quinta-feira, 27 de março de 2014

Fazer Amor?

By Zélia Chamusca


O amor faz-se?
Não. O amor é uma busca  incessante ao encontro de si mesmo.
É a necessidade de nos complementarmos por não o encontrarmos dentro de nós. É uma carência da alma. Contudo, tendemos sempre a encontra-lo na criação, no objecto que encontramos ou que nós próprios produzimos, sendo que, nunca suprimos a carência na concretização do objeto do amor, mas sim na procura do mesmo objeto.
Exemplo disto é o que acontece com o artífice, o escultor, o pintor, o artesão, o escritor, com todo e qualquer produtor de arte, em relação ao que cria.
Daí que o artista nunca esteja satisfeito com a obra criada e procurar sempre mais, criar mais.
Outro exemplo, o poeta quando fala de amor, é sempre de um amor insatisfeito, duma insatisfação afetiva, duma carência espiritual, duma necessidade não satisfeita.
O amor é a busca para nos ultrapassarmos a nós próprios, nas nossas carências, encontrando o objecto de amor na nossa própria e progressiva realização.
A ideia de o encontrar no outro, em algo que supra as nossas carências afectivas e espirituais, ou a busca da complementaridade, resulta, vulgarmente, em fracasso, porque se vê no outro o objecto do amor quando o que se pretende é o próprio desejar na busca para o encontrar. Isto é, vemos o outro como  o objecto do amor com vista a suprir a nossa necessidade quando o que, na realidade pretendemos é a satisfação na busca infindável para o encontrar.
Sintetizando: o indivíduo não ama amar o outro, ele ama a "coisa, o outro". Este é o motivo do fim de qualquer relação. Amar o outro não é amor, pois, amor não é posse.
 Amar é a necessidade de amar e a busca de suprir essa mesma necessidade.
Como atrás referi, o artista, aquele  que cria,  cria por amor mas, nunca está satisfeito, nunca está realizado e vive, permanentemente, na procura dessa realização, o encontro do objecto do amor, não sendo o próprio objeto o fim último mas, sim, a necessidade da busca para o encontrar.
Por outras palavras, o amor é uma carência que impulsiona alguém à busca interminável da satisfação pela supressão duma carência.
É tão complexo, como complexo é o ser humano.
As pessoas que agora têm  cinquenta e tais, sessenta anos, viveram uma juventude em que se partilhavam ideais, sonhos, sentimentos, valores e se privilegiava a cultura.
Quando existem ideais comuns, as diferenças de personalidade continuam a existir mas, existindo essa partilha de ideais, existirá  sempre um elo de união que ajudará a suprir certas carências da alma, que, são componentes indispensáveis numa relação estável.
Hoje, já não se partilham ideais e, por isso, infelizmente, os relacionamentos são difíceis e pouco estáveis; as pessoas, repito, já não partilham ideais e os afetos perduram pelos ideais e não pelos objetos.
Voltando ao tema que serviu de título a este artigo, quando se fala em ”fazer amor” utiliza-se uma expressão muito errónea que significa prática do ato sexual, comum a todos os animais.
É instinto natural em todo o ser animal, é necessidade biológica, é impulso natural com fim à procriação, à preservação da espécie, não é amor e muito menos “fazer amor” porque, o amor não se faz.
O amor é busca incessante que visa o preenchimento duma carência da alma, dum sentimento, é a busca do mais sublime -  sentimento primeiro que nos falta e que incessantemente procuramos.
                                                                 «»
                                                                             
                                                                                 

Ensaio filosófico de -Zélia Chamusca

quarta-feira, 26 de março de 2014

Os Malabaristas (Part Two)




Já chegaram os malabaristas
ao palco da disputa
numa grande luta
de mentes inteligentes
em falácias permanentes.

Começou pelo poder a disputa
do trio na grande luta.
Já fizeram conluio,
o mesmo projecto assinaram
e os dois bem se calaram…

Não se deixem iludir
nesta ditadura
entre todas a mais dura
sonhando com a democracia
que, por fatal ironia,
morreu logo nascitura,
ou seja,
nem chegou a nascer,
pior que,
nado morto, tudo torto,
que convence as mentes
ilusórias, patológicas, doentes,
sonhando com a democracia
vivendo em ditadura,
dura, cruel e desumana,
de déspotas de mente insana!

Não se deixem iludir
com o trio já formado
porque eles só servem
para cortar o ordenado
e roubar o reformado
para dar ao capital
gerador de todo o mal!

Mas vós, que não sois,
dizem eles,
despesa do estado,
nem a crise originastes,
ou se sois
dos que fogem ao fisco,
não tendes qualquer risco
e ainda sereis premiados
com benefícios fiscais
e outros, muito mais,
não se importem…
que eles vão cortar para outro lado.

Vão, votem nestes malabaristas,
porque não vos toca a vós,
parece que neste vai e vem
não há nunca mais alguém
que venha quebrar
o ciclo fatal
dum eterno retorno,
a origem de todo o mal…
Sim…Votem nos mesmos
dando continuidade à ditadura
que, há quarenta anos perdura,
porque, assim, não vos toca a vós,
apenas, sofrem os mesmos!...

                    «»

                                 Zélia Chamusca







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domingo, 23 de março de 2014

Consumatum est






Vai ser mesmo memorável
Este tratado do trio
Na divergência insanável!
Parece mentira… Rio!

Eu rio porque é preciso
Tanta besteira aguentar
É tanta a falta de ciso
Nesta gente a falar!

Estão os três no mesmo embalo
Todos querem o poder
Contentes que é um regalo
São os mesmos a vencer.

Agora é que cantas tu
Depois cantas tu mais eu
O rei vai nu! O rei vai nu!
O esperado aconteceu!

O povo está condenado
P´los que a crise originaram.
O tratado foi assinado
Mas os dois bem se calaram.

Finou. “Consumatum est”
O tratado orçamental
Que saiu dum cafajeste
Para salvar Portugal!

Pensa o trio que nos engana,
Mas, só não vê quem não quer
Que todo e qualquer sacana,
Apenas, o poder ele quer!

É assim, que ele engana o povo,
O trio que já se formou,
Não fará nada de novo;
O tratado ele assinou!
               «»

                    Zélia Chamusca



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sexta-feira, 21 de março de 2014

A crise custa a todos...



Vão reduzir efectivos

na Assembleia da República,

mas, não só os deputados,

também no executivo,

vão reduzir assessores,

e outros doutores,

secretários e ministros.

E aos que ficam

a todos vão reduzir ordenados

e também aos deputados…


A crise custa a todos…


Vão cortar no almoço.

Não precisam comer tanto,

do bom e do melhor:

Caviar, lagosta e lagostim,

em todos os dias há festim…


A crise custa a todos…


Não haverá mais subsídios

de férias e de Natal

pois, também, têm que conhecer

o que é doloroso sofrer,

e, ficarem a saber

o mal que causam aos reformados

que são tão espoliados…


Sim, são os reformados

que alimentam o exagero

da Assembleia e Executivo:

Por cada refeição de luxo

pagam, apenas, trinta por cento

e os restantes setenta por cento

paga o reformado

com o que lhe é roubado!...


A crise custa a todos…


Vão cortar nas subvenções

porque ao pobre

que trabalhou e descontou

quarenta anos ou mais

já levaram os tostões…


 A crise custa a todos…


Vão todos trabalhar mais

e comer menos

não só uns a pagar

a crise que eles causaram

porque a gastar de mais eles andaram…

A crise custa a todos...

               «»



Inspirado no artigo:


http://maiortv.com.pt/isto-nao-e-o-dubai-e-a-assembleia-da-republica/

Poema de - Zélia Chamusca
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quarta-feira, 19 de março de 2014

Desvendai os olhos a Diké!





Porque vendaram os olhos a Diké?

Ela conhece bem quem vai julgar

se é o pobre; se é o rico.


Não precisa ver,

julgará às cegas

para sempre renegar

o pobre que vai julgar.


O rico não é julgado,

não precisa, não é culpado…

Assim, não será julgado

porque o processo é demorado,

parado até prescrever.


Depois, é o que estamos a ver:


Às cegas condena-se o pobre

que a piza furta para comer,

mas, o rico rouba o pobre

e fica rico não precisa ser julgado,

paga à justiça com o que foi roubado.


E, até o Estado rouba o pobre reformado

para pagar  milhões

que pelo rico foi roubado.


Vendaram a justiça

que às cegas não aplica punição

à corrupção

que destruiu o País e a Nação!


A corrupção está a gerar riqueza

que está a aumentar,

estando por isso

tantos em linha de espera

pela terminação

do prazo de prescrição.


É, assim, a justiça nesta Nação!


Diké, cega, de olhos vendados para os corruptos,

 vê sem alma o pobre e honesto trabalhador

a quem corta o ordenado

e o pobre reformado que é quem paga

o que foi pelo corrupto roubado

que não é julgado!


É sempre o pobre que paga

o que o rico rouba,

rico porque o pobre rouba.


É assim a moral

duma humanidade

de corruptos desumanos

nesta sociedade!


Desvendai os olhos a Diké

para que bem abertos

distribua, equitativamente, a justiça

e com a sua espada

imponha a força da Lei

contra a corrupção

que destruiu o País

e esta nobre Nação!

           «»
Poema de - Zélia Chamusca
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sábado, 15 de março de 2014

A dívida pública























Fala-se em pagar a dívida
Que dívida pergunto eu?
Não devo nada a ninguém
E estão a roubar-me o que é meu!

Dizem que é pública a dívida,
Mas, quem foi que a contraiu?
Esse é que a deve pagar!
Pois, o infrator não sumiu…

Nós sabemos bem quem é
Que a pague este devedor
Que não é o povo, pois não? Ou é?
É o Estado quem é o infrator!

Mas, o Estado é uma abstracção…
E que tal os que governam?
Não pode ser, também não…
São aqueles que o representam!

São aqueles os devedores…
Então, porque estou eu a pagar?
Vamos dizer aos credores
Para os bens lhes confiscar!

Não deves ser tu nem eu
A pagar dívida pública,
Mas, sim quem tão mal geriu,
Nesta nação, a coisa pública!
                 «»

                     Zélia Chamusca





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Poema de - Zélia Chamusca

Nota - No gráfico onde se indica 1883 deverá ler-se 1983.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Ação do Demónio



Só por ação do demónio
É possível entender
O que está a acontecer.
Autêntico pandemónio!

Está tudo a ser destruído
Neste pobre Portugal
E o povo a ser consumido
Por quem causa tanto mal!

Já não há forças armadas
Nem tribunais para agir,
Há estruturas ameaçadas,
E estão empresas a falir.

E estes demónios não param,
Estão tudo a destruir
Só aos pobres eles roubaram
E os ricos se estão a rir!

Para o patrão enriquecer
Despedem trabalhadores
Para o demónio  se encher
Rouba aos velhos sofredores.

Os pobres vão aumentando
Destruindo a classe média
E o demónio se fartando
Não há quem lhe ponha rédea.

Estes demónios não vêm
Que estão no caminho errado
Estes demónios só crêem  
No templo já profanado!

Eu só vejo criticar
Mas ninguém capaz de agir
Para este rumo alterar.
Está o povo a dormir!

Acorda meu povo, acorda!
Querem Portugal destruir
Acorda, que é tarde, acorda!
Não de deixes iludir!

Se não acordares já
Só cinzas irão restar!
Manda os demónios p’ra lá
Vamos Portugal salvar!
                «»

                        Zélia Chamusca



Poema de - Zélia Chamusca
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quarta-feira, 12 de março de 2014

Reduzida a Nada



Só sei que nada sou
Na minha imanência
Provinda da Transcendência,
Força que me criou.

Sinto-me impotente
No meu ser imanente,
Face ao Poder Transcendente.

Sentir a dualidade
Na limitada imanência
Face a ilimitada Transcendência
É uma angústia que me frustra,
Reduzida a nada
Na minha imanência,
Tão limitada…
          «»

                  Zélia Chamusca

Publicado na revista A CHAMA
Ano II Número 10

domingo, 9 de março de 2014

Sonhei...



Voei e sobrevoei,
 Num sonho de fantasia
 De verdadeira magia.
 Sonhei…

 Sonhei
 Num grande amor,
 Que encontrei
 E desejei possuir
 Num doce fluir
 De emoção
 E de paixão.
 Louca paixão!…

 Seu perfume
 Me inebriou,
 Fascinou,
 E me envolveu
 Em etéreo sonho,
 Voando sobre os mares,
 Sobre céus,
 E pelos ares
 E em mim ficou,
 Mesmo acordada,
 Sentindo-me tão amada…

 E um desejo insaciável,
 De me sentir,
 Num envolvimento
 De prazer inesgotável,
 Em louco ato de amor,
 De escaldante calor,
 E inebriante odor,
 Permanecerá, sempre, em mim,
 Tal o aroma de uma flor,
 Cravo de belo carmesim.

 Desejo e sonho,
 Com todo o meu querer,
 Sentir este amor,
 Bem dentro de mim,
 Num prazer sem fim…
 Sonhei…
          «»
                   Zélia Chamusca


quarta-feira, 5 de março de 2014

Mundo Conturbado






Vivo neste mundo conturbado,
tão perturbado
e avassalado
por seus detentores
dele destruidores,
que não consigo entender
o que estou a ver.
É tanta a perturbação
por tal destruição
que já nada sei dizer
nem fazer-me entender…                                                                                                                                    
Vejo o sol a brilhar
para mim a olhar
e diz-me a sorrir
que quer fugir
de envergonhado.
Vai descer sobre o mar
para nele mergulhar
e, aí, para sempre ficar…

Vejo a lua cor de prata,
numa noite de luar,
que desata a chorar
lágrimas de sangue,
acordando exangue,
triste e assustada
na terra sobressaltada.

Vivo neste mundo conturbado
por demónios dominado,
mundo cego, mundo de trevas,
de espinhos e estevas,
em que matam a alegria,
o sonho, a confiança,
a fé e a esperança.
E, a insensibilidade social
privilegiando o vil metal
origem de todo o mal,
causa destrutiva dos valores,
leva-nos, também, a fantasia
e, a poesia se apaga
triste e mergulhada
no vazio do nada…
          «»
                             Zélia Chamusca

Da obra - A SEGUNDA MENSAGEM - Para um Mundo Melhor

A editar