terça-feira, 14 de junho de 2016

A Presidência dos Afetos



 Professor Marcelo, Nosso Presidente,
És entre todos o único pela tua singularidade individual que te caracteriza de forma impar, distribuindo afetos, transmitindo alegria, tranquilidade e esperança aos que de ti se aproximam nas tuas visitas presidenciais.
Como homem culto e verdadeiro cristão, sabes, perfeitamente, que o maior bem na vida é o amor que é motor, princípio impulsionador de tudo. Esta forma de amor está bem presente no abraço fraterno e afetuoso que a todos distribuis.
É através do amor, afeto, que obténs diálogos de consensos e união, transmites energia e força para viver. Unes esquerdas e direitas, centros e  todos os lados, tal como eu o entendo em sonho, sonho de poeta.
Para quê oposição? Para quê?
Oposição é negação, é destruição, é impedimento à criatividade, à evolução.
Só entendo a oposição enquanto luta pelo poder, guerra, e, toda a guerra é destruidora.
Mas, Professor Marcelo, conseguirás transformar esta oposição em união de consensos, em colaboração conjunta para o bem comum, o bem de todos nós portugueses.
Conseguirás transformar os debates destruidores numa colaboração de forças unidas à direita, à esquerda, ao centro e a todos os lugares e cantos da simbólica plateia da casa da Democracia, Assembleia da República
Sabes, Professor Marcelo, até a mim, com a minha rebeldia, conseguiste, já, transformar.
Deixei o protesto (em “UM MUNDO MELHOR”, Chiado Editora) e passei a escrever cartas de amor, não como as de Fernando Pessoa, que “são ridículas” “todas as cartas de amor são ridículas”, não, passei a escrever, repito, cartas de amor, amor que é afeto, é amor puro, são cartas de afeto, como esta que agora escrevo, e não as ridículas que são, talvez, sensuais, ou talvez mesmo ridículas…
Prometeste-nos uma presidência de afetos, e, efetivamente, tens cumprido a promessa. O uso da palavra afeto já se generalizou. Ouço, frequentemente, falar em afetos e espero que, não apenas continue a ser generalizado o uso da palavra afeto, mas, que o próprio afeto se torne extensivo a todos nós, isto é, a própria essência do termo, e, se possível, que o sentimento sublime do afeto venha a atingir a dimensão transcendente da universalidade.
Professor Marcelo, Nosso Presidente, por vezes, lembras-me o Papa Francisco pela simplicidade com que comunicas com o povo onde te tornas, tal como ele, personagem atuante nas suas atividades, normalmente eventos culturais ou festivos. Lembras-me, ainda, o Nosso Papa Francisco que visitaste após a tua tomada de posse, quando rompes com o protocolo, totalmente descontraído, sem receios (como outrora vi noutras personalidades) para te aproximares mais do povo que já conseguiste conquistar, com o teu simples afeto.
E lembras-me, sobretudo, o Papa Francisco pela singularidade inovadora da aproximação humana.
Foste o único que, na tomada de posse como Presidente da República Portuguesa (Poema – “Uma lição de afetos e paz”), uniste velhos e novos, brancos e negros, todas as cores, todas as culturas e credos, numa policromia sinestésica de luz e cor, num espetáculo de alegria, felicidade e esperança que transmitiste a todos os presentes e que espero nunca deixes matar. Não deixes que nos matem  a esperança, a esperança numa sociedade mais humana, justa e fraterna.
Continuas numa azáfama constante, numa dinâmica incansável na distribuição do teu afeto quando abraças, todos os que te rodeiam, com sorriso alegre, bem-disposto, feliz, transmitindo felicidade. Só assim conseguiremos transmitir felicidade aos outros. Se nós não nos sentirmos felizes como poderemos transmitir felicidade aos outros?
Há bem poucos dias, a 10 de Junho, Dia de Camões, Dia da Raça, Dia de Portugal e das Comunidades, distribuíste afeto com o teu abraço fraterno na dimensão universal de toda a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo, com a tua presença, em Paris, comemorando este célebre dia, com a comunidade portuguesa nesta mítica cidade luz.
Bastará este ato memorável para que a tua presidência jamais se apague, na História de Portugal, como a Presidência dos Afetos.
Meu abraço afetuoso e fraterno,

Zélia Chamusca
2016-06-14

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