quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Malabarista da Palavra






Há tanto malabarista,
malabarista da palavra
manipulada, deturpada,
levianamente lançada
e levada pelo vento
que sopra em descontento
como num agre tormento!



O espectador
conhece bem o ator
que se exibe  sempre

no mesmo palco,
no circo do asfalto,
nas feiras de verão,
sem qualquer inovação,
onde só  com beijo e abraço
sempre no mesmo encalço
de, sem qualquer pudor,
enganar o espectador
já cansado do despudor!


Sucedem-se uns aos outros
seguindo as mesmas pegadas
sem qualquer imaginação
não mudando a atuação,
rastejando pelo chão
para gaudio da multidão!


E, continuam teimosos,
não valentes, temerosos,
seguindo as mesmas pegadas
na única linha traçadas,
persistindo em confundir,

quem já não se deixa iludir

com palavras ao vento lançadas,
enganando o cidadão
com uma única intenção:


Apenas, conseguir obter
o domínio do poder
usurpando o cidadão,
que, não ri, não,
nem acha graça,
porque o malabarista
não trabalha de graça
e porque com a sua atuação
já cansado o cidadão
por ser tão enganado 
chegou à exaustão!

E quando da nova parada
do circo da palhaçada,
já não haverá palavra

falsamente manuseada
que ao malabarista valha;
já cansado o espectador
correrá com o ator
e toda esta esta canalha!
                                                      «»                

                                          Zélia Chamusca
Da obra  - UM MUNDO MELHOR
Autora - Zélia Chamusca
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Estado de Vilanagem







Aprendi que a trabalhar
Seria útil à sociedade,
Agora, basta-me olhar
P’ra ver outra realidade.

Há neste velho país
Uma tão grande indecência,
Nada tem com o que fiz
Da minha vida a vivência.


Trabalhei para construir,
No caminho que tracei,
O que vim a conseguir
Que é fruto do que ganhei.


Ganhei-o com trabalho honesto
No caminho então traçado,
Agora, tudo é funesto…
Chegámos a este estado:

Estado de vilanagem
Que, apenas, é destruição
Causada pela pilhagem
Que tira aos pobres o pão!
              «»


Autora - Zélia Chamusca
Da obra -  UM MUNDO MELHOR
Chiado editora
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Perdeu-se a ética







 Perdeu-se a ética
na ausência da moral
na conduta humana,
no que concerne
ao Bem e ao Mal.
 

Perdeu-se a ética
na sensibilidade,
no pressuposto desconhecimento
face á sociedade.
Perdeu-se a moralidade!
 

Perdeu-se a ética
no pretenso paradoxo da verdade
dispersa na provocatória
 de mente ilusória,
ignorância da sociedade!
 

Perdeu-se a ética
na mentira exclusivista
da falsa certeza
do pensamento individual,
dum único ponto de vista,
entre alguns, exclusivista,
que é fonte geradora do mal!
 

Perdeu-se a ética
no engano desumano
da mentira,
em que certo humano
toma como certa
a presa atingida pela seta!
 

Perdeu-se a ética
na ausência do Bem,
flagelada pela presença do Mal
sob as lanças mortais
dos hominídeos atuais!
             «»
 
 
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

 

domingo, 20 de outubro de 2013

Passos e Passos


 

Tanto passo
No compasso
Da caminhada da vida
Na passagem
Para a outra margem...
 

São tantos, passos,
Passos e mais passos
Para a inatingível paragem…
 

Os passos de passos,
Constantemente, regridem
E incidem no mesmo alguém,
Sempre mais além...
 
De fracasso em fracasso
Nos passos, passos
Em compasso
Descompassado,
De fracasso em fracasso
Tão grande o cansaço
De passos pesados,
Que, desesperados,
Serão passos tombados!
                                                            «»          
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

domingo, 13 de outubro de 2013

Por Passos Torturados...


 

 Velhos, pobres e doentes

na rua cambaleando,

em lentos passos pesados,

caminham cansados

por passos torturados…

 

Velhos, espoliados,

esgotados e corcovados

em passos pesados…

 

Velhos na rua passando,

tristes, maltratados,

na lentidão dos passos,

carentes, esfomeados,

por passos magoados…

 

Velhos na solidão,

sofrendo a exclusão,

da injustiça humana

de gente insana,

para a pobreza mandados…

 

Velhos, pobres, doentes

carenciados e esfomeados,

caminham na lentidão

da morte que avizinham,

com fome, sem pão,

em passos pesados,

por passos torturados,

tristes e desrespeitados!...

 

Velhos, pobres e doentes

na rua descartados

como lixo da sociedade!…

 

Maldade!…
 
Vergonha desta sociedade!...

 

Foram estes homens,

agora, velhos,

pobres e doentes,

que com vida dura

vencendo a ditadura,

sustentaram

a atual sociedade

conferindo-lhe privilégios

que eles nunca puderam usufruir!

 

Estes homens,

agora, velhos,

pobres e doentes

são pela mesma sociedade,

atacados, desrespeitados,

espoliados e marginalizados!...



Maldade!...

Vergonha desta sociedade!...

                  «»
  
 
                
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -  Google

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades




“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança”


Camões, Grande Camões,

se neste País, agora, estivesses

verias que pior que mudar-se a confiança

é perder-se a confiança…


Se cá estivesses não cantarias

aqueles que:

“Entre gente remota edificaram

Novo reino, que tanto sublimaram;”


Não, já não espalharias cantando,

por toda a parte,

com teu engenho e arte,

a Imortal Epopeia

que à Humanidade deixaste!


Se cá estivesses chorarias

lágrimas sem fim, numa tragédia triste,

a morte de tua amada Pátria!


E, em doce pranto lembrarias, apenas,

em memória:

“Aqueles que por obras valerosas

Se foram da lei da morte libertando”


Se, agora cá estivesses

em teu imortal poema

que deu titulo a este meu simples tema,

com teu engenho e arte chorarias,

em trágico prólogo,

o que, aqui, contigo dialogo:


Mudam-se imagens,

mudam-se conceitos,

mudam-se valores,

mudam-se preceitos.


E, líricos e trágicos episódios

desenvolverias chorando:


Mudam-se as imagens

Trabalhador – Embolo da produção;

é prisioneiro da escravidão.

Reformado – Sénior respeitado;

é velho espoliado e marginalizado.


Mudam-se os conceitos


Destruição do estado social; é reforma do Estado.

Baixar salário; é ajustamento.

Baixar pensão; é convergência.

Roubo de reforma; é poupança.

O dinheiro do reformado; é despesa do Estado.


Mudam-se os valores

Explora-se o trabalhador

para ajudar ao patrão;

Tira-se ao pobre

 para enriquecer mais o rico;

Rouba-se o reformado

dizendo que é despesa do Estado.

Tudo causa da corrupção

que destruiu o País

e roubou a Nação.


Tudo em nome da poupança

na despesa do Estado…


Mudam-se os preceitos

“Dura lex, sed lex”

Sendo o significado à letra, 

“A lei é dura mas é lei”,

que, agora, é uma treta.

Significado para o povo, lei é lei,

mas, para o rico e para o político, não há lei!

Negam o pressuposto da lei,

não cumprem as leis,

e, quando confrontados

com as decisões do Tribunal

ou, apenas, lembrança de que lei é lei

que é para cumprir,

agressiva e vingativamente,

disparam com pior mal.


E, assim, para o pobre, lei é lei para ser cumprida.

Mas, para outros é:

Incumprimento;

Impunidade;

Desrespeito;

Desumanidade.


Andam criminosos à solta:

corruptos e aldrabões,

ladrões e vendilhões

da Pátria e da Nação!


Andam á solta e sabemos quem e onde estão!


Camões, Grande Camões,

se neste País, agora, estivesses,

verias que pior que mudar-se a confiança

é perder-se a confiança!…

              «»
Da obra  Um Mundo Melhor - Autora Zélia Chamusca
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google
                     

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sensibilidade - A forma mais perfeira de inteligência



A forma mais perfeita de inteligência


Que é no ser humano a sensibilidade


Esvaneceu-se nos ares da inconsciência


Do Poder, tal é a insensibilidade!



O nefasto sentimento da ambição,

A cobardia em todos tão bem visível

E o nobre sentimento em extinção

No Poder,  a sensibilidade… É incrível!


Neles a sensibilidade é invisível!

Só um insano desumano a pode anular,

Dado que  a demência o impede de amar!


A crueldade da insensibilidade

Desenfreada, pronta a apunhalar,

Só o pobre indefeso sabe atacar!

                  





Poema de - Zélia Chamusca

Fonte de imagem - Google





quarta-feira, 2 de outubro de 2013