domingo, 15 de julho de 2018

Perdi o sorriso



 

Perdi o sorriso,

que alguém amou,

na tristeza e dor

que em mim ficou.

 

Do nada que resta

do que fui outrora,

lábios de doçura

de sabor a amora…

 

Fechados e tristes

no amargo do fel,

secos, ressequidos,

perderam o mel…

 

Por vezes assustam

e sei bem porquê;

quem foge de mim

beleza não vê.

 

Sumiu-se na alma

bem interiorizada

e o espírito aberto

aguarda a chamada

 

Onde tudo é belo

e não há mais dor

mas paz e alegria,

em tudo há amor!

             «»

                  Zélia Chamusca

                      

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Afastas de mim Meu Amor, também!...


 

Oh! Morte cruel, dura e tenebrosa!

Tão cedo levaste meu maior bem!

És tristeza e dor, cruel, horrorosa!

Afastas de mim Meu Amor, também!...

 

Tapas o sol da minha luz já morta

Levando na dor a alma amortalhada!

Tanto sofrimento o corpo suporta

Até ao pó da vida incinerada!

 

Nesta negridão de tristeza e dor,

De apatia, de nada, de estupor,

Passa breve a vida… Tão cruel ela é…

 

Escondeu-se o sol, vesti-me de luto,

E, no silêncio total, absoluto,

Ergo-me, inquebrável na força, em pé!

                            «»

                              
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

terça-feira, 12 de junho de 2018

Não me ames; foge de mim!

 

 
Não me ames,

Foge de mim!

Porque os que amo

Chegam ao fim…

 

Não me ames,

Foge de mim!

Foge depressa!

A vida é assim…

 

Não me ames,

Ouve o clarim!

Em canto fúnebre,

Trompa em marfim…

 

Eu amo-te!

E, vais partir…

Afasta-te

Que vais sentir

 

Próximo o fim.

Foge, foge,

Foge depressa!

Foge de mim!
                                         «»        
                                                    Zélia Chamusca

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Viver é o maior bem


 

Há quem ame tanto a vida

Mesmo não sendo abonada,

Porém, quando é bem vivida

O tudo surge do nada!

 

A vida é tudo o que temos

Sem ela não temos nada

A morte nós a tememos

É carne aos vermes dada!

 

Não deixes passar a vida

No vazio do teu ser.

Agarra-a bem preenchida

P’ra que a possas bem viver

 

Feliz por tê-la vivido,

Única oportunidade,

Bem maior e merecido

Vivê-la é felicidade!

 

Apenas de ti depende

Ser feliz, de mais ninguém.

Não desanimes, entende

Que viver é o maior bem!

 

Breve passagem é a vida;

Não a deixes passar em vão…

Antes que chegue a partida

Agarra-a bem com a mão!

                 «»
                                Zélia Chamusca



Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

                     

domingo, 3 de junho de 2018

Está tudo a postos


 
 
Está tudo a postos

P’ra recomeçar

A haver tantas mortes

E ao crime voltar

 

Eles estão nervosos

De amarras presos

Estes criminosos

Que matam indefesos

 

Têm tudo pronto

P’ra recomeçar

  lembra a um tonto

O mato incendiar

 

No ano passado

Em Maio começou

A ser torturado

 E não mais parou

 

Estão atrasados

Para a destruição

Estes malvados

Sem coração

 

Os povos que vivem

Entre a natureza

Ainda sobrevivem

Não têm defesa

 

À espera estão

De poder fazer

A vida de então

De pleno prazer

 

Mas a destruição

Ainda persiste

E nesta ação

O crime insiste

 

Entre os sem vergonha

Que têm poder

Não há quem se oponha

E os mande prender

 

Até a Natureza

De tão assustada

Com sua beleza

Já está  abalada

 

Está a chorar

Lágrimas de sangue

Porque vai voltar

Tudo a estar exangue

 

Teme o criminoso

Negócio perder

Com o crime odioso

Que não vai render

 

Nosso Deus Senhor

E a Mãe Natureza

Lágrimas de dor

Choram de certeza

 

Mas este Senhor

Os condenará

É o Salvador

Que entre nós está

              «»

                Zélia Chamusca

                     2018-06-03

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Quem mata até Deus ofende


 

 
 
 
 
 
No meu País democrático

Querem a morte assistida,

Só ideia de lunático!

Quem mata é homicida!

 

Querem matar, mas o pobre

P’ra não estar a padecer,

Pois o rico, esse não sofre;

Estamos todos a ver…

 

São cuidados, bem cuidados

Com cuidados paliativos,

Da vida não estão cansados

Todos querem estar vivos!

 

Na Assembleia, estão vendo:

Quem votou a seu favor

A eutanásia defendendo

Como remédio p’ra a dor?

 

Mas, para eles não querem

Que lhes encurtem a vida

Sofrer eles bem preferem

A antecipar a partida.

 

Se todos somos iguais

Em direitos, porque então

Cada dia vejo mais

O que uns têm e outros não?

 

Quem a eutanásia defende

É criminoso em potência.

Quem mata até Deus ofende

Por tanta, tanta demência!

 

É crime que tira a vida

Seja ela curta ou longa

Ao pobre encurta-se a vida

E ao rico tornam-na longa…

 

Esta é a democracia

Que temos em Portugal

Em que só por ironia

Se defende tanto mal!

                «»

              Zélia Chamusca

                   2018-05-30      

 

 

sábado, 26 de maio de 2018

Fenómeno/Numinoso

     


 

 
 
Uma força misteriosa

desceu sobre mim,

a luz se apagou

e me clarificou.

 

Assim,

penso e repenso

no que só a minha alma compreende,

o fenómeno misterioso

que se funde no real numinoso

que brota do pensamento

neste momento.

 

É fenómeno revelado,

pela minha mente observado.

E, tal conhecimento

confunde-me neste estado

que em mim calo,

não falo…

 

Só o poder da alma

na sua imortalidade

entende e conhece,

e faz-me saber e ver

o poder sobrenatural

do “Nous” racional

e imortal.

             «»

              Zélia Chamusca

                   2012-01-08

 

 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Uma Luz surgia...


                                           
 

Lindo sonho eu via,

Sonho de encantar…

Até parecia

Noutro mundo estar!

 

Acordei um dia

E ao despertar

A luz que surgia

Fez-me acordar!

 

Pelas nuvens voei

Num não acordar…

E, até sonhei

No paraíso estar;

 

A luz que surgia

Plena de amizade

Era fantasia

E não a realidade…

 

Sempre o mesmo mal…

Afinal o que era?

A verdade, o real?

Era o mundo em guerra!…

 

Das nuvens desci,

Despertei do sonho,

E, tudo o que vi

Era tão enfadonho…

 

A fraternidade

Foi morta nas chamas

E a solidariedade

Se esvaiu nas almas…

 

Voltei a sonhar

Na reencarnação

P’ra poder voltar

A ter coração

 

E a fraternidade

Acabar com a dor

E em festividade

Celebrar o Amor!...

          «»

                  Zélia Chamusca
 
 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Saudade é dor que no coração sinto


 
 
 
São lancetadas de setas sem gume

Que o meu coração trespassam ferindo...

Uma enorme dor no peito sentindo...

A alma sucumbe no calor do lume…

 

É tão grande a tortura permanente,

É o impossível desejar e querer...

Preferível nada mais que morrer

Na profunda dor que meu peito sente…

 

Saudade é dor que no coração sinto,

É luto e tristeza da alma fechada

Ao mundo, de amor e paz tão faminto…

 

É caminhar na escuridão perdida,

Deambulando numa tão longa estrada,

Sem luz e sem cor… Assim é a vida!...

                           «»

                               Zélia Chamusca

                                 
 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Escravatura Laboral


 
 

 
 
 
 
 
Continua a escravatura

com salários miseráveis

pago a tanta criatura

a escravas assemelháveis!

 

São salários de miséria

os pagos à maioria;

o resto é tamanha léria,

uma perfeita  ironia!

 

Tudo querem imitar 

dos países avançados

mas, só vejo inventar

forma p’ra mais explorados!

 

Escravos  em Portugal,

vergonha do meu país,

tanto assédio laboral

e, dele nada se diz!

 

Que bom é ser europeu

onde se compara o mal…

Quem do povo se esqueceu

neste nosso Portugal?

 

Nas empresas, os gestores

ganham tantas vezes mais

e aos pobres trabalhadores

não dão um cêntimo a mais…

 

Peço a quem tem o Poder

que pense que quem trabalha

merece poder viver

a vida digna que valha!

                 «»

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Malabarismo


 

       

Pensei que tinha acabado   

tão grande malabarismo

continua o mesmo fado 

que nem lembrou ao fascismo

 

É tanto malabarismo

no engenho das palavras

perfeito paradoxismo

natural para estes cravas

 

Palram para convencer

aqueles que não convencem

eles pensam em vencer

com palavras em que mentem

 

Pensam que é parvo o povo

mas parvo é que ele não é

não fazem nada de novo

apenas  “lari-lo-lé”! (1)

                    «»
                            Zélia Chamusca
                                                                                2016

 (1)  – Termo de "As Farpas" 1871, de Eça de Queiroz,  cujo significado se aplica aqui neste poema.

  Excerto:

“Que significa esta falsa compreensão das regalias constitucionais? Porque não tiram, para maior ... Hurra! Salta um decilitro! Fora, patife! E lari-lo-lé, lolé! Para o pagode! Oh!, legisladores! Oh!, homens de Estado! Oh!, feira das Amoreiras! Pois temos nós obrigação de respeitar a câmara, quando ela se não respeita? Pois ela ...” 

De “As Farpas”  - Uma Campanha Alegre  - de Eça de Queiroz