terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Simbologia do Ano Novo

Mensagem de Ano Novo de 2016
  Por Zélia Chamusca

                                 



O Ano Novo é renovação no sentido lato do termo.
A celebração do Ano Novo remonta às sociedades primitivas sendo bastante anterior aos sumérios.
Nestas sociedades a renovação estava relacionada com as diferentes culturas de cereais e frutos em cada uma das estações do ano, ou seja, o conceito de renovação estava associado às reservas alimentares. Assim, a festividade do Ano Novo era escalonada pelas diferentes estações, dependendo dos cereais cultivados e do amadurecimento dos frutos. A celebração  era feita através de rituais que asseguravam a continuidade da vida em toda a comunidade.
A diversidade da duração do período que, independentemente da cultura dos povos da antiguidade,  era atribuída ao ano, nunca minimizava a importância conferida ao fim de um período de tempo e ao início de novo período.
Em todas as sociedades, a renovação  implica um nascer de novo.
Na cultura cristã, o nascimento de Cristo, é o símbolo da renovação, considerado o Homem Novo, porque reflete fielmente a imagem e semelhança do seu Criador seguindo de perto o exemplo de Deus, sendo o amor o atributo principal que nos veio transmitir:
 “ Eu vos dou um  mandamento novo: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13,34).”
Muito haveria a dizer, porém, permito-me, apenas, referir, sinteticamente, três aspectos relevantes na simbologia do Ano Novo, enquanto renovação:
 Cronológico, cosmogónico e ontológico.
a) Cronológico
A cronologia (do grego “chronos”, tempo e “logos”, estudo) é a ciência cuja finalidade é a determinação das datas e a ordem dos acontecimentos históricos.
A cronologia do tempo é, entre nós,  determinada pelo calendário gregoriano porque foi promulgado pelo Papa Gregório XIII (1502–1585) e é também chamado  calendário Cristão porque tem como data o nascimento de Cristo.
O Ano Novo sucede ao final de um ciclo temporal para, anulando o passado,  dar lugar ao futuro, condição necessária para o nascer de novo, para o recomeço de um novo ciclo cronológico.
É a renovação do tempo.
b) Cosmogónico
A cosmogonia  (do grego “cosmos”, que significa universo, e “gonia”, que quer dizer geração, nascimento), é  a parte da metafisica que estuda a origem  e criação do universo.
Trata-se de uma especulação filosófica sobre a origem e formação do universo que se encontra em muitos mitos religiosos e na filosofia dos pré-socráticos, principalmente em Tales de Mileto, o primeiro a defender que a  água era a base primeira de tudo quanto existe.
A  celebração da passagem do Ano Novo é, como atrás referi, um ritual antiquíssimo, celebrado em datas variáveis, que já existia antes da época suméria e, independentemente das diferentes culturas dos povos, mantem, ainda hoje, a mesma simbologia mítica da renovação como sendo  uma retomada do tempo no seu começo e,  por outro lado, uma repetição cosmogónica, isto é, a passagem do Caos à Cosmogonia, ou seja, a passagem do espaço vazio primordial às origens.
O Ano Novo é, assim, um recomeço, é renascer. É renovação.
c) Ontológico
A ontologia (do grego “ontos “ ente e “logoi”, ciência do ser) é a parte da metafísica que trata da natureza, realidade e existência dos entes, do ser enquanto ser, ou seja, do ser concebido como tendo uma natureza comum, inerente a todos e a cada um dos seres .
Nesta natureza comum, no reino vegetal as plantas, compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Elas não pensam, não têm mais do que a vida orgânica. Podem ser afetadas por ações sobre a matéria, mas não têm percepções; por conseguinte, não têm a sensação de prazer ou dor. Como não pensam, não podem ter vontade, e não têm consciência de si mesmas; nada mais possuem que um instinto natural e cego, o próprio instinto de conservação que é puramente mecânico.
Contudo, elas renovam-se dando-nos prova de eterna renovação cujo processo  começa pelo seu declínio, geralmente, na aproximação do final do ano para  o seu renascer após o início do Ano Novo.
O processo de renovação da natureza, constatamo-lo, pois, nas plantas, nos arbustos, nas árvores com o renovar da folhagem e o desabrochar das flores, a formação dos frutos, etc. Sentimos a renovação no reflorescimento de toda a flora terrestre através da beleza que encanta o nosso olhar e o aroma que docemente nos inebria fazendo-nos pensar, embora momentaneamente, que vivemos num verdadeiro paraíso.
Este paraíso terrestre com que o renovar da natureza assola os nossos sentidos é demasiado efémero nos nossos sentimentos pois não nos dá tempo para reflexão sobre este fenómeno tão natural,  a renovação.
E nós, humanos, que  nos sobrepomos aos restantes entes criados, dominamos todas as outras classes por uma inteligência especial, ilimitada, que nos dá a consciência do nosso futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de algo que nos transcende, pergunto:   
Qual o nosso contributo na renovação da sociedade em que estamos inseridos?
A natureza renova-se, permanentemente, num ciclo eterno, mas, nós não reparamos, não sentimos, não pensamos, a não ser por efémeros momentos, especialmente na primavera contemplando a natureza e, talvez, na Páscoa da Ressurreição,  no nosso contributo na renovação do mundo.
O verdadeiro significado do Ano Novo é a renovação. A renovação que parte do nosso interior, “stricto sensu,” e o nosso papel no mundo, “lato sensu”.
Qual o nosso contributo, repito, para esta passagem, para o recomeço de um Novo Ano para que seja um ano de paz, amor e fraternidade?
Nós, seres humanos, com natureza comum a todos os seres criados, não pensamos, que  não só, tal como toda a natureza, todos os seres criados por Deus , “Deus sive Natura”, segundo terminologia de Espinosa, não só, repito, que tal como ela nos devemos renovar, e, temos o dever moral de nos renovarmos pois, somos dotados das principais características que nos diferenciam  de todos os outros seres: a consciência, o pensamento, o livre arbítrio, a responsabilidade moral; atributos que nos colocam no cume da pirâmide hierárquica da natureza, da criação.
É nossa a responsabilidade pelo mundo, por este mundo cruel onde prolifera a corrupção, a ganância, a fome, a guerra, a destruição, etc.
E nós, quando renovaremos o nosso coração?
Tentemos, neste Novo Ano de 2016, fazer deste caos terreal em que nos movimentamos, um jardim eterno e paradisíaco, mesmo que isto seja sonho de poeta, depende de nós torná-lo realidade, empenhando-nos na construção   duma sociedade de amor e de paz, aromatizada com o bálsamo da fraternidade onde reine a verdadeira essência do Natal seguindo a Mensagem que Jesus nos veio de novo lembrar:
“Eu vos dou um  mandamento novo: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13,34)” 

                                                                    Zélia Chamusca
                                                                       Ano Novo/2016



sábado, 19 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal de 2015



MENSAGEM DE NATAL DE 2015

 Amar é sabermos dar
 O amor puro e fraternal
 Que Jesus vem ensinar
 De novo neste Natal.

Sigamos a Sua Mensagem
De amor e fraternidade
Fazendo desta passagem
Hino de Felicidade!
               «»
                
                            Zélia Chamusca



domingo, 6 de dezembro de 2015

Vive a vida com alegria





Não chores o que viveste.
Se foi mal, esquece;
Se foi bom, recorda…
Viveste!...

Sê feliz, agora, que vives
E com o que vives.
É tua a oportunidade
De encontrares a felicidade
Dentro de ti.
Porque, ela está aí.

Encontra-a e vive com a alegria
De a vida viver.
Ri, ri sempre, pois, o riso contagia!
Verás que à tua volta
Tudo se transforma em alegria
Como por magia!
               «»

                   Zélia Chamusca


Fonte de imagem - Google

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sonho de Poeta

      



Um dia sonhei com uma comunidade
plena de amor paz e fraternidade
e convenci-me que era a realidade.

Todos comungavam de imensa alegria,
até pensei que era pura magia
porque tanto bem no mundo existia.

Porém, ao despertar, pude constatar
que dum lindo sonho estava a acordar,
pois, num mundo cruel estava a habitar.

É tanta a pobreza de enorme miséria
e o que dizem ser é, apenas, léria,
porque, triste bem triste, é situação séria.

E uma angústia enorme dominou meu ser
porque num mundo injusto estava a viver
não acreditando no que estava a ver.

Eles se enganaram e tão mal geriram
os bens que só por eles repartiram,
desapareceram e não mais se viram…

Com os bens fugiram nos cofres sumidos.
Só p'ra eles querem estes bens escondidos.
Vivem enganados e tão iludidos…

De tudo despojados eles partirão,
sozinhos sem nada, nada levarão,
pois, até o corpo aos vermes deixarão.

É tanta a ambição que eles ver não querem,
que o pobre expoliam e tanto eles ferem,
injustos não pensam no mal que eles gerem…

Mas, chegará o dia de grande alegria
em que o sonho não será fantasia
e o mundo viverá em democracia

e firmar-se-á p’ra sempre a liberdade,
a igualdade e a fraternidade
e em paz viverá toda a humanidade!

E nesta fantasia, sonho de poeta,
a vós me dirijo deixando o alerta:
Unidos venceremos! Povo desperta!
                         «»

                                         Zélia Chamusca