sexta-feira, 4 de julho de 2014

POSFACIO pela Autora



Quando pensei em publicar este livro tinha intenção de
o preparar, apenas, com o conteúdo temático no âmbito da
especulação e reflexão filosóficas.
Mas, como pretendi escrever para uma gama mais alargada
de leitores com diferentes interesses e sensibilidades,
resolvi incluir, nele, conteúdos mais diversificados.
A ideia inicial é a constante nos dois primeiros capítulos:
I – Eternidade/ Efemeridade
II – Reflexão/ Transcendência
Porquê esta ideia?
Não sei bem. Surgiu, inesperadamente, porque dei por
mim a escrever sobre a eternidade e, sem ter dado conta
disso, quando acabei de escrever, tinha criado três poemas
reflexivos:
– Eternidade;
– A eternidade não existe;
– A eternidade existe.
Os três poemas expressam um pensamento aparentemente
oposto, mas lógico, pois tudo o que é, é e não é ao
mesmo tempo.
Podereis pensar que me senti perdida numa incoerência
de raciocínio. Não, não senti. É a filosofia dos contrários.
Este interrogar é inerente à complexidade do tema em
questão e corresponde a uma necessidade do ser humano.
É objecto de muita especulação filosófica que começou
com os pré-socráticos, que estudavam a “Physis”, a
Natureza, isto é, a Cosmologia, que estuda a origem,
estrutura e evolução do Universo a partir da aplicação de
métodos científicos, ou a Cosmogonia, uma das diversas
teorias ou explicações que determinada religião ou cultura
atribuiu à origem do universo e seus principais fenómenos.
A doutrina da filosofia dos contrários, (cujo autor é
Heraclito de Éfeso, considerado o pai da dialética), é um
método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição
de ideias que levam a outras ideias e que tem sido
um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os
tempos antigos. A mudança que acontece em todas as
coisas é sempre uma alternância entre contrários:
Por exemplo, existe o frio porque existe o calor, existe
o mal porque existe o bem, existe a saúde porque existe a
doença, isto é, se não existisse a doença, não se valorizaria
a saúde.
Por outras palavras, a realidade acontece, não numa das
alternativas, dado que ambas são, apenas, parte de uma
mesma realidade, mas sim, na mudança, ou seja, como lhe
chama Heraclito, a guerra entre os opostos. Esta guerra é
a realidade, é a mudança, o movimento, aquilo que podemos
dizer que é. Defendendo, ainda, o princípio de que
tudo flui, tudo é movimento a não ser o próprio movimento.
Convido-vos a que façais uma leitura atenta e reflexiva
destes dois capítulos em Palavras da Alma.
Para mim a eternidade é a partícula de Deus, Transcendência, Origem.
Segundo este conceito, a eternidade é uma das problemáticas
que tem sido e continua a ser objecto da
epistemologia, ou seja, que tem despertado grande
interesse no campo da investigação científica, não só aos
cientistas, partindo dos filósofos, mas também a pensadores,
poetas e escritores, e, fundamentalmente, ao ser
humano em geral, numa perspectiva de um conceito e um
interrogar sempre presentes.
Se continuarmos a reflectir, talvez um dia possamos
deixar a especulação filosófica no encontro da realidade.
Convido-vos à reflexão sobre os temas dos dois
capítulos iniciais.
Para os que não apreciam esta temática têm nos
restantes capítulos:
O sentimento, a saudade, o amor e o lirismo poético.
Estou certa de que esta obra agradará a todos, mesmo
aos não amantes da poesia que, espero, em breve se
rendam ao encanto e beleza deste género literário.
                                                 Zélia Chamusca


Posfacio da obra PALAVRAS DA ALMA
Pela Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora

2 comentários:

  1. «Penso, logo existo».Daqui se conclui que a Amiga Zélia Chamusca EXISTE, com letra maiúscula, porque pensa, permanentemente e estimula os seus leitores a pensar, a olhar para tudo com uma curiosidade aguçada tipo infantil,procurando saber o quê e o porquê de cada pormenor. E nesta procura entra-se em campos imaginários que nos levam aos limites do horizonte ilimitado, ao além do campo visual.
    Que as forças nunca lhe faltem para poder manter a sua missão de pensadora e, com os seus livros, de mentora didáctica de todos nós os que a admiramos. Felicidades.
    Beijo
    A João Soares

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ilustre Sr.A.João Soares,
      O seu comentário lembrou-me um Prof.na Faculdade de Letras, U.C.L., Professor Doutor Jorge Borges de Macedo, Historiador, que (partiu há muito. Já nessa altura era de idade já avançada) era, incontestavelmente, um poço de sabedoria. Ele um dia fez-me uma pergunta que tinha feito a outros alunos e nenhum respondeu e eu respondi de imediato (sei o que foi mas não dá para falar aqui). Ele respondeu: VEJO QUE PENSA. Fiquei tranquila porque sabia que para ele, pensar era condição “sine qua non” para seguir a Filosofia. Isto porque Filosofia não se estuda; pensa-se.
      O que diz A.João Soares, diz porque pensa e sente e, infelizmente, a maioria das pessoas não pensam… Estas passam por cima do escrevo; não lhes interessa.
      Muito grata por seu tão agradável e incentivante comentário.
      Beijinho,
      ZCH

      Eliminar