quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Malabarista da Palavra






Há tanto malabarista,
malabarista da palavra
manipulada, deturpada,
levianamente lançada
e levada pelo vento
que sopra em descontento
como num agre tormento!



O espectador
conhece bem o ator
que se exibe  sempre

no mesmo palco,
no circo do asfalto,
nas feiras de verão,
sem qualquer inovação,
onde só  com beijo e abraço
sempre no mesmo encalço
de, sem qualquer pudor,
enganar o espectador
já cansado do despudor!


Sucedem-se uns aos outros
seguindo as mesmas pegadas
sem qualquer imaginação
não mudando a atuação,
rastejando pelo chão
para gaudio da multidão!


E, continuam teimosos,
não valentes, temerosos,
seguindo as mesmas pegadas
na única linha traçadas,
persistindo em confundir,

quem já não se deixa iludir

com palavras ao vento lançadas,
enganando o cidadão
com uma única intenção:


Apenas, conseguir obter
o domínio do poder
usurpando o cidadão,
que, não ri, não,
nem acha graça,
porque o malabarista
não trabalha de graça
e porque com a sua atuação
já cansado o cidadão
por ser tão enganado 
chegou à exaustão!

E quando da nova parada
do circo da palhaçada,
já não haverá palavra

falsamente manuseada
que ao malabarista valha;
já cansado o espectador
correrá com o ator
e toda esta esta canalha!
                                                      «»                

                                          Zélia Chamusca
Da obra  - UM MUNDO MELHOR
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

6 comentários:

  1. Brilhante, minha querida amiga. Mais tarde farei um comentário mais aprofundado, pois fiquei maravilhado com a robustez das ideias, a estética das palavras e o profundo humanisto realista que o seu poema encerra. Aplauso de pé, com 10 chamadas ao pano de cena. Beijinho querida amiga..

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    1. Olá Adriano,
      Enquanto tomo o pequeno almoço, normalmente às 7h da manhã, ouço e vejo as noticias. Ao ouvi-las, ontem de manhã, peguei numa caneta e escrevi. Fiquei aliviada... e, até me fartei de rir. Continua a não ser difícil para mim rir. É a minha arma, ou seja, armadura para aguentar os impactos da arrima destes imbecis.

      Estas coisas que nós temos de escrever por prazer. Saiu...

      É para mim muito incentivante o seu tão agradável comentário de que não me sinto assim tão merecedora.

      Muito grata e beijinho,

      ZCH

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  2. Maravilha das maravilhas
    Brilhante
    Beijinho
    Jsousa

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    1. Olá, João Sousa!

      Fico muito feliz com seu comentário e por ver que lhe agradou.

      Sinto que consegui transmitir a imagem que pretendi.

      Muito grata e beijinho,
      ZCH

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  3. Cara Amiga Zélia,
    A poesia, quando bem utilizada, e usando as palavras melhor escolhidas, é uma arma poderosa contra os actores do circo do asfalto. Os que só em campanha ousam beijar peixeiras e velhinhas pouco atraentes devem ler este poema épico e fazer um exame de consciência.
    Eles usam palavras inadequadas ao sentido por eles desejado, talvez com vandalismo ou prazer de fazer mal. Mas no habitual linguarejar, fora da campanha publicitária, mostram um servilismo masoquista aos poderosos que são os reais donos do País e de quem os governantes são meros lacaios.

    A «calibragem» faz recordar que, há pouco mais de 38 anos, o PM Pinheiro de Azevedo usou o termo fumaça, para sossegar os que ouviam o seu discurso no Terreiro do paço. Agora os mirabolantes governantes e seus lacaios mais próximos usam mil e um cognomes, neologismos, com significados dúbios, evitando palavras claras, a fim de anestesiar os espíritos menos atentos e evitar que os contribuintes vejam as realidades. Depois dos reajustamentos e da CES (contribuição extraordinária de solidariedade) surge agora repetidamente a sua «calibragem» e «recalibragem», sem a clara explicação daquilo que, com estas manobras, pretendem transmitir.
    Mas a ocultação da mensagem não é defeito, é feitio. Pois não pretendem esclarecer, mas colocar o eleitor mais simples e iletrado de boca aberta perante tanta «competência» do Sr. orador

    O circo com os seus ilusionistas e malabaristas parece estar de novo na moda. Nestes dois anos, as promessas de dias melhores e destruídas poucos dias após, têm sido frequentes, «assegurando» e «garantindo» um qualquer milagre que não passa de ilusão e logo se esfuma,, mas passa em embalagem colorida de palavras estranhas e raras, desajustadas ao discurso.
    Eles precisam que os mandemos a outro lado «vão se recalibrar com um cilindro duro e inflexível e desapareçam». Outro dito que salta à memória «Oh Sr guarda desapareça». Calibrem-se e vão para longe.

    Cara Zélia, Esta sua arma nuclear, poesia com muita força destapa a burka dos malabaristas da palavra. A poesia permite falar claramente sobre as realidades e a autora usa de uma força bem calibrada contra o uso de palavras desajustas e que são utilizadas como fogo de artifício em dia de Carnaval.

    Beijo
    João

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    1. Ilustre Sr. João Soares,

      Seu sabedor comentário deixa-me, em MALABARISTA DA PALAVRA, sem palavras.

      Eles são tão desonestos que quando falam nunca dizem a verdade, mas, sempre o oposto à verdade, na intenção persistente em enganar quem eles deviam respeitar e servir, pois, foi para isso que foram eleitos para servir os cidadãos e não para os enganar e espoliar. São tão corruptos que persistem, permanentemente, no roubo aos reformados e pior que reincidir no crime é aumentar a incidência do crime. Tendo sido declarado inconstitucional baixar as reformas dos reformados da Administração Pública, roubam mais a todos....

      Mas, continuando no contexto do malabarista da palavra - chamam despesa do Estado ao dinheiro dos reformados. O dinheiro das reformas é dos reformados que para a sua reforma descontaram e que no caso dos privados descontaram também os patrões para as reformas dos seus trabalhadores. Roubam as reformas e continuam a roubar os subsídios e chamam-lhe despesa do Estado. Não cumprem a lei e continuam os criminosos à solta reincidindo no crime de furto e roubo e ofensa à dignidade humana.

      Despesa do Estado é, por exemplo, isto:

      (Recebido por e-mail)


      Subsídios de Férias e de Natal dos deputados para 2014 aumentam 91,8%!
      A notícia é mesmo verdadeira e vem no Diário da República.

      O orçamento para o funcionamento da Assembleia da República foi já aprovado em 25 de Outubro passado, fomos ver e notámos logo, contudo já sem surpresa, que as despesas e os vencimentos previstos com os deputados e demais pessoal aumentam para 2014.

      Mais uma vez, como é já conhecido e sabido, a Assembleia da República dá o mau exemplo do despesismo público e, pelos vistos, não tem emenda.

      Em relação ao ano em curso de 2013, o Orçamento para o funcionamento da Assembleia da República para 2014 prevê um aumento global de 4,99% nos vencimentos dos deputados, passando estes de 9.803.084 € para 10.293.000,00 €.

      Mais estranho ainda é a verba relativa aos subsídios de férias de natal que, relativamente ao orçamento para o ano de 2013, beneficia de um aumento de 91,8%, passando, portanto, de 1.017.270,00 € no orçamento relativo a 2013 para 1.951.376,00 € no orçamento para 2014 (são 934.106,00 € a mais em relação ao ano anterior!).

      Este brutal aumento não tem mesmo qualquer explicação racional, ainda assim fomos consultar a respetiva legislação para ver a sua fórmula de cálculo e não vimos nenhuma alteração legal desde o ano de 2004, pelo que não conseguimos mesmo saber as causa e explicação para tanto..

      Basta ir ao respetivo documento do orçamento da Assembleia da República para 2014 e, no capítulo das despesas, tomar atenção à rubrica 01.01.14, está lá para se ver.

      Já as despesas totais com remunerações certas e permanentes com a totalidade do pessoal, ou seja, os deputados, assistentes, secretárias e demais assessores, ao serviço da Assembleia da República aumentam 5,4%, somando o total € 44.484,054.

      Os partidos políticos também vão receber em 2014 a título de subvenção política e para campanhas eleitorais o montante de € 18.261.459.

      Os grupos parlamentares ainda recebem uma subvenção própria de 880.081,00 €, sendo a subvenção só para despesas de telefone e telemóveis a quantia de 200.945,00 €.

      É ver e espantar!

      Caso tenham dúvidas é só consultarem o D.R., 1.ª Série, n.º 226, de 21/11/2013, relativo ao orçamento de 2014, e o D.R., 1.ª Série, n.º 222, de 16/11/2012, relativamente ao orçamento de 2013.

      Muito grata por seu comentário e beijinho,
      ZCH

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