sexta-feira, 9 de maio de 2014

Saudade da pureza da cidade...




No ar pairava
a pureza da cidade...
Por todo o lado se respirava
honestidade!

Era o cheiro da primavera,
duma perene primavera
que perfumava o ar
e fazia lembrar
no Paraíso estar!...

As crianças brincavam
nas ruas calmas,
tranquilas e lavadas,
também perfumadas
pelas damas que passavam
bem vestidas, coquetes,
elegantes, arranjadas.

Saudade…
Desta tranquilidade
da pureza da cidade…

As portas estavam abertas
e as pessoas passavam
tranquilas e discretas.


Agora, anda tudo desconfiado
mal vestido, esfarrapado.

Já não há crianças
nas ruas a brincar
nem se vêm as pessoas
nas ruas a passear.

Acabou o Paraíso.
Já tudo perdeu o ciso!
Andam loucos,
sem juízo,
perturbando a cidade.
Não há tranquilidade!

Agora, anda tudo desconfiado
e até o vizinho do lado.
As portas estão trancadas,
a sete chaves fechadas,
não se abrem
porque a pureza da cidade,
por todos exalada
e nos ares espalhada,
está transformada
em negra poluição
por tanta desumana corrupção!

Saudade…
da tranquilidade
da pureza da cidade
onde se respirava honestidade…
                      «»

                      Zélia Chamusca



2 comentários:

  1. Soam verdades em teus versos.
    Penso também, que se não existisse a corrupção o índice de criminalidade seria bem menor. Ou quem sabe a zero. Mas diante desses governantes... Só resta mesmo a saudade dos bons tempos
    Bravossssssssssss

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  2. Querida Monica,

    Era mesmo assim quando eu era criança.

    Tenho saudade do mundo em que vivi...

    Grata pela sua sempre agradável presença e beijinho,

    ZCH

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