sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Uma canção de embalar



Ai, aiai, ai, aiai…
Estamos todos a tremer…
Onde iremos parar
se o único caminho
era ao velho ir roubar?

Ora, se as reformas vão aumentar,
o IRS a baixar
e o IVA, na restauração;
vamos nós ter que pagar…

E baixar mais não poderão
o IRC ao patrão…
Coitado deste…
só lhe baixou duas vezes
numa benemérita ação
da anterior governação…

Se já não paga o velho reformado
e o funcionário público
as despesas (que  dizem) do Estado
com o roubo da pensão
ao indefeso ancião
e o corte do ordenado
ao funcionário do Estado,
agora como vai ser?
O que irá acontecer?

Ai, aiai, ai, aiai…
o que me vai acontecer a mim
se isto continua assim?

Ai, aiai, ai, aiai…
Estamos todos a tremer…
Como vai agora ser…
Vou eu ter que pagar,
pois, agora irão deixar
de ao velho ir roubar…

 - Agora tudo mudou!
Cala a boca charlatão!
Já tens a tecla partida!
Irá haver outra medida…

Deixa a canção de embalar
as mentes já bem despertas!
Terás que a boca calar!
Vai compor nova canção;
pagará a corrupção!  
        «»
                               Zélia Chamusca
                            








domingo, 22 de novembro de 2015

Viva a Esperança na Mudança Surgida





Antoine Laurent Lavoisier, considerado o pai da química, criador do princípio da teoria da conservação da matéria, diz-nos na célebre frase:

“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

Eu direi que, com efeito, tudo se transforma, não apenas a massa mas também  o pensamento, as ideias, e, não  só através da  evolução como preconizam alguns, mas também numa dialética resultante da luta de contrários, isto é, tudo se transforma  numa dinâmica entre a evolução e a regressão.

Estamos a viver um momento em que estão a surgir novos paradigmas, novos pensamentos através dos quais surgem novas ideias ou conceitos que conduzirão à mudança de práticas e, consequentemente, do “modus vivendi”, na sociedade em que vivemos.

Esta mutação, aqui aplicada às ideias ou conceitos, é, como atrás referi, o resultado da dinâmica entre opostos.

Nem todos entendem nem pretendem entender, ou seja, não têm necessidade de entender.

Só o povo, o pobre, o indefeso entende e sente, agora, a felicidade da esperança surgida pelo termo da insegurança   sofrida nos últimos quatro anos de viragem à direita esclavagista, tão nefasta para os referidos indefesos e a favor dos que não pretendem entender pois, a eles nada tocou a não ser o privilégio de auferirem o que falta, porque foi retirado, aos desprotegidos atingidos pelo regresso a uma nova fase de exploração pelas forças regressivas.

Já começou o sol a brilhar, fez-se luz nas mentes preconizadoras dum processo de evolução que está  a surgir dum confronto de ideias, conceitos e valores donde resultará a mudança esperada pelos, até agora atingidos, condenados a pagar discriminada e injustamente o mal que outros causaram, através da má gestão, incompetência, desonestidade e corrupção,  na sociedade portuguesa.

Agora há luz, há vontade, há humanismo, há ideias, há conceitos e valores e, sobretudo, inteligência e força para uma mudança na nossa sociedade onde todos possamos viver felizes em democracia plena e consolidada.

Brindemos àqueles que estão a trabalhar para que, se torne realidade a esperança surgida!

Viva a mudança! 

Viva a verdadeira democracia!


Zélia Chamusca

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Liberdade Implica Responsabilidade




Jean Paul Sartre é o fundador do existencialismo ateu com a obra L'Être et le Néant, O Ser e o Nada, escrita em 1943.

Segundo a sua doutrina, o existencialismo ateu, a existência precede a essência, contrariamente à dos anteriores existencialistas cristãos que defendem que a essência precede a existência. 

Esta essência primeira pressupõe a existência de um Deus, Essência.  Deus é Essência, é princípio e fim de tudo, mas, para Sartre, Deus não existe (dizem), antes, ele põe de parte a existência de Deus para justificar a sua doutrina existencialista, o existencialismo ateu.

Segundo Sartre, como atrás referi, a existência precede a essência, ou seja, o homem primeiro existe e só depois vem a ser, isto é, se define ao longo da sua vida enquanto responsável por ela e por todos os seus atos através da liberdade, da liberdade de escolher e decidir. E ao fazê-lo torna-se responsável por ele próprio e pelo mundo.

Pretendo, apenas, realçar, aqui, que o existencialismo sartriano concede importante relevo à responsabilidade. O homem (o humano)  é o único responsável pelas suas escolhas, pelas suas decisões, ou seja, somos nós que respondemos pelos nossos próprios atos e que somos responsáveis pelas consequências das nossas decisões.

Cada uma das nossas escolhas ou decisões provocam mudanças, no nosso projeto pessoal e no mundo, que se tornam imutáveis.  Assim, perante a liberdade que temos em escolher ou decidir tornamo-nos, não apenas, responsáveis por nós próprios,   mas também, por toda a humanidade.

Poderemos interpretar no contexto  da liberdade que implica responsabilidade a célebre frase de Sartre -  “O homem tem o peso do mundo às costas”. É exatamente porque o homem tem a liberdade de escolher e decidir ou simplesmente,  não decidir, que tem o peso da responsabilidade pelo que acontece no mundo.

Feita esta breve exposição sobre a temática central da obra L’Être et le Néant  falo-vos da influência que teve na minha personalidade o  estudo ou, mais propriamente,  a análise e reflexão, (pois a filosofia não se estuda; pensa-se), desta importante obra pela qual sempre me senti fascinada e marcada na minha forma de ser, de pensar e de agir.  
Esta obra, L´Être et le Néant, foi por mim lida, pensada, refletida e trabalhada tendo o referido trabalho sido apresentado ao Professor Catedrático, Oswaldo Market,  meu Professor no 2º. ano de Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.

Digo-vos, sem presunção que o Professor, Oswaldo Market, disse-me:  muito bem, vejo que pensa, pois, existem muitos comentários sobre a obra mas não traduzem o pensamento de Sartre.

Talvez venha, ainda, a publicar este o meu trabalho universitário a que aqui me refiro.

A partir da análise e reflexão sobre o pensamento de Sartre, toda a minha vida tem sido marcada por este grande pensador cuja doutrina  incutiu em mim grande parte da força, persistência e tenacidade que possuo.

Esta doutrina da liberdade enquanto responsabilidade marcou-me  de tal forma que nunca deixo de incentivar os outros a que se determinem, que se definam, essencializem, através de sua força interior, no sentido do ser e do ter. Só depende de nós virmos a ser o que gostaríamos de ser e de ter.

Não podemos, porém, cruzar os braços à espera que as coisas aconteçam, não, temos que trabalhar para isso, para o que queremos ser e queremos ter e, sobretudo, para o que queremos ser no mundo. 

Sartre diz-nos, ainda, que à custa de querermos ser acabamos por ser. Incute-nos determinação, força para viver e ser.

A minha vida tem sido pautada por esta determinação e força de viver, fruto  não só do conhecimento filosófico, mas, fundamentalmente, do saber de experiência feito, o saber vivido.

Pensemos nisto e saibamos ser mais, ser mais humanos, mais justos e solidários para que vivamos num mundo melhor, de paz e fraternidade.

                                                                                                                                                                                                                                        Zélia Chamusca

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Chegada a Mudança



  

Já surgiu a esperança
A luzir no olhar
Sorriso discreto
No rosto a brilhar

Voltou a bonança
Veio p'ra ficar
Um perfil correto
Não tarda a chegar

Chegada a mudança
Podemos confiar
Que o caminho certo
Iremos trilhar

Tenhamos confiança
Que o sol vai brilhar
E um amor dileto
Iremos firmar.
         «»


                

Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Abaixo, abaixo!








Abaixo, abaixo!
Abaixo, que basta!
de encher bem o tacho
já cheio à farta!

Abaixo, abaixo!
Não à exploração!
Só o pobre, mais pobre
paga a corrupção!

Abaixo, abaixo!
Sofre o indefeso
e o rico a gozar
bem cheio, obeso!

Abaixo, abaixo!
Estão a tremer,
cobardes com medo
do tacho perder!

Abaixo, abaixo! Já!
Porque o Povo unido
sempre vencerá!
            «»
               
             Zélia Chamusca
                2015-11-10





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Saudade do sonho que sonhava...




Tenho saudade de tudo…
Saudade do que quis,
De tudo o que fiz,
De como me vi a mim
E vos olhei a vós,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade da vida que vivi,
De tudo o que senti
E que com os olhos da alma vi,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Do ar que respirei,
Dos sonhos que sonhei
E concretizei,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade do querer,
Do querer ser,
Do que cresci
E do que construí,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade da beleza,
Da gentileza,
Da cultura,
Da postura
De tantos senhores
Que conheci,
De como te amei a ti…

Tenho saudade de tudo…
Saudade do cheiro
Que emanava das flores
E que perfumava o ar que eu respirava…

Saudade do sonho que sonhava…
                       «»



Poema de - Zélia Chamusca
Da obra  - Um outro olhar
 (a publicar)