sábado, 31 de janeiro de 2015

Estão todos a tremer





Estão todos a tremer
com o abanão que levaram
e não irão esquecer
o mal que eles nos causaram.

Estão todos a tremer
e não falam no que devem
o que irá acontecer
eles todos bem merecem.

Só mentira, só mentira,
ouvimos no noticiário
e, apenas, revelam a ira
no seu conto do vigário.

Pensam que o povo não vê,
tapam o sol c’ a peneira;
tanta burrice se vê
nos que agem desta maneira!

Temem com um tal cagaço
todos os comentaristas
c’os políticos no enlaço.
São todos malabaristas!

É tanta a falta de nível
com que todos se apresentam;
que é uma postura incrível
no que nos ecrãs comentam.

Todos num disse que disse,
estão todos a tremer
dizendo só aldrabice
temem o tacho perder!
          «»

                   Zélia Chamusca

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Vício de Escrever





Eu queria não escrever,
queria não falar,
queria não ouvir,
queria não entender,
queria não sentir,
queria não amar!

Mas, o paradoxo da contradição
faz com que eu não diga: Não!

Sinto este vício de escrever
pelo prazer de escrever.
É assim o vício…

Talvez seja patológico
este vício de escrever
que não consigo entender.
Mas, é, também, terapia
que alivia…

É explosão de palavras
em que se esgota a energia
para um novo recomeçar,
como a aurora em cada dia,
e, nunca parar!

É um comportamento compulsivo,
é hábito apreendido, desmesurado,
de tal forma descontrolado
que parar não consigo!

Estranho e complexo
este vício de escrever
que não consigo entender!
                «»

                            Zélia Chamusca


Fonte de imgem - Google

sábado, 17 de janeiro de 2015

A Liberdade Perdida


                                                    
                                                     Por Zélia Chamusca

O conceito de liberdade foi, ao longo dos séculos, desde os Gregos até aos nossos dias, usado de maneiras muito diversas e em contextos diferentes.
Existem tantos conceitos de liberdade quantos os contextos em que o conceito  de liberdade se insere.
Não irei falar disso porque seria um nunca mais acabar.
Direi, contudo, que tudo o que pertence à ordem da liberdade pertence à ordem da razão. Liberdade implica responsabilidade.
Nós só somos livres enquanto seres racionais, dispostos a agir como seres racionais, isto é, agindo em consciência.
Hoje, porém, vivemos num mundo em que a liberdade se perde, sem que sequer se pare para pensar antes de agir.
Deixamo-nos conduzir como gado para o “gate” da destruição do próprio ser em que o pensamento se esvai nas teias complexas de conceitos de falsa liberdade:
Ser livre é fazer o que se quer;
Ser livre é escolher, é optar a favor dos interesses próprios;
Ser livre é andar na moda usando o mesmo tipo de vestuário;
Ser livre é fazer as mesmas leituras, ouvir as mesmas músicas ou ir para o cinema comer pipocas;
Ser livre é exibir o melhor equipamento tecnológico, Tablet, Smartphone, Smartwatch ou outro;
Ser livre é pensar da mesma forma, segundo parâmetros sociais impostos quer através da permanente publicidade dos mídia, quer através de ídolos que a sociedade cria e que muitas vezes, intencionalmente, servem para alienação das massas, contribuindo para a ausência da razão numa encefalopatia humanitária provocada pela falta de oxigenação da mente adormecida nas brumas negras e complexas da falsa liberdade que conduz à destruição;
Ser livre é deixar-se viver igual aos outros fazendo o que se quer mesmo que isso ponha em causa a dignidade do outro;
Ser livre é agir ignorando os valores morais e, fundamentalmente, os valores universais;
Ser livre é, impunemente, roubar, explorar, destruir, numa luta feroz indigna dum ser humano, numa sociedade em que cada um age a seu favor desrespeitando e injuriando o outro;
Ser livre, hoje, é lutar pela supremacia do poder quer material, quer cultural numa sociedade corrupta e desorientada.
Vivemos na liberdade perdida numa crise de valores e de pensamento.
Vivemos numa sociedade em rotura de mentalidades e de relações comportamentais indignas do ser humano na sua interação com o outro e com o mundo.
Torna-se necessária uma rotura total dos falsos valores da liberdade para que se reencontrem os verdadeiros valores perdidos numa sociedade alienada e cega, deambulando nas sombras da inconsciência levada pelo egoísmo e pela corrupção.
Vivemos em crise económica (alguns)  porque vivemos em crise de valores.
A crise implica mudança de mentalidade e de comportamento em sociedade.
A liberdade é a base da essência, isto é, nós somos livres em sermos o que quisermos ser, em nos definirmos.
Por outras palavras, nós escolhemo-nos a nós próprios e ao escolhermo-nos escolhemos o que nós próprios vamos causar.
Parafraseando o filósofo Jean-Paul Sartre, “o homem tem o peso do mundo às costas”. Com efeito, o homem é responsável pelo mundo, isto é, pelo que causa no mundo.
Liberdade implica responsabilidade agindo em consciência e respeitando o outro.
Quando escolhemos, escolhemos em consciência. Liberdade é agir em consciência distinguindo o Bem do Mal, valores universais, e caminharmos no sentido do Bem não nos deixando conduzir por “praxis” sociais de alienação das massas, repito, sem sequer pensarmos no que fazemos, no que causamos ao outro, a nós próprios e à sociedade.
Ouvimos, frequentemente, falar em liberdade de expressão e entendemos que esta liberdade é dizer tudo o que nos vem à cabeça, inclusivamente, injuriar e ofender o outro. Não, não é. A liberdade tem como limite o respeito mútuo.
A liberdade de expressão é o direito de livremente manifestarmos opiniões, ideias, pensamentos sem pôr em causa o direito à dignidade do outro, contrariamente poder-se-à incorrer na prática de crime sob a forma de  abuso de poder.
Ser livre é respeitar o outro tal como ele é, na sua cultura na sua forma de pensar e agir. Ser livre é agir em consciência respeitando-nos uns aos outros.
Ser livre é definirmo-nos sendo o que quisermos ser, agindo em consciência sendo úteis à sociedade em que estamos inseridos, não obstante seguirmos por caminhos diferentes, cada um de nós pela estrada da própria vida, mas, com o fim único – A construção de um mundo de paz, amor e fraternidade.
  
                                                                             Zélia Chamusca

Género - Ensaio

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Vivi Escondida








Vivi escondida à frente daqueles que conheci.
Rodeada por tantos com quem convivi
e com eles aprendi.

Vivi escondida à frente de gente
sob a luz do sol brilhante,
que reluzia para mim como um diamante.

Vivi escondida à frente da lua a brilhar
que iluminava o coração dos amantes em noite de luar
fazendo transparecer o amor em cada olhar.

Vivi escondida no  sol nascente
numa aurora de esperança  reluzente
que me sorria feliz e contente.

Vivi escondida na rua a passear,
voando no sonho sob o sol a brilhar
querendo dele nunca acordar.

Vivi escondida aberta  a toda a vivalma
que me olhava e a quem abria a alma,
em tranquilidade e calma.

Vivi escondida fugindo da escuridão,
fria e negra, prestando ao sol a gratidão
por aquecer e iluminar o meu coração.
  
Vivi escondida por tanto viver
envolta no mais belo sonho que se pode ter...
Como se some a vida para não mais ser…

Vivi escondida, não quiseram ver
que, em cada dia, dentro do meu ser,
surgia um novo alvorecer.

Vivi escondida à frente de Deus,
sempre presente  em passos meus,
aconchegando-me nos braços Seus.

Vivi escondida na sombra da multidão
procurando o caminho da realização
e minha presença não passou em vão.

Vivi escondida à luz do projeto que tracei 
e com  força e determinação concretizei.
Vivi, lutei e venci. Singrei!

                                    «»
                                     Zélia Chamusca



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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Um Quadro de Poesia


















Pintei com a poesia
um quadro de palavras
de sentimento estético pontuadas,
na tela muito bem gravadas,
em imagens coloridas de fantasia,
da cor da primordial ética
e sensibilidade estética.

É um quadro entre todos o mais belo,
puro, transparente e singelo,
na galeria poética da linguagem,
do sentimento e da coragem
na arte em exposição.
Aberta a todos os que vêm nela
a forma mais perfeita e bela
da arte da comunicação.
               «»

                              Zélia Chamusca




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Poema e formatação de - Zélia Chamusca

domingo, 4 de janeiro de 2015

Findou o Natal!





Findou o Natal!
Que Natal?
Findou o Natal para os que dormem na rua
e foram abrigados do frio, na gélida noite abençoada,
tendo como lauta ceia um caldo quente de consoada
para  o corpo lhes aquecer
e a mente, tranquilamente,  adormecer…

Findou o Natal!
Voltaram a dormir na rua
ao frio, à chuva, ao vento.
Já não há tormento,
findou o Natal…

Findou o Natal!
Alguns continuam a esbanjar
o que têm em demasia
e que aos outros falta.
Que ironia…

Findou o Natal!
Que Natal?
Quando cortam ordenados,
despedem  trabalhadores,
e roubam reformados?

Findou o Natal!
Criaram alibis para o povo adormecer,
fazendo festas públicas,
esbanjando milhões,
enquanto eles ficaram
bem acomodados
a gozar confortados,
nas suas mansões,
em banquetes requintados,
por lacaios  rodeados,
num manjar dos deuses
comendo e bebendo que se fartaram,
sendo os custos pelos pobres suportados
com o que lhes tiraram…

Desceram anjos dos céus
para  o povo adormecer
e, eles  a gozar  de longe a ver
se estás bem adormecido
porque poderás ter que de novo
ser injetado para, até de ti, ficares esquecido….

Eles estão cada vez mais ricos
disfarçados de anjos que te adoram
como os Anjos vindos dos céus,
há mais de dois mil anos e que Jesus adoraram…


Acorda,
já não há magos, reis magos,
que, eram apenas, magos…
Hoje, há apenas Herodes
que prendem o Messias
antes que acordes.
Estes, são os reis,
reis do mundo, a quem tu o trono deste
e do mal que causam e causaram na Terra
já te esqueceste.

Continuas, adormecido,
não queres acordar
dando-lhes o poder 
para sobre ti poderem atuar.

Já não há profetas,
apenas, para te enganarem, criam a diversão
para continuarem a tirar-te o  pão
em nome da crise que eles causaram
pela ambição, pela má gestão e pela corrupção.
Contudo, o Natal a festejar voltarão.

Acorda,
acabou a festa!
Continuam a enganar-te,
acorda!

Findou o Natal!
O fogo de artifício
que te encheu de alegria
e encantamento,
tem, apenas, um intento,
não é mais que sedativo
para te adormecer
para que continues dormindo
e quentinho com a alma pelo fogo iluminada,
acordares na alvorada,
ouvindo o chilrear das aves, feliz  e a sonhar
que num outro mundo estás a habitar…

Acorda,
não te deixes embalar!
Desperta, vamos todos lutar
por um mundo melhor,
por uma nova sociedade,
onde haja paz, amor e fraternidade,
seguindo a Mensagem
que Jesus, de novo, nos veio deixar:

Que uns aos outros nos devemos amar!
                        «»

                                    Zélia Chamusca

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A Euforia do Natal





Anda alienado este mundo
num desencontro profundo.
Não há crise, não há guerra;
está o Paraíso na Terra!

Andam drogadas as gentes
em euforias permanentes.
Estão todos a sonhar
num outro mundo habitar…

Quando o Natal é euforia
que só por mera ironia
entra em nossos corações,
p’ra quê comemorações?
                «»

                  Zélia Chamusca



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