segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Os neologismos



Tanta é a originalidade
Falar com preciosidade
Que chego mesmo a pensar
Que já não os posso escutar.

Tanta originalidade!
É criação, criatividade!
São tantos os neologismos
Francesismos, galicismos,
Que por vezes nada dizem,
Contradizem ou desdizem.

Tão absurda é esta sua linguagem
Que às vezes creio que é miragem
Tanto ismo, ismo, ismo e mais ismo
Autêntico paroxismo!

Vós podeis acreditar,
Há tempos ouvi falar
Uma ilustre presidenta(e)
Estando eu tão bem atenta,
Fiquei sem nada entender
O que ela estava a dizer.


Era tanto neologismo
Era tanto preciosismo
Que só consigo entender
Que nada tem p’ra dizer.

E alguns vieram perguntar,
Pensando que eu os ia informar,
Pediram para escrever
O que ela estava a dizer.
Mas não pude responder
Por não poder entender…

Ouço tantos, tantos clones
Falar alto aos microfones…
Vós podeis acreditar,
Também podeis escutar!

Eu nunca vi coisa assim…
Aprendi grego e latim,
Aprendi francês e inglês
E, também o português
E não entendo os neologismos
A não ser os paroxismos!...

                 «»

                       Zélia Chamusca



http://youtu.be/bNpD2SZngfg

2 comentários:

  1. São os paroxismos de quem tem a mania que sabe falar. Temos o exemplo do novo acordo ortográfco.
    Pedro Vadoy

    ResponderEliminar
  2. Olá Grande Poeta e Ilustre Amigo, Pedro Valdoy!

    É verdade o que diz. É tanta a inovação na linguagem e não só porque o que esta gente(?) está a fazer é uma inovação (porque nunca visto) tão maléfica que deviam estar quietos mudos e surdos para bem da humanidade!

    O acordo ortográfico foi acordado por outros (tudo o mesmo) porque de acordo nada tem. Contudo eu tento segui-lo porque sou cumpridora.

    O acordo não tem sentido nenhum. É uma aberração da natureza, da inteligência de quem o fez.

    Poderia prova,r deixar aqui provas de autêntico e aberrante desacordo da língua portuguesa em Portugal e Brasil. Porém, não o faço por falta de espaço.

    Mas, ainda relativamente a estes neologismos são mesmo um paroxismo constante entre todos os clones utilizando a mesma linguagem. Eu não sei o que eles se julgam...

    Fico feliz com sua presença e desejo que esteja bem, Pedro Valdoy.

    Beijinho,

    ZCH

    ResponderEliminar