domingo, 17 de novembro de 2013

Quando os animais falavam





Quando  eu era uma criancinha
Vovó me vinha contar
Histórias da Carochinha,
Fantasias de me encantar!...

Do tempo em que os animais,
Como nós, eles falavam,
Vovó lia, então, nos jornais
Historias que relatavam.

Não existia televisão,
Lia-me contos fabulosos,
Que me enchiam o coração,
De gigantes poderosos!...

Há tanto tempo partiu…
A Vovó foi para o céu…
Porém, hoje, a Vovó saiu,
Veio até aqui, desceu do céu!... 

Vovó eu não vi. Mas ouvi
E na televisão vi
Um animal a falar,
História de aos céus bradar!

Dizia ele que não há pobres
Porque os pobres nunca falam
E os que dizem que são pobres
A sua riqueza eles calam.

Não há reformado pobre,
Nem há trabalho precário,
Nem há trabalhador pobre,
Todo tem o seu salário.

Pois, se todos ricos são,
Como aumentar o ordenado?
O mínimo? Nunca! Não!
Porque já é um grande ordenado!

O aumento é ato criminoso,
Porque aumenta o desemprego!
É grande crime doloso!
Mais ficarão sem emprego!

Ainda continua esta história,
Que, agora, os animais falam,
Uma anedota irrisória
De que nunca se lembraram:

Não se paga o ordenado,
O trabalhador já é rico
Vai ficar tudo empregado
E o patrão fica mais rico!

Assim, a minha avozinha
Saudade me veio matar,
Não me contou a Carochinha;
Ouvi este animal falar!

É grande a besta animal,
Quando os papagaios parlavam!
É o ser mais irracional,
Dos tempos em que falavam!

A história foi relatada
Estava eu à mesa a almoçar,
Não pude comer mais nada,
Tive que, aqui, me ficar!...

A história que foi contada
É dum enorme animal
E não vos conto mais nada
Que agora chegou o final!
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VEJAM O LINK  abaixo
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3537583
             



Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google


2 comentários:

  1. Cara Amiga Zélia,

    Quem é, que é ele?
    Curiosamente, tal animal pertence a uma manada que persiste mas não deixará, um dia, de ter s sina dos dinossauros. Entretanto vai viver porque há humanos que não usam a fala mas têm uma criminosa apatia de que acabam por ser vítimas diariamente.
    Quanto aos outros animais, os da história da vóvó, os humanos, com a sua eterna arrogância, denominam-nos de irracionais, mas isso está errado, porque, de uma forma gera, são mais racionais do que muitos humanos e comunicam entre si com eficácia, como se sabe por exemplos da sua vida familiar e de grupo.
    Como seria bom que os animais humanos aprendessem as lições, que eles nos, dão, começando pelo bruto animal que relata no seu lindo poema...

    Beijo
    João

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    1. Bom Dia, Ilustre Sr. A João Soares,

      Este é um dos meus poemas realistas. Não há fantasia, nem magia é a pura e triste realidade que tentei transmitir em forma de poema. Para ter a certeza disto veja o meu artigo:

      http://narcisodosbosques.blogspot.pt/2013/11/os-pobres-nao-se-queixam-por-zelia.html


      E terá pelos sites indicados, em rodapé, a confirmação e identidade deste animal selvagem!

      Grata por sua presença e tenha um dia feliz. Beijinho,
      ZCH

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