quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Não vou descer ao povoado


 

Quando um dia em que me encontrei

Fechada na liberdade

As asas brancas soltei

E voei de felicidade.

 

A correr desci ao povoado

Por gostar de estar co ‘as gentes

Mas encontrei tanto gado

Debochado e dementes.

 

Voltei atrás ao que eu era

Dei asas ao pensamento

E construí minha quimera

Onde há tanto encantamento…

 

E fechei-me de alma aberta

Em diálogo permanente

Mantendo-me sempre alerta

P’ra não descer novamente.

 

Não. Não mais lá voltarei

Isso é coisa do passado

Interrogo-me,  bem sei

Que anda tudo perturbado.

 

Se a vida é aprendizagem

Permanente sem cessar

Não descerei na paragem

Para ao povoado voltar!

 

Não vou descer ao povoado

Não trouxe ninguém comigo,

Pois, por andar  por lá o diabo,

Elevá-los não consigo.

 

É difícil a subida,

Preciso é força e coragem,

Para a escalada da vida

P’ra passar para a outra margem.

                            «»

                           

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google  

 

 

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