segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tempo/ Temporalidade


                                         

A temática do tempo tem sido, desde a antiguidade, objeto de especulação filosófica.
A controvérsia  desta dialética temporal  fundamenta-se, resumidamente, nos seguintes princípios:

Segundo a física de Aristóteles o tempo é  a medida do movimento segundo o antes e o depois, significando o termo movimento mudança e devir;
Os materialistas  defendem o princípio de que o movimento constitui a essência  do tempo e do espaço e que a matéria, o tempo e o espaço são inseparáveis;

Ideia confirmada pela física moderna de Einstein que concebe o tempo  e espaço como inseparáveis da matéria;
O tempo é irreversível, ou seja, é todo o processo material que se desenvolve numa direção do passado para o futuro. O presente não existe;

Para os idealistas o tempo  não existe  -   é pura criação mental;
Santo Agostinho considera o tempo como um grande paradoxo. É um agora que não é, o agora não se pode deter, pois se isso acontecesse não seria tempo. O tempo é um será que ainda não é. Quando vamos apressá-lo desvanece-se-nos.

Será por isso que andamos sempre à procura do tempo?

O tempo é um bem tão escasso que nos falta para concretizar  todos os nossos projetos.
Todos nós nos queixamos de falta de tempo.

Em suma, não temos tempo para gerir o nosso  tempo.
Tempo é o espaço mensurável, cronometrado ao milésimo do segundo, em  que projetamos, permanentemente, a nossa vida profissional, familiar, social, coletiva, etc.

Os nossos projetos diários são, pois, condicionados pelo tempo – sucessão (de 24 horas) dos dias e das noites.
Com efeito, Tempus fugit – O tempo foge. Foge-nos, incessantemente, sem o podermos fazer parar.

Platão diz que o tempo é a imagem móvel da eternidade (Timeu).
Ora, se não podemos fazer parar o tempo nem tão pouco aumentá-lo, ele é o instante entre o antes e o depois, o presente e o devir, resta-nos, apenas, saber aproveitá-lo, ou seja, saber geri-lo de modo a podermos concretizar, nesse limitado espaço temporal de que dispomos, senão, todos os nossos projetos, pois que a própria vida é um projeto em aberto,  pelo menos, os nossos primordiais projetos.

Agarremos o tempo que temos, este tempo, que é de mudança, para unidos podermos criar a suficiente energia  de modo a concretizarmos o projeto  primordial de nossas vidas em comunidade sendo mais humanos e solidários na construção de uma sociedade  justa e fraterna.
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                                                                                Zélia Chamusca

 

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