sábado, 26 de maio de 2018

Fenómeno/Numinoso

     


 

 
 
Uma força misteriosa

desceu sobre mim,

a luz se apagou

e me clarificou.

 

Assim,

penso e repenso

no que só a minha alma compreende,

o fenómeno misterioso

que se funde no real numinoso

que brota do pensamento

neste momento.

 

É fenómeno revelado,

pela minha mente observado.

E, tal conhecimento

confunde-me neste estado

que em mim calo,

não falo…

 

Só o poder da alma

na sua imortalidade

entende e conhece,

e faz-me saber e ver

o poder sobrenatural

do “Nous” racional

e imortal.

             «»

              Zélia Chamusca

                   2012-01-08

 

 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Uma Luz surgia...


                                           
 

Lindo sonho eu via,

Sonho de encantar…

Até parecia

Noutro mundo estar!

 

Acordei um dia

E ao despertar

A luz que surgia

Fez-me acordar!

 

Pelas nuvens voei

Num não acordar…

E, até sonhei

No paraíso estar;

 

A luz que surgia

Plena de amizade

Era fantasia

E não a realidade…

 

Sempre o mesmo mal…

Afinal o que era?

A verdade, o real?

Era o mundo em guerra!…

 

Das nuvens desci,

Despertei do sonho,

E, tudo o que vi

Era tão enfadonho…

 

A fraternidade

Foi morta nas chamas

E a solidariedade

Se esvaiu nas almas…

 

Voltei a sonhar

Na reencarnação

P’ra poder voltar

A ter coração

 

E a fraternidade

Acabar com a dor

E em festividade

Celebrar o Amor!...

          «»

                  Zélia Chamusca
 
 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Saudade é dor que no coração sinto


 
 
 
São lancetadas de setas em gume

Que o meu coração trespassam ferindo...

Uma enorme dor no peito sentindo...

A alma sucumbe no calor do lume…

 

É tão grande a tortura permanente,

É o impossível desejar e querer...

Preferível nada mais que morrer

Na profunda dor que meu peito sente…

 

Saudade é dor que no coração sinto,

É luto e tristeza da alma fechada

Ao mundo, de amor e paz tão faminto…

 

É caminhar na escuridão perdida,

Deambulando numa tão longa estrada,

Sem luz e sem cor… Assim é a vida!...

                           «»

                               Zélia Chamusca

                                 
 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Escravatura Laboral


 
 

 
 
 
 
 
Continua a escravatura

com salários miseráveis

pago a tanta criatura

a escravas assemelháveis!

 

São salários de miséria

os pagos à maioria;

o resto é tamanha léria,

uma perfeita  ironia!

 

Tudo querem imitar 

dos países avançados

mas, só vejo inventar

forma p’ra mais explorados!

 

Escravos  em Portugal,

vergonha do meu país,

tanto assédio laboral

e, dele nada se diz!

 

Que bom é ser europeu

onde se compara o mal…

Quem do povo se esqueceu

neste nosso Portugal?

 

Nas empresas, os gestores

ganham tantas vezes mais

e aos pobres trabalhadores

não dão um cêntimo a mais…

 

Peço a quem tem o Poder

que pense que quem trabalha

merece poder viver

a vida digna que valha!

                 «»

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Malabarismo


 

       

Pensei que tinha acabado   

tão grande malabarismo

continua o mesmo fado 

que nem lembrou ao fascismo

 

É tanto malabarismo

no engenho das palavras

perfeito paradoxismo

natural para estes cravas

 

Palram para convencer

aqueles que não convencem

eles pensam em vencer

com palavras em que mentem

 

Pensam que é parvo o povo

mas parvo é que ele não é

não fazem nada de novo

apenas  “lari-lo-lé”! (1)

                    «»
                            Zélia Chamusca
                                                                                2016

 (1)  – Termo de "As Farpas" 1871, de Eça de Queiroz,  cujo significado se aplica aqui neste poema.

  Excerto:

“Que significa esta falsa compreensão das regalias constitucionais? Porque não tiram, para maior ... Hurra! Salta um decilitro! Fora, patife! E lari-lo-lé, lolé! Para o pagode! Oh!, legisladores! Oh!, homens de Estado! Oh!, feira das Amoreiras! Pois temos nós obrigação de respeitar a câmara, quando ela se não respeita? Pois ela ...” 

De “As Farpas”  - Uma Campanha Alegre  - de Eça de Queiroz 

domingo, 8 de abril de 2018

Monocórdico


       
Sobrevivo no mundo da utopia

E acordo num banho de água bem fria

Pela indignação da hipocrisia.

Levada nas ondas da fantasia,

Porque só por verdadeira ironia,

Se torna suportável o dia-a-dia.

 

Fecho-me no meu mundo belo irreal

Sonhando viver num lugar ideal

Esquecendo que à volta há tanto mal,

P’la ambição de tanta gente desleal.

Tanto comportamento antissocial

Que é reprovável mas não penal…

 

P’ra  do mundo ter outra perceção

Procuro encontrar mais compreensão

E em todos lugar no seu coração

P’ra unidos vivermos em comunhão

Num elo de amor fraterno de irmão

E que o meu mundo não seja ilusão!

                                      «»

                      
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -Google
                        

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Quando é que vais acordar?


 

Anda o povo inebriado

a sonhar que está no céu,

leva  meio tostão furado

feliz porque o recebeu.

 

Para ser pobre explorado,

coitado… assim nasceu…

Não vê que é escravizado

na miséria a que volveu.

 

Se a união tem muita força

e os pobres são aos milhares,

é lutar até que torça

p’ra não te subordinares

 

a tantos exploradores….

Querem o mundo abraçar,

dele são seus possuidores…

Quando é que vais acordar?

                      «»
                            


Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 26 de março de 2018

ECCE HOMO – JESUS


                                              Por Zélia Chamusca
 
“Ecce Homo“, eis o Homem, foram as palavras em latim pronunciadas pelo governador (praefectus) da província romana da Judeia, Pôncio Pilatos, ao apresentar Jesus Cristo aos Judeus (Evangelho segundo São João, 19.5).

É precisamente o Homem Jesus que tentarei identificar em breves palavras.

Jesus, espírito superior, foi o único ser humano que conseguiu revolucionar a história da humanidade defendendo os pobres e libertando os oprimidos para que usufruíssem a vida num contexto de novas relações sociais, abrindo um novo caminho, o da salvação, o caminho da paz.

O programa desta ação libertadora de Jesus é apresentado no seu discurso na Sinagoga de Nazaré (João, 4,16,22) tendo sido a partir daqui que surgiu o confronto de ideias, sendo Jesus acusado de provocar a violência do sistema baseado na riqueza e no poder, o que O levou  a ser condenado à morte pelo poder romano, Pôncio Pilatos.

Jesus é o autor da história dos pobres e dos que procuram um mundo mais justo e mais humano.

Jesus criou um projeto para uma ordem nova que nos conduzisse a uma relação de partilha e fraternidade acabando com a exploração e dominação humanas. É um caminho revolucionário, libertador, revelador de uma vida de dignidade para todo o ser humano, mediante um novo modo de ser e de agir.

Esta é a realidade histórica da figura de Jesus, enquanto Homem, e do Seu papel na sociedade.

Para os crentes, Jesus, sendo visto á luz da fé, não morreu; ressuscitou e está vivo, a morte de Jesus é a libertação. Só a fé mostra o que não é mostrável, o que não se vê, apenas, se aceita. Jesus ressuscitou em espírito e a ressurreição é o caminho da vida.

Vendo sob uma outra forma, o caminho da vida de Jesus é uma pedagogia que nos ensina a fazer a história dos pobres.

Todos os acontecimentos da vida de Jesus revelam a dimensão de uma vida nova que conduz o ser humano a um novo modo de ser, de pensar e de agir.

Passados cerca de 2000 anos (não se sabe ao certo), o percurso que Jesus nos deixou não chegou ao fim.

Deflagra a exploração do homem pelo homem. Os ricos cada vez mais ricos quando há milhares, na rua, a morrer de fome e, outros, tornados escravos a trabalhar duramente, mal remunerados, sem terem direito a uma vida condigna. Isto no século XXI.

Seria bom que refletíssemos e passássemos a mensagem aos que têm o poder para agir e pensar que os bens da Terra não são só deles, dos detentores de 99% da riqueza terrena enquanto 1% restante é para milhões da população mundial.(a)

Jesus deixou-nos o exemplo.

E se o Seu exemplo fosse seguido por todos nós?

Esta é a Mensagem de Páscoa da Ressurreição.

                                    «» 
                                                   Zélia Chamusca                                          
                                                     2018-03-25     
(a)     -   http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn                                              
                                 
                                                              

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Metanoia

 
 

 
        


Busco outra forma de ser e viver,

quero, em tudo, ser bem diferente

tornando a inquietude sempre ausente.

Mudar de ideias p’ra voltar a ser!

 

P’ra viver uma metanóia presente

em constante procura e reflexão,

fase de busca e de sublimação,

é preciso mudança permanente!

 

Já mudei o meu pensamento!

Quero voltar a ser um novo ente

mudando a vida em cada momento!

 

Vou fugir da constante paranóia

da vida vivida por entre gente

p’ra viver em perfeita metanóia!

                         «»
                                                  Zélia Chamusca

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Já não sou eu


 

Sou, apenas, uma parte dum trio em mim,

Essência do meu ser e nada mais.

Em tudo na vida há p'ra sempre um fim

E eu sou eu, todos somos desiguais.

 

Já não sou eu; apenas do nada o confim

No equilíbrio que já se torna débil.

Éreis no mundo tudo para mim...

Sem vós fiquei arbusto seco e estéril!

 

Fugiu-me a vida do nada que eu era;

Restando, agora, a sombra de mim.

Já tudo partiu e o Reino me espera…

 

Resta a esperança de aí vos encontrar

Num abraço eterno, longo, sem fim,

P'ra nunca mais de vós  me separar!...

                              «»
                                 Zélia Chamusca

                               

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A Luz da Noite


                   
 

O meu país, Portugal,

Tem uma luz a brilhar

Como não há outra igual

Em nenhum qualquer lugar.

 

Seu olhar é o luar

Numa visão sobre o mundo,

Uma luz calma a brilhar

Que nos toca bem no fundo.

 

E até o sol se envaidece

Pela luz que ele lhe dá

Porque Portugal merece

A luz que só nele há.

 

Esta luz de encantamento

Que nos toca o coração

Dá asas ao pensamento

Donde surge a criação.

 

A luz da noite é encanto

E inspiração dos poetas,

Luz da lua que amo tanto

E ilumina as minhas metas.

 

A luz da lua é magia,

Paixão dos enamorados,

Ela transmite alegria

E fascínio aos namorados.

              «»
Poema e foto de - Zélia Chamusca

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Não vou descer ao povoado


 

Quando um dia em que me encontrei

Fechada na liberdade

As asas brancas soltei

E voei de felicidade.

 

A correr desci ao povoado

Por gostar de estar co ‘as gentes

Mas encontrei tanto gado

Debochado e dementes.

 

Voltei atrás ao que eu era

Dei asas ao pensamento

E construí minha quimera

Onde há tanto encantamento…

 

E fechei-me de alma aberta

Em diálogo permanente

Mantendo-me sempre alerta

P’ra não descer novamente.

 

Não. Não mais lá voltarei

Isso é coisa do passado

Interrogo-me,  bem sei

Que anda tudo perturbado.

 

Se a vida é aprendizagem

Permanente sem cessar

Não descerei na paragem

Para ao povoado voltar!

 

Não vou descer ao povoado

Não trouxe ninguém comigo,

Pois, por andar  por lá o diabo,

Elevá-los não consigo.

 

É difícil a subida,

Preciso é força e coragem,

Para a escalada da vida

P’ra passar para a outra margem.

                            «»

                           

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google