CARTA AO ESCRITOR
Caro Escritor,
Já pensou porque escreve?
Eu interrogo-me,
frequentemente, porque escrevo, e, irei expressar o motivo.
Mas, em
relação a tantos autores que conheço sinto que não sabem, não dizem ou tentam
enganar-se a si próprios, pensando que aos outros. Será?...
Assumem-se
profissionalmente como escritores e, não entendo, porque ninguém lhes paga. Uma
profissão é sempre remunerada. Esta é uma verdade irrefutável.
Não era a minha intenção falar, aqui, no pagamento dos direitos de
autor, consignados na lei, mas, não consigo fugir ao tema e refiro que, a lei
não é discriminatória, os direitos, independentemente de ser ou não um Nobel, são
iguais para todos os autores. E, o que é pago de acordo com a lei, não chega
para beber um copo de água por mês, ou, talvez por ano.
Isto é
o mesmo que dizer que, ninguém lhes paga e este facto do escritor não ser
retribuído monetariamente é uma injustiça que brada aos céus, como muitas
outras injustiças sociais, numa sociedade, legal e moralmente, injusta.
Nenhum
escritor vive da atividade de escritor. Quem vive da atividade do escritor são
os editores e livreiros. Nunca quem escreve vive de seu trabalho de escrever.
São estes, editores e livreiros que auferem a compensação monetária pela obra do autor.
Esta é uma
das injustiças legais, pois que, a legislação dos direitos de autor o permite.
Como
referi, no início, em relação a tantos autores que conheço, não vejo, não ouço,
não sinto, que algum escritor se queixe disto.
Percebi,
contudo, que alguns escritores, apenas,
pretendem através da escrita, alcançar a imortalidade!...
Constatei
e constato, frequentemente, as rivalidades e o convencimento de alguns que se
julgam mais merecedores que outros.
Não
fazem ideia o que me divirto ao presenciar certas atitudes!...
É um espectáculo!
Quando
estava fora deste meio não fazia a mínima ideia…
O que
tenho aprendido…
Eu sempre
gostei de aprender. A vida é uma aprendizagem permanente. E, conhecer a
complexidade do ser humano sempre foi minha vocação.
Voltando
ao assunto, entendo que escrever é uma das necessidades básicas do escritor, tal como comer, beber, respirar,
etc., etc.
É uma
necessidade de ordem afetiva.
O
escritor quando escreve dialoga consigo próprio, é o diálogo com a alma que é o
seu melhor interlocutor, diálogo que
abre ao público e transmite à sociedade.
O
escritor sente necessidade de manifestar seus sentimentos, suas emoções, suas paixões,
sua forma de viver, de sentir e entender a vida e a sociedade.
Esta
manifestação revela-a e transmite-a através da escrita.
É por
isto que o escritor escreve.
Escrever
é uma arte, ou seja, é através da escrita que o escritor produz uma obra de arte, a obra literária.
Como
qualquer artista, o escritor cria por prazer, por amor.
Não me
parece, contudo, ser justo que quem cria uma obra de arte, e, neste caso a obra
literária, não tenha qualquer recompensa monetária e que, os lucros advenientes
da obra recaiam a favor de outros, que, legalmente, deles se apropriam, ou usam.
Serei apenas
eu a pensar nisto?
Parece
que sim, porque não vejo, não ouço, não sinto, nenhum escritor a falar no pagamento dos seus direitos, dos
direitos de autor.
Assumem-se,
geralmente, como profissionais bem sucedidos e quando falam em
direitos de autor apenas se referem à preservação da autoria e identidade de sua obra.
Basta-lhes
o atingir da eternidade, como já referi, chegando, como se isso fosse possível,
a disputá-la, por se julgarem mais merecedores que outros.
Caro
Escritor, não pretendo, sinceramente, atingir ninguém, apenas gostaria que refletisse
e que dissesse a sua opinião.
Abraço,
Zélia Chamusca
2012-06-12