segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Os pobres não se queixam


por Zélia Chamusca


Nestes conturbados tempos em que vivemos, governados pelo egoísmo e insensatez, tenho ouvido falar tanto de que não há pobreza em Portugal e que quem se queixa não é pobre.

Os que se queixam fazem-no porque, apenas, pretendem disfarçar sua riqueza, isto é, proteger o que é seu. Isto eu ouvi, ontem, dia 17 de Novembro de 2013, no Canal1 RTP. Todos pudemos ouvir.

Esta insensatez e desumanidade têm vindo, alegadamente, de várias fontes da sociedade portuguesa, desde o poder governamental e político até algumas instituições de solidariedade. Todos temos ouvido, ou não? Todos ouvimos só não ouve quem não quer e por isso não me permito aqui referir os autores e difusores desta ideia, de que somos todos ricos.

Ontem, repito, dia 17 de Novembro de 2013, todos pudemos ver e ouvir na TV Canal 1, na televisão estatal, paga por nós, um dito, não há adjectivo que possa definir um … assim…

A imagem que eu vi lembrou-me um autêntico demónio vindo das profundezas dos infernos, e, há muitos outros seguindo as mesmas pegadas.

Só pode ser, efectivamente, repito, só pode ser um verdadeiro demónio que todos conhecemos e que se diz cristão e é neoliberal como todos os que nos desgovernam governando-se.

Argumentava o seguinte:

"Não há pobres em Portugal, não há reformados pobres e os que se queixam não são pobres, fingem que são. Os verdadeiros pobres não se queixam."

Tem razão os verdadeiros pobres não se queixam, mas não por não haver pobres. É que estes, os mais pobres, que, infelizmente, já são muitos, a debilidade é tal que não têm condições nem físicas nem intelectuais para se poderem queixar, manifestar, agir correndo com estes desumanos, criminosos que destruíram toda a economia portuguesa e nos estão a espoliar a nós reduzindo todos à miséria!

Sim, não agem porque a carga da injustiça, da desumanidade, neste mundo egoísta é tal que os destrói totalmente incapacitando-os física e moralmente privando-os de viver com dignidade, reduzindo-os a autênticos farrapos humanos!

Dizia, ainda, que:

"Aumentar o salário mínimo é criminoso porque iria reduzir o emprego e seria estragar a vida dos pobres."

Não posso entender como é possível, neste país da Europa onde o salário mínimo é o mais baixo em toda a União Europeia, se preconize redução de salário e corte nas pensões de longa duração (aumentando as deles de curta duração, com 8/12 anos de descontos para reformas douradas, algumas moralmente escandalosas).

Irei rezar para que, se os humanos não fizerem justiça por suas mãos, que Deus a faça e que mande estes preconizadores desta doutrina esclavagista, cruel e desumana, o neoliberalismo, que os mande, repito, viver, com o salário mínimo, debaixo da ponte.

O que estes doutrinadores, que se governam, preconizam para a solução da crise, que eles criaram governando-se, e, que já estão a implementar em Portugal:

Princípios básicos do neoliberalismo

-      Mínima participação estatal nos rumos da economia do país;

      Nenhuma intervenção do governo no mercado de trabalho a não ser  
privatizar empresas, reduzir salários e aumentar a carga horária e idade
da reforma;

-        Política de privatização de empresas estatais;
-        Destruição do estado social;
-        Abertura da economia à entrada de multinacionais;

-        Diminuição do tamanho do estado, (serviços públicos);        

-        Aumento excessivo da carga fiscal aos cidadãos comuns;

-        A base da economia formada por empresas privadas;
-        Financiar serviços privados com dinheiro públicos;
-        Defesa dos princípios económicos do capitalismo.
É isto que queremos?

Neste Natal, irei pedir ao Menino Jesus, para que quem tem poder para agir, o faça, isto é, que destrua este governo antes que nos destruam totalmente a nós.

Os mais pobres, que são muitos, de facto não têm voz porque estão impedidos de protestar pela sua extrema debilidade moral e física em que se encontram, causada por tanta tortura desta sociedade injusta, cruel e desumana!
                                                                      

4 comentários:

  1. O idiota que proferiu essas palavras também disse, ao assinar a diatribe o seguinte:Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui.»
    Acontece que esta parte não foi publicada por falta de espaço....

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  2. Olá Adriano,
    Pois, eu não ouvi a entrevista toda. Mas fiquei indignadíssima como, aliás, ficou toda a pessoa sensata e digna.
    Não sei como é possível existirem animais destes!
    Tão absurdo isto é...
    Uma coisa ele tem razão: ele é mesmo mesquinho e muito pior que isso é um autêntico demónio vindo das profundezas dos infernos. Veja a imagem da cara dele... é autêntico bicho.
    Eu estava a almoçar e quando comecei a ver a televisão já ele estava a falar . A minha indignação foi tal que tive que pegar na caneta e escrever o poema que anteriormente postei -" Quando os animais falavam". Mas, como fiquei na dúvida se me fiz entender, escrevi isto.
    É uma felicidade estarmos em consonância de sentimentos, não obstante pelo pior motivo - vivermos numa sociedade corrupta, desonesta e de criminosos que destruíram Portugal e nos roubam, descaradamente, a nós, pretendendo reduzir-nos todos à miséria, como se ficassem com o mundo, apenas, para eles- poema "Os donos do mundo também morrem".
    Grata pela presença e beijinho,
    ZCH

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  3. Infelizmente o mundo anda numa contradição fenomenal. Em Portugal a miséria tem aumentado consideravelmente. Ganhar 600 Euros é uma miséria que se alastra por todo o país. Gostava de a ver um dia e conversarmos. Pedro Valdoy, pierrot.o.pensador@gmail.com

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    1. Olá, Pedro Valdoy,
      Grata por seu comentário e beijinho,
      ZCH

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