domingo, 29 de junho de 2014

PREFÁCIO pelo Escritor, Poeta e Jornalista Guilherme Duarte


 


Prefácio

“Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!”
...
Florbela Espanca definiu neste seu lindíssimo poema
que evidentemente não vou transcrever na totalidade, o que
é ser poeta. O poeta é, na minha opinião, uma alma
inquieta, inconformada e sensível. O poeta é muitas vezes
doce e sonhador quando contempla o que de mais belo a
natureza humana tem para oferecer mas não hesita em ser
duro perante situações que revelam o que o homem tem
de pior, então é feroz na crítica e na denúncia da injustiça,
da desonestidade, opressão e de tantas outras situações
reveladoras de desumanidade e falta de escrúpulos. O
poeta tanto se extasia perante o belo como se indigna e
zurze impiedosamente a vigarice, a corrupção e a maldade
que se expande cada vez mais neste mundo louco em que
vivemos.
“Ser poeta é ser mais alto, é ser maior do que os
homens”. É verdade. O poeta é mais ambicioso do que o
homem comum. Quer ir mais longe, anseia por uma sociedade
mais justa e por um mundo melhor. Dir-me-ão que a
maioria das pessoas também acalenta o mesmo desejo e
não são poetas? Não serão mesmo? Talvez sejam mas não
o sabem. O que diferencia o poeta das outras pessoas que
desejam o mesmo que ele? Apenas uma sensibilidade,
talvez mais apurada, e o talento indispensável para traduzir
os seus anseios e os seus pensamentos e olhares em
palavras atraentes e de tal forma motivadoras que levem o
leitor não só a concordar com o poeta mas principalmente
a agir e juntar-se a todos aqueles que lutam contra a
maldade, a injustiça e a qualquer tipo de opressão e se
esforçam por promover a concórdia e a solidariedade entre
os homens. Eu sei que muitos dos leitores estarão já a
pensar que o que acabo de escrever não passa de pura
utopia. Talvez, mas eu também afirmei que ser poeta é
também ser sonhador e não há mal nenhum em sonhar com
a justiça e com o bem “e dizê-lo cantando a toda a gente.”É
isso que o poeta faz.
Atrevo-me a afirmar que “Palavras da Alma” o quarto
livro da poetisa Zélia Chamusca pode ser considerado um
hino à poesia, quer pela qualidade dos poemas que o
integram quer pela diversidade dos temas que aborda
alguns deles a exigir um talento fora do comum para os
conseguir desenvolver em termos poéticos como, por
exemplo, a reflexão filosófica onde aborda temas como a
efemeridade, a eternidade e a transcendência. Não é qualquer
poeta que o consegue com a qualidade dos poemas
da Zélia Chamusca que domina facilmente os temas
filosóficos e psicológicos por ser uma estudiosa destas
matérias pelo gosto que lhe ficou após se ter licenciado em
Filosofia e Psicologia e frequentado o curso de Teologia.
A autora destas “Palavras da Alma” está perfeitamente à
vontade para abordar temas complexos que a sua alma
poética consegue transformar em belos e profundos
poemas. Não se pense porém que o seu talento poético se
resume às áreas da sua formação académica. Não. A
sensibilidade que caracteriza esta poetisa não lhe impõe
limites nem barreiras e permite-lhe enveredar por outros
caminhos como o lirismo romântico, o intimismo, o
saudosismo, a mensagem social e a luta contra a injustiça
e fá-lo com o talento que se lhe reconhece e que está bem
patente em todas as suas obras. Zélia Chamusca respira
poesia e está em permanente processo criativo. Os poemas
brotam da sua alma com a mesma facilidade com que
todos nós respiramos. São assim os poetas.
Permito-me terminar este modesto prefácio, tal como
comecei, com palavras de Florbela Espanca:
“SER POETA
É ter mil desejos e não se saber sequer o que se deseja”.
Direi que está aqui bem expressa a inquietude em que o
poeta vive permanentemente.
“É ter fome e sede do infinito e condensar o mundo
num só grito”. O poeta é um ser insatisfeito que não aceita
limites à sua criatividade e aos seus anseios.
“É amar-te assim perdidamente e dizê-lo cantando, a
toda a gente”. Amar é uma característica e direi mesmo
que uma obrigação do poeta. Não se pode sentir poesia
sem amor; o amor que o coração nos impõe, o amor por
nós próprios e pelos outros, amor pelo mundo que Deus
criou e ofereceu ao homem para o manter sempre belo. É
o amor que leva o poeta a abraçar as boas causas e tantas
vezes a denunciar o mal e combatê-lo, obstinadamente, a
apregoar às gentes o seu sentir. Cantando se possível.
Leio este poema da notável poetisa alentejana e vejo
em cada verso a sensibilidade da Zélia Chamusca.
                                                    
                                                       Guilherme Duarte


Da obra - Palavras da Alma
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eternidade





O efémero é, apenas, momento
Que se esvai no pensamento.
Não existe a efemeridade
O que existe é a eternidade.

Tudo, toda a criação
Tem começo, meio e fim,
Sem fim…
Porque o fim é a eternidade.

Princípio é o começo,
É o ato de existir;
Meio é o caminho,
O processo de transformação,
De definição;
Fim é o culminar
De um processo
Que, de novo, irá recomeçar,
No ciclo interminável
Do eterno retorno.

Este processo é evidente
E existente
Em todo o universo,
Em toda a criação.

Princípio, meio e fim
São fases do processo
Recriativo e evolutivo,
De renovação,
Que se chama vida.

Façamos desta evolução
Um permanente renovar
Do nosso coração!


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Da obra - PALAVRAS DA ALMA
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora

Fonte de imagem - Google

domingo, 1 de junho de 2014

Transmutação






A vida é dinâmica,
É movimento.
Nada é estático
Nem mesmo a morte.
A morte é uma transmutação.

A vida é a dinâmica conducente
À renovação e evolução
De toda a criação, de todo o ente.

Tudo está em permanente dinâmica:
No universo as estrelas,
Os planetas,
Os cometas
E neste planeta,
A Terra,
O céu, de nuvens brancas e cinzentas,
Encoberto
Ou o seu azul aberto,
Os lagos, os rios
Secos, quentes e frios,
As areias do deserto,
As areias do mar
Nas ondas a rebentar,
A fauna e a flora.

Tudo está em permanente mutação.

A vida é o caminhar dinâmico
Da mutação
Numa transformação
De renovação e evolução
Que conduz à Perfeição.
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Da obra - PALAVRAS DA ALMA
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora