sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O Peso das Palavras


                                         
           

A mesma palavra pode dizer tudo e nada

pode ser agre doce e perfumada

 

A mesma palavra pode ser contundente

sintética restrita e abrangente

 

A mesma palavra pode ser agressiva

vazia oca verdadeira e defensiva

 

A mesma palavra pode ficar gravada

no coração e na alma apunhalada

 

A mesma palavra pode causar dor

e simbolizar doçura carinho e amor

 

A mesma palavra pode ser amargura

mas que seja transparência e candura

                               «»

                                            Zélia Chamusca

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Julgamento na Praça Pública




 
Andam tantos criminosos à solta

Pela comunicação silenciados.

Dentro de mim há tristeza e revolta,

Não por estes nem sequer serem julgados;

 

Não. Sinto revolta pela insensatez

De quem tendo responsabilidade,

Só de um relata o que fez (ou não fez)

Sem nenhuma respeitabilidade.

 

Todo o humano merece respeito,

Não ser na praça pública condenado,

Pois, será pelo Tribunal julgado.

 

Sinto a enorme dor dentro do meu peito

Por apenas ver que, em tantos canais

Se atiram pedras e, nada mais…

                            «»
Poema de - Zélia Chamusca

domingo, 20 de agosto de 2017

O Misterioso e Célebre Incêndio de Roma e os Misteriosos Incêndios em Portugal


                                                     
                                                                                        Por
                                                                               Zélia Chamusca

Existem várias argumentações sobre a origem do célebre incêndio de Roma, em Julho do ano 64, um dos mais instigantes crimes da Antiguidade, sendo a mais comum das argumentações a atribuída à mentalidade perturbada do jovem Imperador, Nero, que mandou incendiar a cidade para seu bel-prazer, pois, enquanto o fogo consumia a cidade, maravilhado com o espetáculo, tocava lira para se inspirar poeticamente a fim de criar uma obra como a Odisseia de Homero em que nos conta a gloriosa história de Ulisses, homem de mil façanhas e ardis, e, do cerco e tomada de Troia destruída por um incêndio.
O célebre romance “Quo Vadis”, do escritor Polaco, Henryk Sienkiewicz (1846-1916) que tem por tema a perseguição dos cristãos após o grande  incêndio de Roma, apresenta-nos a  atrás referida cena de Nero a tocar  lira enquanto se maravilha com o espetáculo do incêndio.
Este romance teve várias adaptações cinematográficas desde 1901 a 2001, tendo sido apresentado em Portugal nos anos oitenta, penso que seja a versão italiana de 1985. A última versão foi a polaca em 2001.
Eu tive o privilégio de ver este maravilhoso e espetacular filme. Desde muito jovem que me interessei pelos filmes históricos e bíblicos.
Voltando às diversas argumentações sobre a origem do célebre incêndio, há historiadores que alegam que Nero estava a quilómetros de distância da cidade e que diligenciou para que os danos fossem aplacados tanto quanto possível. Dizem, ainda, que quando soube o que estava a acontecer regressou, rapidamente, para prestar auxílio aos desalojados tendo-os, até mesmo,recebido nos jardins do seu palácio.
Houve, contudo, romanos que chegaram a afirmar ter visto Nero a distribuir focos de incêndio pela cidade.
Alguns historiadores afirmam ter sido a origem do incêndio numa das habitações que eram na época construídas em madeira e que tendo o incêndio decorrido em Julho, o clima seco e quente facilitou a sua propagação.
Outros historiadores alegam ter sido Nero o autor do incêndio para incriminar os cristãos por ele perseguidos,  tendo até alguns sido condenados à morte.
Ainda, outros dizem que Nero originou o incêndio porque pretendia reedificar parte da cidade, que não era do seu agrado, tornando-a mais poderosa mediante uma outra arquitetura majestosa incluindo a edificação dum novo palácio mais sumptuoso.
Porém, o que o colocou Nero numa situação suspeita foi o facto de ter comprado as terras atingidas por um preço muito baixo.
Seja o que for a verdade da história, é que, a atuação de Nero não agradou a alguns setores da nobreza que viram as suas moradias imperiais afetadas pelo incêndio, e, havendo outros interesses e suspeitos intervenientes nas diversas polémicas sobre as destruidoras chamas, Nero foi alvo duma revolta militar que o forçou ao suicídio.
Esta é a história do célebre incêndio, registada na minha memória, que é parte do conhecimento cultural que me foi transmitido pelos professores e pelo que li, quando estudei  História Universal.
Falar deste instigante crime da Antiguidade, não era, de modo algum, a minha ideia, mas, a verdade é que depois de, desde há quatro meses ouvir, dia e noite, falar de incêndios e, repito, dia e noite  ver Portugal a arder permanentemente,  veio à minha lembrança  o Imperador Romano, Nero, considerado um louco e o célebre incêndio por ele perpetrado, as negociatas que já existiam na altura e que geraram o conflito que o coagiu ao suicídio.
E lembrei-me da versão de alguns historiadores sobre a pretensa inspiração poética de Nero para criar uma obra semelhante à de Homero onde pudesse relatar o incêndio de Roma tal como Homero o faz, na Odisseia, relativamente a Troia, facto que me parece inverosímil, porque um génio é inigualável.
Porém, parece-me verosímil as possíveis negociatas económicas, já existentes nessa altura e, para mim, no meu país “de brandos costumes” talvez equivalentes, mas, na realidade, hoje, ainda misteriosas. 
Verosímil, também, de certa forma, ou mais propriamente uma certa semelhança por antagonismo, porque não gosto de ver o meu belo país, considerado um paraíso à beira mar plantado, sendo destroçado pelos devoradores incêndios provocados por mão criminosa e mentes malévolas, diabólicas. Não, nisto não há em mim qualquer verosimilhança, porquanto não gosto de ver os incêndios destruidores e fico nervosa, irritada por ver que não há quem ponha cobro a tão hediondo crime e não preciso de inspiração para escrever e se precisasse nunca seria neste, nem em nenhuma outra forma  de terrorismo. O crime não me inspira, muito menos poderia pretender criar uma obra com o valor e arte do génio Homero. Só poderia ter sido ideia de Nero, segundo determinada versão histórica, em que é tido como um ser perturbado mentalmente, o que para mim não me parece verosímil como atrás referi.
É verdade que tenho escrito na forma poética, porém sem qualquer poesia, é a realidade pura do espetáculo abominável, destruidor e triste que os incêndios causam. O que me move não é, de forma alguma, a inspiração mas sim a revolta, a tristeza e dor que tão hediondo crime me causa.
Quem me dera não ter tido a necessidade de escrever sobre tão triste tema que causou tanta morte, dor física e psíquica a tantos que estarão afetados para o resto das suas vidas.
E é verosimilhante, muito mais ainda, porque Nero foi acusado de ter mandado incendiar Roma. Mas, quantos Neros terão mandado incendiar Portugal desde há 3l anos, em que durante todo o verão, não pára nunca de arder dia e noite?
Sim. Quantos Neros são necessários para tantos incêndios, permanentemente, ativos? Extinto um, surge outro e muitos outros, sendo que este ano, desde há 4 meses, num só dia chegaram a estar 280 incêndios ativos, e, continuarão até que chegue o inverno quando restarem, apenas, cinzas que serão varridas pelas chuvas para os rios onde acabarão por morrer todos os viventes que, ainda, resistem.
Quantos Neros existem e qual o seu rosto?
Um dia a história contar-nos-á a verdade.   

                                                 Zélia Chamusca

                                                  

Portugal em guerra


        

 

Há bombas a rebentar

p´ra rápido o fogo atear.

Onde está quem tem poder?

Estão bem de longe a ver…

 

Tal o Nero que mandou,

e que na história ficou,

incendiar a Roma antiga;

esta é a mesma cantiga!

 

Já chegou o fogo às aldeias,

as casas em chamas cheias,

a floresta toda ardeu,

e já tudo se perdeu!

 

Apenas, as cinzas restam

e aqueles que nada prestam,

os Neros da atualidade

que destroem a sociedade!

 

Há pobres que estão na rua!

Queimaram a casa sua;

os ricos se protegeram

e as suas casas nunca arderam…

  

Não querem ver que é uma guerra

a mais cruel de toda a guerra!

Dizem que é tudo p’ra arder…

Todos estamos a ver!

 

Queimem todos estes Neros,

são dos animais mais feros!

Cortem o mal pela raiz

para salvar este país!

                 «»

                  Zélia Chamusca

 

      

 
 

sábado, 19 de agosto de 2017

Terrorismo em Portugal


 

 
O terrorismo em Portugal

é bastante original

 

Na noite escura e triste

lançam o fogo que persiste

 

Durante o dia é combatido

e de  noite é acendido

 

Há quem trabalha na guerra

na inacessível serra

 

Estes voam pelos ares

com a leveza das aves

 

De noite acendem a serra

de dia combatem na guerra

 

É preciso trabalhar

para o défice acabar

 

Deixa  arder deixa matar

é tudo para acabar

 

Num outro dia ouvi dizer

que é tudo para arder

 

Já mataram muita gente

mas o crime ninguém sente

 

Fazem dos outros tolos

como se fossem parolos

 

Trabalham de noite e dia

mas na noite surge a magia

 

Faz-se luz  tudo se acende

mas há gente que entende

 

Entende que há terrorismo

que não houve no fascismo

 

Se tivesse acontecido

no fogo tinham morrido

 

Tanto corrupto e cobarde

cala a boca e o país arde

               «»

                        Zélia Chamusca                

     




 

 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Rede organizada do fogo posto


 


 

Os demónios vieram de Hades à Terra,

trazendo  do inferno  o fogo incendiário

p’ra destruir o paraíso, agora,  quimera,

onde reina o crime cruel trucidário!...

 

Terrorista é quem destrói a floresta,

mata tanta gente e os sonhos também,

trucidando tudo e pouco já resta…

Crueldade demoníaca vinda de alguém!

 

São já muitas as mentes paranóicas,

querendo omitir o que  vemos bem,

são mentes demoníacas, diabólicas,

 

que conhecemos bem, mas, não têm rosto

e atuam livres dando permissão a outrem,

rede organizada do fogo posto!

                         «»

                                          Zélia Chamusca

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Estão os deuses enfurecidos

                   
 
Andam os demónios à solta!

Os deuses se revoltaram!

Na tragédia da revolta

enfurecidos estavam!

 
Ficaram enfurecidos

porque os demónios na Terra

andam de Deus esquecidos…

Jamais visto, assim nunca era…

 
Quando o andor da igreja a sair

parte e fere tantos crentes,

é difícil resistir

co'a desgraça destas gentes…
 
 

Também, num outro lugar,

à saída da procissão,

logo a festa vai parar;

a morte tomba no chão…

 
Eu vi uma árvore cintada

porque o demónio a marcou

e foi por isto cintada;

tanta gente vitimou…
 

 Uma árvore centenária

cai sobre um montão de gente…

Tragédia não imaginária…

Os deuses, infelizmente…

 
Nunca a fúria cega vê

e até Deus ou natureza

atinge aquele que crê

deixando tanta tristeza…

               «»

                  Zélia Chamusca

                          2017-08-15

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Até as vitimas calam


 
                 
 

Prometem mundos e fundos

para a boca lhes calar…

Não liguem a vagabundos…

Noutro mundo irão ficar?

 

Prometem-lhes o paraíso,

pensamento positivo…

Não percam, porém, o ciso,

tenham o cérebro ativo!

 

Comportamento anormal

e comum nos indefesos

convencidos: não há mal…

Saímos todos ilesos…

 

Vamos ser bem compensados…

Este negócio é que dá…

Não se importem… Preocupados?

O céu vai ser, aqui, e já!

 

Assim a boca lhes calam

na pureza destas gentes,

 que até as lágrimas lhes secam;

Vão sorrindo de contentes!

 

Pobres dos que já partiram;

Não puderam cá ficar…

Para sempre eles sumiram;

Deles não se irão lembrar!

               «»
                         Zélia Chamusca

sábado, 12 de agosto de 2017

O bicho mais feroz


         


 
 
 
 
 
Está a Terra tão empestada

com o bicho mais feroz

que não serve para nada,

grotesco, brutal, algoz!

 

Bicho grande que caminha

em pé nas patas traseiras,

engana como a doninha,

e incendeia com as dianteiras.

 

Destrói o sistema ecológico,

destrói tudo, toda a Terra!

É um ser terrível, diabólico,

o mais brutal da nossa era!

 

Tudo destrói, nada resta!

Já matou a fantasia

destruindo a floresta!

Matou também a poesia!

 

Do que dela, apenas resta

é a forma destes meus versos

denunciando a ação funesta

em gritos fortes imersos!

              «»

                       Zélia Chamusca

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A máscara vai cair


 
 

Há uma máscara que teme;

tão fragilizada está

e o suporte até já treme

pelo estado dela já.

 

Só não entendo o calado

dela e dos outros também.

Na fragilidade está

p’lo receio que nela tem.

 

Está já prestes a cair

e chegará breve o dia

em que os entrudos vão sair,

de repente, por magia!

 

Pois, condenados serão

com a pena capital

e aos infernos descerão

por fazerem tanto mal!

             «»
                     Zélia Chamusca

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Está a natureza triste e a chorar


 
          

        

 
Uma nuvem de fumo cobre a luz do Sol

e a sua luz brilhante, apenas, espreita

procurando a cor rubra de arrebol

na cama de cinzas onde se deita.

 

E o lusco-fusco da atmosfera poluída,

que a terra cobre deixando-a às escuras,

se espalha no céu já triste e sem vida,

sem cor e sem luz, subindo às alturas…

 

Temendo a fúria humana não aplacar

e pelo que de tanto já foi ardido

está a natureza triste e a chorar…

 

Este verão triste, de negro vestido,

é o resultado de mentes impuras

 que, ainda, impunes elas terão sido!
                                                          «»

                                Zélia Chamusca

domingo, 30 de julho de 2017

O crime que todos calam


 

É crime maior e fatal,

Que persiste em arrasar

Tudo, pelo que eles ganham…

Tão destruidor e brutal…

Não dá para imaginar

O crime que todos calam…

 

Cala o governo e a assembleia

E o povo eles adormecem

Não falando com clareza,

Lançando ideia e mais ideia,

Sem pensar no que merecem

Animais e natureza.

 

Bem fechado e sigiloso

E à nossa volta evidente,

Surge na noite calada

Tão hediondo e tão monstruoso

Na dor grande que se sente

E ninguém dele diz nada…

 

Toda a criação em cinzas jaz.

Por toda esta destruição
 
Está Deus triste, a chorar

P'lo que o ser humano faz

Desviando-se da missão:
                                                 Na criação participar.

                   «»
Poema de - Zélia Chamusca

domingo, 23 de julho de 2017

A teia da maldição


 


 
Movimenta-se na teia

uma aranha resistente

à chama que incendeia

prosseguindo sempre em frente.

 

Passa por vales e montes

destruindo a natureza,

bebe água dos rios e fontes

e a aranha tece em beleza,

 

em laboração intensa

levada p’la ambição,

faz uma teia tão densa

tecida p’la maldição.

 

É como prisão que atrai

todo o inseto miserável

que sempre vai cair sobre ela

numa  ação abominável!

 

Já são tantos os insetos

neste labirinto presos,

triangulo em que os catetos

os sustentam bem defesos.

 

Está a teia bem protegida

em que a força da ambição

destrói natureza e vida.

A teia é chamada – maldição!

                      «»
Poema de - Zélia Chamusca