sábado, 25 de outubro de 2014

O vazio se esvai






Sinto o meu peito pleno de vazio
Quando a dor me aperta a alma esvazio.
Sinto-me no vácuo onde a alma sufoca
E o pensamento minha mente avoca.

O coração arde no vazio total,
Chama inconcebível, paradoxal.
O pensamento se esgota, se esvai
Sempre que um novo ânimo da alma sai.

Quando o pensamento, então, revigora
E o vácuo vazio se vai embora,
No encontro com a alma sobe e se eleva
Em solitude que a vida releva.
                 «»

                       Zélia Chamusca

domingo, 19 de outubro de 2014

Hermes Trismegisto só te peço isto






És o Deus da escrita que em teus escritos,
No “Corpus Hermeticum”, não esqueceste
O guia de ação politica, dos políticos
E os contemplaste no guia que escreveste.

Hermes Trismegisto, só te peço isto!

Vem ensinar estes nossos políticos
A moral e a arte da governação,
És três vezes grande, Hermes Trismegisto,
Tu podes salvar a nobre nação.

Hermes Trismegisto, só te peço isto!

Só tu podes com teus ensinamentos
Vir ensinar a nação a governar
Livra-nos a todos destes tormentos
Vem depressa, vem Portugal salvar!

Hermes Trismegisto, só te peço isto!
                             «»

                                         Zélia Chamusca

Fonte de imagem- Google

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Paradoxo da Identidade

                                      
                                                          
                                                       Por Zélia Chamusca

O que, fundamentalmente, identifica um individuo é a sua identidade genética e cultural.
Porém, há uma obsessão generalizada nas pessoas, algumas das quais instruídas,  que as leva a entender que, o que identifica o individuo é, paradoxalmente, a idade, a data do nascimento, conduzindo este facto à discriminação etária erroneamente  deturpada sobre os valores e as capacidades dos indivíduos que já vivem há mais tempo e, consequentemente, com mais conhecimento e experiência de vida.
Um quarentão, que há trinta anos era considerado velho e ultrapassado, hoje, dizem ser um jovem.  Ora, se assim é, porquê considerar um individuo de setenta anos velho? Se com quarenta anos  é ser jovem aos setenta é ser maduro, na plenitude do conhecimento, da experiência e do saber.
Será ou não?
Identifica-se, erroneamente, um individuo da classe etária dos sessenta e setenta anos como um ignorante por desconhecer as novas tecnologias ou se as conhece,  já ter sido (pensam)  ultrapassado, pois  que, as crianças  de tenra idade, tomam conhecimento  destes meios de comunicação e de trabalho, para elas, simplesmente, instrumento lúdico de jogos que lhes permite um desenvolvimento cognitivo mais rápido.
Há quarenta anos já existia a informática como instrumento de trabalho nas grandes empresas, embora de forma não generalizada, o que foi acontecendo, gradualmente, até hoje .
Ora, ao longo destes quarentas anos que poderemos dizer de implementação da informática nas empresas, estes agora sessentões e setentões  adquiriram formação nesta área.
Logo, o que identifica a pessoa não é a idade mas a profissão  e a formação ao longo da vida, a cultura, a instrução, o meio e, fundamentalmente, a genética. Sim, porque  nem todos os indivíduos tiveram o privilégio de terem trabalhado em empresas informatizadas  tendo tido como instrumento de trabalho um computador. Claro que não. Um operário da construção civil ou um varredor da rua, cuja missão social é tão útil  e imprescindível como outra qualquer, não desenvolveu a sua atividade profissional através da informática.
Assim, há muitas pessoas de sessenta e setenta anos que desconhecem as novas tecnologias mas não por causa da idade, mas sim porque não tiveram formação por vários motivos que não vou, aqui, exemplificar.  Há ainda muitos outros, com mais de oitenta anos e até mesmo noventa, que dominam as novas tecnologias  não porque as tenham  utilizado na sua atividade profissional mas, simplesmente, porque obtiveram formação nesta área.
Estes indivíduos são geralmente pessoas esclarecidas, cultas, inteligentes e que têm “know-haw”  muito mais elevado do que  muitos dos ditos quarentões.
A vida é uma aprendizagem permanente e estes indivíduos já tiveram mais tempo para aprender, para por em prática o seu saber e transmiti-lo aos mais novos.
 Será ou não?
Porquê  se convencem os quarentões, já por si convencidos,e o transmitem aos seus filhos de que os de setenta, oitenta e até mesmo de noventa anos (conheço  pessoas que ultrapassaram os noventa e perfeitamente ativas, lúcidas e a trabalhar)  estão ultrapassados, velhos e ignorantes?
Com efeito, a generalidade  poderá estar envelhecida e ultrapassada, mas, nunca pela idade, mas sim pela cultura, pelo que foi ao longo da sua vida, pelo papel que teve na sociedade.
Estes são os pais de muitos dos quarentões atuais a quem estes muito devem pelo contributo que prestaram à sociedade e, fundamentalmente, a conquista de melhores condições de vida que  conseguiram proporcionar aos seus filhos.
Ainda, convém clarificar que quando se fala de reformado alude-se ao pobre de reforma mínima para a qual nem descontou, não contribuiu, e que na verdade não é reforma mas sim um benefício prestado pelo Estado pago com os nossos dinheiros, com os dinheiros públicos, diferentemente do que acontece com o trabalhador que tem uma carreira contributiva de quarenta e até de cinquenta anos, (bem como a sua entidade patronal que também descontou para o seu trabalhador) para que tivesse aos sessenta e cinco anos a sua reforma que lhe permitisse uma vida digna e merecedora  destes fundos, reforma, repito,  fruto do seu trabalho.
Mas, continuando, quando se fala em reformado  alude-se ao pobrezinho, doente velho, etc., etc.
É erróneo entender que reformado e velho, é peso da sociedade, é indefeso, é alvo a abater, é ninguém!
Porque é que, então, existem reformados com pensões chorudas, as ditas douradas?
A estes não chamam velhos, pois não? Nós conhecemos muitos deles. Alguns até desempenham lugares de cúpula na sociedade.
Estes não são velhos nem reformados, embora alguns até tenham mais do que uma reforma, o que não é permitido ao cidadão comum, não sei porquê. Estes não são reformados nem velhos, pois não?
Está certo. Isto corrobora o que pretendo dizer:
Não são os sessenta, setenta, oitenta anos que definem o indivíduo que é único, singular, mas o seu “status social” e, fundamentalmente, a sua cultura e instrução e, sobretudo, a sua genética individual.
Porquê discriminar as pessoas, normalmente acima dos sessenta anos, e, especialmente utilizando e definindo-os como reformados, utilizando o termo reformado na maioria das vezes  pejorativamente?
Porquê se temos sido e continuamos a ser geridos por alguns reformados?
Não, estes não merecem  ser discriminados…
Discriminado é o pobre reformado que na maioria dos casos, repito, nem é reformado mas pensionista de pensão mínima para a qual nem descontou.
Estes e todos os outros que auferem reformas maiores para as quais descontaram, que é o seu dinheiro e não despesa do Estado como alguns insensatos e sem moral pretendem convencer os mais ingénuos ao ponto de provocarem conflito de gerações contra os que  são,  pejorativa e paradoxalmente, identificados como reformados. Estes merecem todo o nosso respeito pelo que fizeram na vida, pelo seu contributo à sociedade, pelo que foram e continuam a ser, pois muitos deles continuam a prestar serviço bastante útil à comunidade.
Estas pessoas, estes indivíduos merecem todo o respeito da sociedade.
São pessoas de enorme beleza moral e física, havendo novos velhos e feios e entre  estes que dizem ser velhos há tanta beleza de alma, educação, elegância e cultura, uns verdadeiros senhores.
Acrescento, ainda, são estes os que tanto contribuíram para a sociedade democrática que hoje vivemos e que não devemos, de modo algum, deixar destruir.
Os indivíduos que agora têm setenta, oitenta e noventa anos, merecem todo o nosso respeito.
Seria bom que refletíssemos sobre os nossos conceitos e preconceitos  generalizados.

                                                                                                Zélia Chamusca