa sociedade

De oportunismo

Num país tornado falido

Pelo capitalismo;


Vivo numa sociedade

Em que mataram a esperança,

O projecto de ser

E de querer ser;


Vivo numa sociedade

Em decadência moral;


Vivo numa sociedade

Dominada pelo Poder,

Pela ganância

Pelo mal!


Amei e amo em todas as vertentes

E tonalidades diferentes…

É o amor que dá vida à vida.

Ele é o êmbolo da vida.

É elemento vivificador.

Sem amor nada existe.

O Amor é princípio, meio e fim

De tudo.

Ele estará sempre presente em mim.


Mas, no meio de tudo isto;

Não resisto…


O amor se perdeu,

O egoísmo prevaleceu,

O capitalismo venceu…


Com todo o meu conhecimento,

Numa vida de já grande vivência

Feita de estudo e experiência,

Não vê minha consciência,

Falta-me  a clarividência…


Nunca tal sonhei, nem pensei,

Não entende minha razão

A razão deste fatal regresso

Ao esclavagismo,

Ao fascismo,

Onde se preconiza redução de salários

Aos que trabalham,

Onde se rouba os que trabalharam

E descontaram para seu sustento

Quanto já estivesse no tempo

De descanso da vida dura

E as forças já faltassem…

Se aproveitaram desse dinheiro,

Durante o tempo inteiro,

Dos mais velhos que descontaram,

E que guardaram para sua tranquila sobrevivência,

Para o fim da existência

E lhes roubaram!…

Sim, literalmente,

Lhes roubaram

O que ganharam

E que já não podem voltar a ganhar,

Já não podem recuperar…

Enquanto outros se vão enchendo!…

Os que originaram a crise

E não a pagam.

Não pagam…

Não devolvem o que roubaram

A este pobre país…
 

Fatal regresso à escravatura

Numa ditadura

De prepotência radical

Numa sociedade desigual

Em que algozes

Comem tudo e até o pão

Aos pobres, ricos em coração!



     


Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A MENSAGEM - Podemos mudar o mundo
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

sábado, 21 de julho de 2012

TUA COR VERDE MAR


                                                     

TUA COR VERDE- MAR
Zélia Chamusca


Estás negro, bravo
E clamas alto,
Alto mar.
Parece que, também, queres
Contra o Poder, protestar
E com tua força,
Nas altas ondas a rebentar
Alguém hás-de derrubar!

Já sei…
Estou a ver…
Queres meu sentir apoiar…
Então, vamos!
Irmanados,
Abraçados!
É tua a voz!

Oh! Mar revolto!
Pára teu murmurar!
Não vez que a Natureza
Fica triste e a chorar?...

E eu que te vim visitar
Porque não me recebes em teu doce amainar?...

Quero em tuas calmas águas,
Num doce flutuar,
Contemplar a natureza
E tua cor verde-mar…

           
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google