sexta-feira, 27 de abril de 2018

Malabarismo


 

       

Pensei que tinha acabado   

tão grande malabarismo

continua o mesmo fado 

que nem lembrou ao fascismo

 

É tanto malabarismo

no engenho das palavras

perfeito paradoxismo

natural para estes cravas

 

Palram para convencer

aqueles que não convencem

eles pensam em vencer

com palavras em que mentem

 

Pensam que é parvo o povo

mas parvo é que ele não é

não fazem nada de novo

apenas  “lari-lo-lé”! (1)

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                            Zélia Chamusca
                                                                                2016

 (1)  – Termo de "As Farpas" 1871, de Eça de Queiroz,  cujo significado se aplica aqui neste poema.

  Excerto:

“Que significa esta falsa compreensão das regalias constitucionais? Porque não tiram, para maior ... Hurra! Salta um decilitro! Fora, patife! E lari-lo-lé, lolé! Para o pagode! Oh!, legisladores! Oh!, homens de Estado! Oh!, feira das Amoreiras! Pois temos nós obrigação de respeitar a câmara, quando ela se não respeita? Pois ela ...” 

De “As Farpas”  - Uma Campanha Alegre  - de Eça de Queiroz 

domingo, 8 de abril de 2018

Monocórdico


       
Sobrevivo no mundo da utopia

E acordo num banho de água bem fria

Pela indignação da hipocrisia.

Levada nas ondas da fantasia,

Porque só por verdadeira ironia,

Se torna suportável o dia-a-dia.

 

Fecho-me no meu mundo belo irreal

Sonhando viver num lugar ideal

Esquecendo que à volta há tanto mal,

P’la ambição de tanta gente desleal.

Tanto comportamento antissocial

Que é reprovável mas não penal…

 

P’ra  do mundo ter outra perceção

Procuro encontrar mais compreensão

E em todos lugar no seu coração

P’ra unidos vivermos em comunhão

Num elo de amor fraterno de irmão

E que o meu mundo não seja ilusão!

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Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -Google
                        

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Quando é que vais acordar?


 

Anda o povo inebriado

a sonhar que está no céu,

leva  meio tostão furado

feliz porque o recebeu.

 

Para ser pobre explorado,

coitado… assim nasceu…

Não vê que é escravizado

na miséria a que volveu.

 

Se a união tem muita força

e os pobres são aos milhares,

é lutar até que torça

p’ra não te subordinares

 

a tantos exploradores….

Querem o mundo abraçar,

dele são seus possuidores…

Quando é que vais acordar?

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Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google