sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Vivi Escondida








Vivi escondida à frente daqueles que conheci.
Rodeada por tantos com quem convivi
e com eles aprendi.

Vivi escondida à frente de gente
sob a luz do sol brilhante,
que reluzia para mim como um diamante.

Vivi escondida à frente da lua a brilhar
que iluminava o coração dos amantes em noite de luar
fazendo transparecer o amor em cada olhar.

Vivi escondida no  sol nascente
numa aurora de esperança  reluzente
que me sorria feliz e contente.

Vivi escondida na rua a passear,
voando no sonho sob o sol a brilhar
querendo dele nunca acordar.

Vivi escondida aberta  a toda a vivalma
que me olhava e a quem abria a alma,
em tranquilidade e calma.

Vivi escondida fugindo da escuridão,
fria e negra, prestando ao sol a gratidão
por aquecer e iluminar o meu coração.
  
Vivi escondida por tanto viver
envolta no mais belo sonho que se pode ter...
Como se some a vida para não mais ser…

Vivi escondida, não quiseram ver
que, em cada dia, dentro do meu ser,
surgia um novo alvorecer.

Vivi escondida à frente de Deus,
sempre presente  em passos meus,
aconchegando-me nos braços Seus.

Vivi escondida na sombra da multidão
procurando o caminho da realização
e minha presença não passou em vão.

Vivi escondida à luz do projeto que tracei 
e com  força e determinação concretizei.
Vivi, lutei e venci. Singrei!

                                    «»
                                     Zélia Chamusca



Fonte de imagem- Google

4 comentários:

  1. Viver escondido, na introspecção, ouvindo, vendo e reflectindo, alimentando um sonho de projecto de engrandecimento da personalidade, da forma de estar na vida, é um método de enriquecimento espiritual. Mal daqueles que, em vez de tal reflexão criativa, se ostentam aos olhos e ouvidos de outros em propaganda de grandeza arrogante assente em mente vazia. Estamos em momento em que tais oradores de palavras balofas que, à falta de cérebro, passaram pelo intestino grosso, a apelar a votos em listas ocultas que contêm pessoas de baixa qualidade moral. Este poema tem, por isso, uma significativa actualidade.

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    1. Olá,Ilustre Amigo, A.João Soares,

      Nos tempos que correm, infelizmente, a moral esvaiu-se no vazio das mentes perversas.
      Muito grata pelo seu comentário e pela sua presença já há tanto tempo esperada.
      Beijinho,
      ZCH

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  2. Viver escondida sem o estar, ouvir e ver atentamente o desenrolar da vida (da dita vida normal) repleta de anormais, propagando a sua (sem saber, porque não sabem)pequenez, seus pensamentos balofos esbracejando para alcançar um lugar ao sol, que nunca terá. O silêncio, quando se é "grande", todos o ouvem, todos o enaltecem. E lá, bem à frente de todos, quando o olhar para trás reconforta: Os medíocres não conseguem lá chegar. Caminham penosamente levando aos ombros a sua pequenez, Cultura?, não se compra, nem se aprende nos livros. Nasce espontaneamente naqueles. Por isso são especiais.MPF


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    1. Neca Ferreira, muito grata pelo seu comentário numa acertada reflexão sobre o que escrevi.
      Os medíocres que, efetivamente já são muitos, receiam que o brilho dos outros os possa fazer jazer na cegueira da perpétua pequenez.ZCH

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