sábado, 9 de abril de 2016

ÊXTASE


            
      
                                   

Na imensidão do mar vejo o Uno indivisível,
infinito e absoluto, primordial unidade,
transcendência em  que me perco e me encontro,
sinto-me,  no Todo, parte da realidade.
 

Procuro outra direção na contemplação,
uma outra face, sair da beleza sensível
e olhar para o que é verdadeiramente belo,
numa elevação p’ra  beleza inteligível.

 
Sinto o belo inefável, sobrenatural,
que é encantamento, que é prazer, que é  elevação,
é  total arrebatamento espiritual,
suprema felicidade,  é sublimação,

 
é libertação, êxtase, purificação,
é beleza suprema é serenidade,
é o próprio encontro do ser consigo mesmo,
na busca da sua ontológica unicidade.
                               «»
                                     Zélia Chamusca


Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea   
Entre o Sono e o Sonho
Vol. VII - Tomo II
Chiado Editora
 

2 comentários:

  1. Amo este poema.
    É beleza suprema, é serenidade ....
    Obrigada minha amiga por me deixares partilhar. Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Só tenho a agradecer.
      Beijinho, Amiga Rosaria Marques Marques,
      ZCH

      Eliminar