terça-feira, 12 de junho de 2012

CARTA AO ESCRITOR

                                                                  
                                             CARTA AO ESCRITOR



Caro Escritor,



Já pensou porque escreve?

Eu interrogo-me, frequentemente, porque escrevo, e, irei expressar o motivo.

Mas, em relação a tantos autores que conheço sinto que não sabem, não dizem ou tentam enganar-se a si próprios, pensando que aos outros. Será?...

Assumem-se profissionalmente como escritores e, não entendo, porque ninguém lhes paga. Uma profissão é sempre remunerada. Esta é uma verdade irrefutável.

Não era  a minha intenção  falar, aqui, no pagamento dos direitos de autor, consignados na lei, mas, não consigo fugir ao tema e refiro que, a lei não é discriminatória, os direitos, independentemente de ser ou não um Nobel, são iguais para todos os autores. E, o que é pago de acordo com a lei, não chega para beber um copo de água por mês, ou, talvez por ano.

Isto é o mesmo que dizer que, ninguém lhes paga e este facto do escritor não ser retribuído monetariamente é uma injustiça que brada aos céus, como muitas outras injustiças sociais, numa sociedade, legal e moralmente, injusta.

Nenhum escritor vive da atividade de escritor. Quem vive da atividade do escritor são os editores e livreiros. Nunca quem escreve vive de seu trabalho de escrever. São estes, editores e livreiros que auferem a compensação monetária  pela obra do autor.

Esta é uma das injustiças legais, pois que, a legislação dos direitos de autor o permite.

Como referi, no início, em relação a tantos autores que conheço, não vejo, não ouço, não sinto, que algum escritor se queixe disto.

Percebi, contudo, que alguns escritores, apenas,  pretendem através da escrita, alcançar a  imortalidade!...

Constatei e constato, frequentemente, as rivalidades e o convencimento de alguns que se julgam  mais merecedores que outros.

Não fazem ideia o que me divirto ao presenciar certas atitudes!...

É um espectáculo!

Quando estava fora deste meio não fazia a mínima ideia…

O que tenho aprendido…

Eu sempre gostei de aprender. A vida é uma aprendizagem permanente. E, conhecer a complexidade do ser humano sempre foi minha vocação.

Voltando ao assunto, entendo que escrever é uma das necessidades  básicas do escritor, tal como comer, beber, respirar, etc., etc.

É uma necessidade de ordem afetiva.

O escritor quando escreve dialoga consigo próprio, é o diálogo com a alma que é o seu melhor interlocutor, diálogo que  abre ao público e transmite à sociedade.

O escritor sente necessidade de manifestar seus sentimentos, suas emoções, suas paixões, sua forma de viver, de sentir e entender a vida e a sociedade.

Esta manifestação revela-a e transmite-a através da escrita.

É por isto que o escritor escreve.

Escrever é uma arte, ou seja, é através da escrita que o escritor produz uma obra  de arte, a  obra literária.

Como qualquer artista, o escritor cria por prazer, por amor.

Não me parece, contudo, ser justo que quem cria uma obra de arte, e, neste caso a obra literária, não tenha qualquer recompensa monetária e que, os lucros advenientes da obra recaiam a favor de outros, que, legalmente, deles se apropriam, ou usam.

Serei apenas eu a pensar nisto?

Parece que sim, porque não vejo, não ouço, não sinto, nenhum escritor a  falar no pagamento dos seus direitos, dos direitos de autor.

Assumem-se, geralmente, como profissionais bem sucedidos  e quando falam em direitos de autor apenas se referem à preservação da autoria e identidade  de sua obra.

Basta-lhes o atingir da eternidade, como já referi, chegando, como se isso fosse possível, a disputá-la, por se julgarem mais merecedores que  outros.

Caro Escritor, não pretendo, sinceramente, atingir ninguém, apenas gostaria que refletisse e que dissesse  a sua opinião.

Abraço,

                                            Zélia Chamusca

                                                     2012-06-12








           




domingo, 10 de junho de 2012

ABOBORAS VAZIAS


                                                                                                                                








 

Tanta abóbora vazia
que eu vejo em cada dia,
rolando pela estrada
numa ânsia desalmada
na busca do ter
descurando o ser…
 

São abóboras vazias
cada uma a mais vazia
que em demoníaca alegria,
procuram, apenas, ter,
seja como for,
não param o furor
para seu ventre encher.
 

Nem sequer, pensam em ser…
Umas se enchem de vento
roubando o sustento
à natureza que fazem sofrer,
porque, sem vento,
não há polinização
e, consequentemente
a natureza sem grão,
porque estas abóboras vazias,
ocas e frias,
não param para pensar
que um dia irão rebentar
de ar como um balão,
porque, sem miolo,
como insensato e tolo,
sem coração,
abóboras vazias são!...
               «»
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google
Da obra a Mensagem - Podemos mudar o mundo
Chiado Editora

quinta-feira, 7 de junho de 2012

NÃO HÁ POESIA, FALTA A IMAGINAÇÃO


                                                                                                                                                                             
 
Hoje, não há poesia,

Não há fantasia,

Não há magia!

É tanta a indignação

Que falta imaginação

Face à paradoxal realidade

De como se entende

A produtividade!



Aprendi com estudo,

 Experiência e trabalho,

Que, numa organização,

O incentivo à produção

Era a motivação

Das pessoas

Pois, são elas a  organização.

São as pessoas

O êmbolo da produtividade.

E, para que da sua actividade

Resulte a produtividade

É necessário incentivo,

Motivação,

Estímulo

À produção.



Agora ouço dizer,

 E não consigo entender,

Que é o contrário:

Baixar  salário

E aumentar horário!...

Sim,  concordo,

Mas, aos gestores;

Não aos trabalhadores.

                                Todos nós sabemos quais são

Porque não lhes dar esta sanção?



Julgava-me laureada

Em Gestão de Recursos Humanos

E acabo confrontada

Em Recursos Desumanos…



Não entende minha razão

O paradoxo da gestão!



Perante esta realidade

Encerrem a Universidade

Há para aí tanto doutor

Que julga que é gestor!...
               «»




Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A MENSAGEM - Podemos Mudar o Mundo
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google                  

terça-feira, 5 de junho de 2012

LUZ PRIMORDIAL





LUZ PRIMORDIAL
Zélia Chamusca


Luz primordial,
Leveza etérea do ser,
És essência
Que predominas em mim
E em todo o ser,
Em toda a criação,
Aqui, e em qualquer dimensão.

És energia,
Força e vida,
Eterna dinâmica,
Permanente,
Em tudo presente.

És do ser essencial definição
Na Divina Criação.
És princípio,
Caminho e fim,
Sem fim,
De toda a existência.

Tua presença
Estará em mim,
Sempre,
E, quando eu
não for eu,
Serei tu,
Eternamente!...


     





Da obra - PALAVRAS DA ALMA
Chiado Editora
Publicado na -  Antologia Logos - 2012

sábado, 2 de junho de 2012

PORQUE CHOREI?...

                                          



PORQUE CHOREI?...

Artigo de - Zélia Chamusca

Como sabeis, estão em Portugal os príncipes das Astúrias, mas, não é deles que vou falar-vos, não.
É que, é este o motivo porque ouvi o nosso Hino Nacional.
Todos nós já ouvimos imensas vezes o Hino Nacional.
Mas, hoje, ao ouvi-lo, eu chorei.
Nunca, o nosso Hino Nacional tocou, assim, a minha sensibilidade.
Nunca pertenci à Mocidade Portuguesa. Despertei na época da modernidade, da revolução de mentalidades e considero-me uma cidadã do mundo.
Há muitos anos que minha formação me sensibilizou para a abertura ao mundo.
Aprendi que todas as nações tendem a uma comunidade universal.
Hoje, nós estamos inseridos na Comunidade Europeia, mas, num outro contexto, somos parte duma globalização mundial.
Por tudo isto, não me sinto patriota.
Nasci em Portugal e é esta a circunstância que me define como portuguesa, mas, considero-me cidadã do mundo.
Todos nós somos e existimos numa comunidade global que, talvez, um dia se torne universal.

Por tudo isto me interroguei:
Porque chorei?
E, são tantos os motivos
Que, apenas, à tristeza e dor
São incentivos.
Tantos,
Tantos…
Que não vou descrever
Pois vos iríeis cansar
De ler.
E, tal como eu,
Haveis de conhecer.
Tantos…
Nós sabemos…

Concluindo:

O nosso Hino Nacional, símbolo duma nação, outrora uma GRANDE NAÇÃO, o nosso Hino Nacional, repito, fazia-me sentir inserida numa nação onde existia evolução, projeto para um futuro onde existiria igualdade, fraternidade, onde todos viveríamos em paz e felicidade.

Este projeto que sonhei foi gorado.

Foi por isso que chorei…

Para onde caminhamos, nesta Comunidade Europeia?

Chegaremos à Comunidade Universal em que me fizeram acreditar?

Deixo-vos minha reflexão.
          
                                  




   2012-06-02


Artigo de  - Zélia Chamusca
Fonte de Imagem - Google


quinta-feira, 31 de maio de 2012

ELEGIA AO SORRISO (por antagonismo)

                                                        
     

ELEGIA AO SORRISO
 (Por antagonismo)

Um dia abri a janela
Ao sorriso e se soltou
Mas por perto e à cautela
Nunca de mim se afastou.

Do jardim a porta abri
Mas seu olhar me prendeu
Sempre para mim sorri
Com amor que é só meu.

Comigo ele sempre esteve
Para me acompanhar
Momentos maus os deteve
P’ra minha vida alegrar.

Os bons ele os prendeu
P’ra entrarem em meu coração
Nunca de mim se esqueceu
Foi eterna esta paixão.

Com todos comunicar
É um dom que sempre teve
Muito gosta de saudar
Os amigos que manteve.

Mesmo àqueles que o esqueceram
Ele transmite alegria
E a ele se prenderam
Pela sua simpatia.

Aos tristes tem para dar
Alegria e amor
Faz questão de lhes lembrar
Que a vida tem valor.

Faz alegrar a tristeza
Pois a vida bem merece
O dom de sua beleza
Que Deus sempre oferece.

Mesmo a todos se abrindo
Sorriso contagiante
É para mim o mais lindo
Serei sempre sua amante!...

Sorriso, eu te adoro
Por tua fidelidade
Contigo eu nunca choro
Dás-me Felicidade!...
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Da obra - PEDAÇOS DO MEU CORAÇÃO
Autor - Zélia Chamusca